
A Rádio Moçambique celebra próxima sexta-feira o 40º aniversário da sua criação. É momento de festa rija, tendo em conta os avanços alcançados. Por exemplo, emite em 19 línguas nacionais,bem como em português e inglês, neste último caso através do canal Maputo Corridor Radio, em Maputo e, em termos técnicos, cobre acima de 90 por cento do território nacional.
Faruco Sadique, Presidente do Conselho de Administração, afirma que o desafio é digitalizar o sinal, juntar-lhe qualidade e levá-lo efectivamente a todos os cantos do país.
Neste momento a RM está apostada na instalação de repetidoras do sinal da emissão nacional, que é um dos pressupostos para o alcance da tão almejada abrangência. Até ao momento, as repetidoras instaladas pela Rádio Moçambique nos distritos eram da Antena Nacional.
Conforme apurámos, nos últimos tempos foram instaladas e inauguradas as repetidoras de Mapai, no distrito de Chicualacuala, em Gaza, Angoche, em Nampula, Espungabera, em Manica, e Metangula, em Niassa.
A repetidora de Mabote, Inhambane, inaugurada na última quinta-feira, já estava em funcionamento e, na mesma sequência, espera-se que nos próximos dias seja instalada a repetidora de Gorongosa, província de Sofala.
Faruco Sadique revela que “neste momento, os técnicos da Rádio Moçambique estão a criar condições para o transporte do sinal dos emissores provinciais para a Sede, em Maputo, para que seja colocada na plataforma de satélite e assim poder ser capturado e retransmitido com a qualidade que a Frequência Modulada (FM) permite em qualquer ponto do país.”
Em termos de instalação de repetidoras das emissoras provinciais em FM, as atenções estarão viradas nos próximos meses para as zonas fronteiriças, bem como para os distritos relativamente povoados mas, com acesso difícil ao sinal da Rádio Moçambique em Onda Média.
Paralelamente, Sadique afirma que “estamos também a trabalhar no sentido de colocar o sinal dos emissores provinciais nas plataformas digitais, de modo a que todos os canais da RM possam ser escutados através da internet, em qualquer canto do mundo porque, até ao momento, apenas os canais transmitidos em Maputo estão disponíveis na internet”.
Na mesma senda, espera-se que antes de 2 de Outubro entre em funcionamento o Centro de Produção do Emissor Provincial de Maputo, na cidade da Matola, cuja montagem está na fase conclusiva, após o que se seguirá a instalação dos equipamentos. O emissor provincial de Maputo tem actualmente os seus estúdios e redacção na cidade de Maputo.
Com uma rede de 71 emissores, dos quais 11 em Onda Média, que transmitem o sinal da Antena Nacional e de todos os emissores provinciais, e 60 em FM, nas capitais provinciais e em 30 distritos, a RM é indubitavelmente a maior estação radiofónica do país.
Nessa condição impõe-se a si mesma o desafio de difundir com a mázima qualidade possível, facto que poderá ser alcançado com a instalação de repetidoras em FM, “que permitem a captação do sinal com melhor qualidade”, conforme referiu Sadique.
Por outro lado, a opção pela expansão do sinal dos emissores provinciais pelos distritos, em FM, permite também que os ouvintes tenham acesso a emissões transmitidas maioritariamente em línguas locais, com mais programação local. Nos emissores provinciais, em média, as línguas nacionais ocupam desde o ano passado 15 horas diárias, das 19 horas de emissão.
INVESTIR
NA QUALIDADE
A Rádio é, seguramente, o meio de comunicação que maior universo abrange no país, facto que é comprovado pelo facto de “durante o dia, o sinal global da RM cobrir mais ou menos 85 por cento do território nacional através de todos os 11 emissores de Ondas Médias, incluindo a capital, e os 70 emissores de FM. A noite, com melhores condições de propagação do sinal, chega ao 100 porcento do nosso território”.
Explica que há sempre uma compensação; o emissor de Manica pode não chegar a zona mais a sul da província, mas o emissor de Inhambane chega lá. Falta-nos tornar os emissores provinciais mais fortes para cobrirem realmente toda a província onde se encontram instalados.
Agora, segundo o nosso entrevistado, foi instalado um sistema informático que permite fazer as emissões via satélite, sendo que os emissores de Gaza e Sofala já foram integrados nessa plataforma, para além do emissor nacional. A este nível já não é preciso usar linhas telefónicas para transmitir o sinal o que permite alguma economia financeira. Acreditamos que ainda este ano podemos ter mais duas ou três províncias nesta plataforma, celebra.
Também revela que os investimentos ao nível do sinal de transmissão estão sim a ser acompanhados pela modernização dos centros de produção. Aqui em Maputo (sede) os estúdios estão completamente modernizados com tecnologia de ponta e, como grande parte dos emissores provinciais, estamos digitalizados. Temos quase todos os nossos arquivos digitalizados, incluindo o acervo musical.
Importa também referir que foi construído o centro de Xai-Xai, apelidado de Centro Padronizado, que é aquilo que a RM gostaria que fossem os nossos edifícios nas províncias, uma vez que a maior parte dos emissores provinciais foram instalados em edifícios alternativos que não são os mais apropriados para serviços de rádio. “Doravante iremos construir baseados no modelo de Xai – Xai”, diz o PCA da Rádio Moçambique.
Num outro desenvolvimento, Sadique afiançou que “a RM está a expandir a produção das emissões nacionais para os emissores provinciais para aliviar um pouco a pressão que há sobre Maputo. Já transmitimos os jornais nacionais a partir da Beira e Xai-Xai. Vamos gradualmente abrangendo todas as provinciais.
RECURSOS HUMANOS
E MIGRAÇÃO DIGITAL
A emissora de bandeira nacional tem 1100 trabalhadores entre efectivos e colaboradores. Conforme nos foi revelado, só o programa da criança tem 250 colaboradores em todo o país que produzem os programas. A gestão destes recursos é um grande desafio e é notório que as grandes vozes que pontificaram num passado recente estão a ceder os seus lugares a profissionais mais jovens.
Faruco Sadique reconhece o desafio e diz mesmo que “aos 40 anos há colegas que estão a passar para a reforma e é preciso garantir que haja uma passagem tranquila de testemunho. Para isso temos a formação interna (Escola da Rádio) para garantir essa continuidade com qualidade.
E quando se fala de qualidade também se fala da migração digital, assunto que Faruco Sadique descreve como sossegado pois, a RM ainda não tem muitas imposições, de tipo prazos apertados. Apesar disso, “assumimos esse desafio de primeiro fazer a migração na transmissão do sinal do sistema analógico para o digital; é verdade que ainda temos alguns estúdios de produção a usarem o sistema analógico mas estamos a trabalhar nessa perspectiva, esclarece.
Ainda no campo dos desafios, o PCA da RMassume que o caminho a percorrer continua longo, a começar pelo trabalho que deve ser desenvolvido para garantir uma produção radiofónica de qualidade e que corresponda efectivamente às responsabilidades de uma rádio pública.
Segundo ele, é preciso que a sociedade entenda e fique clara de que esta estação pública está a familiarizar-se com o processo de digitalização da produção radiofónica e transmissão do sinal e, ao mesmo tempo, deve expandir cada vez mais o sinal da rádio, através da instalação de mais repetidoras nos distritos, com destaque para as zonas fronteiriças e principais estradas nacionais (tanto da Antena Nacional como dos Emissores Provinciais), e da instalação de emissores de Onda Curta, de tecnologia digital e com maior raio de alcance.
De igual modo, a Rádio Moçambique deve colocar todos os seus canais nas plataformas online e de recepção por satélite, construir novos centros de produção para os Emissores Provinciais e reabilitar as instalações existentes.
Também deve melhorar a formação profissional e académica dos trabalhadores, de modo a que estejam em cada vez melhores condições de responder às exigências de uma rádio pública na era da digitalização, aprimorar a gestão financeira através da redução de despesas nas rubricas em que tal seja possível e aumentar os índices de captação de receitas, incluindo através da melhoria dos sistemas de cobrança das Taxas de Radiodifusão, bem como reforçar as parcerias público-privadas.



