
Texto de Luísa Jorge
É uma mulher de fortes convicções, para quem a ciência e a religião são duas faces da mesma moeda. Talvez seja por isso que durante muito tempoconciliou a academia com o pastorado. Defende que todo o estudante deveria beneficiar de orientação vocacional e/ou educação alternativa antes de ingressar no ensino universitário.
Lindiwe Massinga é o rosto desta semana. Ela é fruto de uma mistura de nacionalidades: pai moçambicano, mãe sul-africana e vive nos Estados Unidos há mais de 30 anos.
Confessa que a paixão que nutre pela Educação, desde a infância, fê-la atravessar o oceano Atlântico com destino à terra das estrelas de Hollywood, onde se doutorou em Estudos Profissionais em Educação, pela Universidade de Capela. Também é mestrada em Educação Multicultural e licenciada em Educação para Negócios.
Diz-se discípula do filósofo Paulo Freire. Para ela educar não é apenas mandar as crianças à escola, mas acompanhá-las, potenciá-las e orientá-las segundo a sua vocação para uma escolha profissional mais acertada.
Reformada desde Maio do presente ano, Lindiwe divide a sua vida entre Moçambique, África do Sul e Estados Unidos, sendo que é neste último país onde cuida dos filhos e netos.
Durante muito tempo foi madrugadora, mas hoje, nos primeiros meses da reforma, está a mudar de rotina. Levanta-se às oito horas da manhã, porque diz ter chegado a vez de cuidar mais de si mesma, da sua saúde, vida social e espiritual, pois os últimos dez anos foram desgastantes. Liderava o Departamento de Orientação e Acompanhamento de jovens estudantes com algumas dificuldades de inserção einteragia com as respectivas famílias.
Olhando para a educação em Moçambique, critica a burocracia no sector e defende que é preciso devolver a dignidade ao professor com a melhoria das condições de trabalho e valorização da profissão.
Na hora de comer, Lindiwe Massinga observa uma “dieta sem… sem…”, isto é, sem glúten e sem açúcares. Pela manhã não dispensa um batido natural à base de legumes, frutas e vegetais e nas principais refeições não faltam saladas e grelhados. Além do regime alimentar rigoroso, gosta de fazer caminhadas nas primeiras horas da manhã ou ao princípio da noite.
Confessa ser uma mulher extremamente espiritual, a ponto de nada fazer antes de orar, pois, segundo ela, foi assimque durante muitos anos buscou forças para lidar com o racismo que sofreu nos EUA, por ser negra.
Acredita que o doutoramento fê-la ganhar respeito de muitos brancos americanos. Em todas as instituições onde trabalhou era quase sempre a única negra. “Quando fiz o doutoramento, senti que tudo o que dizia era inquestionável. Muitas vezes senti que fui respeitada pelo meu grau académico e não por ser uma pessoa digna de respeito”, afirma.



