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Deslocados envolvidos na agricultura

Por admin
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Pelo menos 38 famílias que vivem no centro de acomodação de Vanduzi, distrito do mesmo nome, na província de Manica, estão envolvidas em actividades de produção de comida na presente campanha agrícola 2016-17.

As famílias já dispõem
de terras para cultivo.
As áreas foram
disponibilizadas pelo
Governo do distrito
às pessoas que abandonaram
as suas zonas de residência
para zonas seguras devido à
tensão-político militar.
No centro de acolhimento
de Vanduzi vivem presentemente
cerca de 130 famílias,
correspondentes a 782 pessoas
deslocadas, na sua maioria
provenientes do distrito de
Báruè, uma região também assolada
pela seca que na campanha
agrária finda destruiu
diversas culturas alimentares.
Foi olhando para esta situação
que o Governo do distrito
de Vanduzi decidiu identificar
uma área que está a ser distribuída
às famílias para produção
de comida.
Informações em poder
do domingo tornada pública
pelo chefe do posto administrativo
de Vanduzi,
Bernardo Chamboco, indicam
que as autoridades do distrito
irão apoiar as famílias na
lavoura dos campos. Muitas
não têm recursos para, com
meios próprios, abrir os campos
para produção de comida.
Assim sendo, o Governo
já identificou alguns
tractores que serão usados na
lavoura. Depois de tudo, cada
família poderá ocupar o seu
campo e produzir para a sua
alimentação. “Identificámos
essas áreas porque é extensa
e não pertence a ninguém. As
famílias que quiserem podem
abrir as suas machambas
e produzir comida. Aquela
que quiser pode construir
a sua residência e sair do
centro de acomodação. Sabemos
que não é para vivermos
toda a vida no centro.
Ali estamos de passagem.
Temos de nos organizar para
levarmos a vida normalmente”,
disse Bernardo Chamboco.
Afirmou que depois de cada
uma das famílias escolher a
sua área, o Governo disponibiliza
um tractor para abertura
dos campos e prover
variedades de sementes com
maior enfoque para milho e leguminosas.
“Neste momento
38 famílias já têm machamba
e está pronta a produzir.
Aguardamos a chegada de
mais pessoas interessadas
porque temos terra. Todos os
dias recebemos duas a três
famílias que querem produzir.
Temos cerca de 800 hectares
de terra arável que podem ser
aproveitados pela população
interessada”, disse.
Explicou que o envolvimento
destas famílias resulta de uma
campanha de sensibilização levada
a cabo pelas autoridades
do distrito de Vanduzi com o
propósito de consciencializar os
deslocados a produzirem para o
seu auto-sustento.
“Não podem ficar a espera
pensando que o Governo
vai dar tudo. Eles têm a
obrigação de fazer algo para
o seu sustento. O que estamos
a fazer é dar um impulso.
No futuro elas (famílias)
estarão em condições de
levar a sua vida normalmente”,
acrescentou.
Entretanto, o porta-voz do
Instituto Nacional de Gestão
das Calamidades (INGC), delegação
de Manica, Cremildo
Quembo, disse que as famílias
estão a receber sementes
disponibilizadas pelo INGC.
Sem avançar as quantidades,
a fonte explicou que a distribuição
está a decorrer nos
cinco centros de acomodação
existentes na província de
Manica.
Paralelamente a isso, os
deslocados continuam a beneficiar
de alimentos como arroz,
farinha, feijões, sal e outros
bens alimentares, uma iniciativa
que se prolongará até ao mês de
Março próximo, altura em que
serão visíveis os resultados da
presente campanha agrícola.
“Nós estamos a distribuir
sementes às famílias que
querem abrir machambas.
Isso em todos os centros de
acomodação. Mas também
continuam a dar comida à
população. É um trabalho
que vai até Março porque
acreditamos que até lá terá
a colheita das machambas”,
vincou Cremildo Quembo.
A província de Manica tem
cinco centros de acomodação
com 650 famílias e total de
3166 pessoas nos distritos
de Vanduzi, Mossurize, Guro,
Gondola e Báruè.

Domingos Boaventura
domingos.boaventura@snoticicas.co.mz

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