
A Ilha de Inhaca, a apenas 32 quilómetros da cidade de Maputo, é considerada um lugar único por possuir características que são vincadas pelo facto de ser uma reserva parcial onde se busca a protecção de uma imensa biodiversidade composta por espécies vegetais de raríssima qualidade e de espécies marinhas, como são os casos do peixe serra, peixe ladrão, peixe vermelho, garoupa, recifes de coral, entre outros. Há um forte potencial turístico aqui ao lado. Há que o explorar.
A população desta ilha, estimada em cerca de seis mil habitantes, preserva os traços fundamentais da sua cultura, de entre os quais se salienta humildade, hospitalidade e simpatia que são uma marca presente nos seus rostos habituados ao contacto com turistas idos de diferentes partes do mundo.
A pesca é a principal actividade desenvolvida pelos locais que têm na cidade de Maputo um mercado dinâmico e, quiçá,insaciável, seguindo-se o comércio de bens essenciais e a agricultura de subsistência.
A porta de entrada deste deslumbrante espaço insular é a zona onde foi erguida a ponte-cais, nas imediações do Pestana Inhaca Lodge, uma infra-estrutura marcada por uma arquitectura típica e única na ilha, mas que agora amarga um estágio de semi-abandono devido à degradação do ponto de acostagem de embarcações. Fontes ligadas à gestão daquele "lodge" afirmam que este quadro será ultrapassado brevemente.
Apesar deste triste cenário, a ilha não perde o seu fulgor. Tem a sua pinta intacta mesmo sem possuir um metro quadrado de estrada alcatroada. Assim, as viaturas circulam através de ruelas estreitas e maioritariamente de areia solta.
O vereador do distrito municipal KaNyaka, que superintende a ilha, Dinis Titosse, disse que a melhoria do processo de atracagem das embarcações e do transbordo dos passageiros constitui um desafio para as autoridades municipais.
Neste momento, a ligação entre a cidade de Maputo e aquela ilha está a ser assegurada, em grande medida, pela embarcação “Nyelete”, operada pela empresa Transmaritima.
Superadas as dificuldades de acostagem, a ilha de Inhaca revela-se um lugar com um forte potencial turístico que, segundo Dinis Titosse, só não deu um salto maior porque era necessário criar bases para a sua concretização e um dos alicerces passava pela aprovação de um Plano Parcial de Urbanização, instrumento que já se encontra na sua fase de implementação.
Com base neste instrumento, os investidores estão livres de requerer um espaço, mediante a apresentação de um projecto para a implantação de infra-estruturas turísticas na ilha. “Temos registado muitas manifestações de interesse por parte de investidores na área do turismo, sendo que muitos dos referidos projectos são bastante ambiciosos e sobre os quais decorrem discussões para a sua harmonização”, disse Dinis Titosse.
Actualmente, KaNyaka possui 21 pequenos e médios estabelecimentos de alojamento, com 143 quartos, assim como cinco unidades de restauração. De salientar que houve uma redução de 40 quartos e 80 camas devido ao encerramento do Pestana Inhaca Lodge, em Abril de 2015.
COMÉRCIO ASSIM-ASSIM
Avaliações recentes indicam que a ilha de Inhaca possui os mais elevados índices de pobreza do município de Maputo, facto que se reflecte na pouca oferta de produtos e de serviços naquela zona insular que tem 120 estabelecimentos comerciais de médio e pequeno porte e uma unidade bancária.
As linhas de financiamento oferecidas por este balcão têm estado a permitir o surgimento de novos tipos de actividades, com destaque para carpintarias, serralharias, papelarias, lojas de venda de electrodomésticos, ferragem, vestuário e confecções, padaria, alfaiataria, salões de cabeleireiro e barbearia, entre outros.
A Ilha tem um médico e três unidades sanitárias nos bairros Nhaquene, Inguane e Ribzene, para um universo de cerca de seis mil habitantes.
Conforme apurámos no local, as doenças mais frequentes são a malária, disenterias e diarreias, havendo a ocorrência de tuberculose e de HIV/SIDA e os Serviços Distritais de Saúde contam com um barco-ambulância, devidamente equipado, uma viatura-ambulância, uma embarcação de pequeno porte e uma motorizada.
A nossa Reportagem apurou que o Conselho Municipal de Maputo aprovou recentemente um projecto de construção de um novo Mercado de Peixe, infra-estrutura que irá assegurar o tratamento e a conservação de produtos marinhos.
Tal como soubemos, está em curso o processo de adjudicação da obra a um empreiteiro.
AERÓDROMO SUBAPROVEITADO
Para além do acesso pela via marítima, a ilha de Inhaka possui uma segunda “porta de entrada”, que é o aeródromo, mas aquela infra-estrutura passa muito tempo sem receber um único meio aéreo porque não existem voos regulares para aquele destino, quando muito algumas visitas oficiais ou voos “charter”, de turistas.
Refira-se que, há poucos meses, a empresa Aeroportos de Moçambique (ADM) definiu uma série de aeródromos para concessionamento a operadores privados, no quadro de uma estratégia de rentabilização das infra-estruturas aeroportuárias.
Conforme foi referido, durante a reunião anual daquela empresa, deverão ser concessionados para a gestão privada os aeroportos de Inhambane, Ponta do Ouro, Bilene, Mocímboa da Praia e Lumbo, esperando-se que em alguns deles sejam feitos investimentos pelos operadores.
Benjamim Wilson
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