
O caso de desvio e venda de enunciados e guiões de correcção dos exames da décima classe do ensino secundário em Gaza que levou à anulação dos exames e consequente realização de exames especiais, semana passada, nos distritos de Bilene, Chibuto, Chókwè, Xai-Xai e na capital provincial de Gaza, já está sob alçada da Polícia de Investigação Criminal (PIC) e da Procuradoria para melhor se compreender como é que estes materiais foram vendidos na rua.
A verdade é que os enunciados e os guiões de correcção andaram à “deriva” e as respostas dos exames também circularam nos celulares dos alunos durante os exames.domingo conta como o esquema foi montado.
Era uma vez três estudantes da Escola Secundária de Xai-Xai, em Gaza, do júri dois, que decidiram resolver o exame de História recorrendo aos guiões de correcção do Ministério da Educação. Quando se desconfiou que eles tinham as respostas, também se descobriu que traziam enunciados dos exames e outros estudantes tinham respostas das questões de outras disciplinas cujos exames seriam realizados ao longo da semana.
O professor vigilante comunicou a ocorrência imediatamente à direcção da Escola Secundária de Xai-Xai que, por sua vez, denunciou o caso à Direcção Provincial da Educação e Cultura (DPEC) de Gaza. A DPEC fez deslocar os seus inspectores para realizar interrogatórios preliminares aos estudantes.
Apertados, os alunos revelaram que tinham comprado os enunciados de exame e guiões de correcção em alguém que propositadamente omitimos o seu nome a preços que variavam entre 200 e 500 meticais. Por se tratar dum acto de natureza criminal, a inspecção da Educação preferiu envolver a PIC na investigação que localizou o jovem suspeito.
Interrogado, o suspeito revelou que obteve os enunciados de exame e guiões de correcção por intermédio de um sujeito que os imprimiu numa reprografia, no bairro 4, na zona alta da cidade de Xai-Xai, na rua da padaria “Farinha”. Soubemos que neste esquema também está envolvido um professor da Escola Secundária Patrice Lumumba.
As investigações prosseguiram, tendo, na reprografia, a PIC sabido que não tinha sido apenas reproduzido o enunciado e o guião de correcção da disciplina de História, mas também de outras disciplinas que iriam ser avaliadas na segunda época. Depois disso, a Polícia fez diligências para localizar a casa do sujeito que reproduziu os exames na reprografia.
Quando a Polícia chegou à casa do suspeito, este já havia fugido e deixado na sua cama muitas cópias de enunciados e guiões de correcção de todas as disciplinas. A Polícia recolheu estes materiais como evidências ou provas criminais.
Durante as investigações, constatou-se que a fraude também ocorreu em Chókwè, tendo envolvido sete professores. Por seu turno, a DPEC de Gaza comunicou oficialmente a fraude académica ao Conselho Nacional de Exames, Certificações e Equivalências (CNECE), uma instituição subordinada ao MEC que administra os processos de exames escolares em todo o território nacional.
Na sequência disso, posteriormente, o Ministro da Educação e Cultura, Augusto Jone, decidiu anular os exames da segunda época em Bilene, Xai-Xai, Chókwè, Chibuto e cidade de Xai-Xai, e mandou realizar exames especiais nestes locais durante toda a semana passada.
Ora, se a fraude se detectou em Xai-Xai e Chókwè porque foram abrangidos os distritos de Bilene, Xai-Xai e Chibuto? A explicação que o domingo teve foi de que o sector da Educação em Gaza realizou uma investigação comparativa em duas vertentes: uma comparando as notas duma determinada amostra de estudantes que resolveram os exames em certas disciplinas na primeira e segunda épocas.
De acordo com as nossas fontes, “houve, por exemplo, um estudante cuja nota de frequência foram 10 valores numa certa disciplina e no exame da primeira época teve dois valores e na mesma disciplina obteve 19 na segunda época. Logo, levantam-se suspeitas ”.
Esta tendência de resultados foi verificada em outras escolas secundárias de vários distritos, o que fez suspeitar que a fraude académica tivesse sido genérica. Daí que foi determinado que fossem realizados exames especiais em 30 escolas secundárias dos distritos de Xai-Xai, Bilene, Chókwè, Chibuto e cidade de Xai-Xai.
Entretanto, concluída a realização dos exames, na última sexta-feira, a responsável da Educação e Cultura em Gaza, Gina Guibunda, assegurou-nos que dentro de 10 dias os resultados serão anunciados e publicados. “As provas já estão a ser corrigidas e dentro de dias vamos publicar os resultados”, frisou Gina Guibumba.
Apurámos que dos sete professores envolvidos na fraude em Chókwè, quatro eram contratados, cujos contratos a Educação já rescindiu, enquanto contra os restantes três, por serem efectivos, serão instaurados processos disciplinares.



