.Com comprimento entre 21 e 75 metros, podem responder às situações de cortes nas estradas nacionais
Moçambique conta desde quinta-feira com dez pontes metálicas móveis adaptadas para uso em situações de emergência. Inauguradas no distrito de Boane, em Maputo, pelo Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi, custaram 11,9 milhões de dólares americanos, inteiramente suportados pelo Estado moçambicano.
Fonte do Instituto Nacional de Calamidades assegurou ao domingo que as pontes móveis estarão estacionadas, numa primeira fase, no distrito de Mocuba, na província central da Zambézia, onde nas últimas cheias foram destruídas dezenas de pontes, diques e pontecas.
As pontes têm dimensões que variam de 21 a 75 metros de comprimento, estando em condições de suportar peso até 60 toneladas.
Forcas da Unidade Nacional de Proteção Civil fizeram demonstrações de uso de equipamento perante o Presidente da Republica, procedendo, primeiro ao lançamento de uma das pontes móveis ao rio, dotada de dois motores nas bordas laterais.
Esta ponte poderá ser usada como batelão em situações de emergência, transportando pessoas e bens em situações de isolamento ditado por cortes na rede viária.
Unidades de proteccao civil mostraram como diferentes secções da ponte podem ser lancadas e articulas entre si configurando espécie de “estrada” alternativa em situações de emergência.
Refira-se que as dez pontes metálicas móveis são transportadas em camiões de especialidades diferentes, consoante a natureza de lançamento que fazem.
Unidades da Proteccao Civil procederam igualmente ao lançamento das pontes visando mitigar efeitos de corte de objecto fixo, atirando secções ao mar, que podiam cobrir uma “esteira” de 75 de metros de largura.
A “esteira ‘e divisada por secções articuladas. Finalizados procedimentos de conexão ‘e feita a atracagem.
Apos lançamento, a ponte ‘e suportada por diversos cavaletes de estabilização que podem ir a uma profundidade ate 5,5 metros. As sapatas de fixação completam o serviço de segurança.
Seguidamente ‘e feita atracagem da ponte com a margem para no caso do rio subir de caudal drasticamente não arrastar consigo a ponte.
O lançamento da segunda e outras secções ‘e feita com o camião a trepar cada uma delas, distribuindo peso que assegura melhor aderência ao solo das sapatas e cavaletes que suportam a estrutura sempre que ‘e activado o sistema hidráulico para comando do sistema que levanta a ponte.
POPULACAO REJUBILA
A população da provincia de Maputo que assistiu ao acto de lançamento das pontes metalicas móveis rejubilou com a iniciativa do Governo de agenciar aqueles meios visando atender a situações de emergência.
O Governador de Maputo, Raimundo Diomba, disse na ocasião que a provincia que dirige sofria muito com cortes de estradas e isolamento de distritos inteiros.
“Agradecemos a iniciativa do nosso Governo. Num passado recente, sofremos com submersão de um drift que isolou por completo o distrito de Matutuine”, disse.
Acrescentou que aqueles equipamentos não servirão apenas a província de Maputo. “Pertencem a todo o pais e serão serão bem geridos”, salientou.
Fazemos aquilo que o povo manda
– Presidente da Republica
“Viemos testemunhar a entrega daquilo que o povo moçambicano nos mandou fazer”,disse Filipe Jacinto Nyusi na cerimónia inaugural de lançamento das dez pontes moveis em Boane, província de Maputo.
Explicou que sendo Moçambique um pais com calamidades cíclicas, urgia encontrar soluções que fossem ao encontro das suas necessidades em momentos de emergência.
‘E preocupação do Governo resolver os problemas do povo”,frisou o estadista moçambicano, sublinhando que para soluções definitivas de retenção de agua, o pais não dispõe presentemente capacidade financeira bastante visando a construção de barragens e diques.
Explicou que o seu Executivo tem na carteira de investimentos projectos para a construção de barragens em Mapai e Moamba Major, esta ultima estrategicamente destinada a provisão de água potável a cidade de Maputo, cidade da Matola e distrito de Boane.
“Temos ainda projectos de estruturas de retenção de água no Rovuma, no Lurio, na Gorongosa. Abrangemos todo o pais, mas este processo ‘e longo. Exige mais reservas financeiras para solução definitiva”, explicou o Presidente da Republica.
Salientou que enquanto o Governo não dispõe de dinheiro suficiente, opta por medidas alternativas. “O Governo não pode chorar, lamentar. Tem que apresentar soluções. Uma das soluções ‘e esta que apresentamos hoje. Não esperamos que a chuva venha. Estamos preparados. Este equipamento esta’ pronto para a accao”, apontou.
Filipe Jacinto Nyusi fez questão de salientar que o equipamento tem total financiamento do Governo moçambicano. “Gostaríamos de ter estes meios em toda o pais. Sul, Centro e Norte”, referiu.
O estadista ressalvou, entretanto, que as plataformas inauguradas não substituem pontes metálicas já construídas. “Servem pontualmente situações de emergência”, esclareceu.
Bento Venâncio
bento.venancio@snoticicas.co.mz



