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CALAMIDADES NATURAIS: Maldito “Dineo”

Por admin
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A 15 deste Fevereiro, Inhambane foi sacudida pelo “Dineo”, um violento ciclone que deixou rasto de destruição. Além da capital provincial e Maxixe, o ciclone fustigou com intensidade os distritos de Jangamo, Homoíne, Massinga e Morrumbene, neste último causando a morte de pelo menos cinco pessoas, das quais duas da mesma família.

Dados divulgados pelo Governo da província indicam a destruição de milhares de infraestruturas públicas com destaques para mais de duas mil salas de aula, cem unidades sanitárias, secretarias distritais, postos administrativos e edifícios de vários serviços.

Na cidade da Maxixe, o fenómeno destruiu a ponte-cais e algumas embarcações que asseguram a travessia de pessoas e bens.

Algumas instituições privadas também não resistiram a fúria dos ventos fortes que deixaram igualmente centenas de milhares de famílias ao relento na sequência da destruição de habitações.

As árvores, em particular coqueiros e cajueiros, tombaram, vislumbrando-se postes de iluminação e milhares de hectares com culturas diversas destruídas em quase todos os distritos fustigados pelo ciclone que afectou com gravidade, perto de setecentas mil pessoas.

O Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) estima em mais de quinhentos mil meticais, o valor necessário para garantir assistência alimentar as pessoas necessitadas.

Em termos de reconstrução de infraestruturas públicas, Inhambane necessita de pouco mais novecentos milhões de meticais.

QUARTA-FEIRA

INESQUECIVEL

Dias antes de atingir a costa da província de Inhambane, o INAM – Instituto Nacional de Meteorologia- emitiu um comunicado prevendo a ocorrência de uma depressão tropical.

Ė um comunicado que foi largamente divulgado, mas , mesmo assim, algumas pessoas foram encontradas em contrapé.

Manuel Junguissene, residente na cidade da Maxixe, diz que quando os ventos começaram a intensificar-se por volta das catorze horas, estava a caminho de mais uma jornada de pesca, uma vez que não tinha informação da ocorrência de ventos fortes.Outros cidadãos foram surpreendidos em convívios familiares e de amigos. “Não acreditava na previsão ”, disse Reginaldo Ngoca, cidadão que diz ter passado mal para chegar a casa devido a intensidade do ciclone .

 

“Parecia brincadeira quando tudo começou. Com os meus 43 anos, nunca vi um fenómeno desta natureza que até deixou árvores como se estivessem queimadas”, conta Ngoca, acrescentando que ficou ao relento depois da destruição de suas palhotas.

Enquanto outros não tinham conhecimento e ou ignoravam o aviso do mau tempo, alguns cidadãos evitaram fazer muitos movimentos naquele dia por temer o impacto do ciclone dai que foram encontrados nas suas residências com as respectivas famílias.

Ė o caso da Angélica Tomás que juntamente com os seus três filhos escapou milagrosamente da morte porque um cajueiro caiu sobre a barraca onde se encontravam abrigados.

“Só Deus é que sabe como escapamos. De repente, caiu a sombra de casa mas todos saímos quase ilesos e fomo-nos socorrer na escola só que depois de algum tempo, a sala onde estávamos também ficou sem tecto” , refere o nosso entrevistado.

Os professores desempenharam papel importante naquela quarta-feira, ao acautelar os alunos a regressarem imediatamente às suas casas antes da intensificação dos ventos fortes.

OPORTUNISMO

Algumas pessoas desonestas aproveitaram-se da desgraça dos outros ao recolher chapas de zinco espalhadas em diversos cantos para mais tarde, revendê-las a cinquenta ou cem meticais.

São muitos cidadãos que procuraram se enriquecer dos bens de outras pessoas que ficaram ao relento na sequência do ciclone tropical.

Alguns destes cidadãos desonestos, pelo menos quatro, foram neutralizados pela Polícia da República de Moçambique, estando neste momento a responder pelo crime cometido.

VIDA TENDE A VOLTAR

A NORMALIDADE

Logo após ocorrência do ciclone, iniciou o movimento de reconstrução das infraestruturas destruídas, com particular prioridade para habitações e outros equipamentos sociais.

No seio de infraestruturas públicas, o trabalho não para, enquanto se busca fundos visando uma reconstrução definitiva. Enquanto isso, em algumas escolas, Governo e parceiros colocaram tendas para acomodar os alunos durante as aulas.

A empresa Electricidade de Moçambique está também paulatinamente a repor a rede danificada.

Quase dez dias depois, a vida tende a voltar a normalidade em quase todos sectores. Na maioria das escolas, as aulas retomaram no meio da semana passada. No seio familiar, as pessoas estão a realizar as suas actividades normalmente enquanto reerguem-se dos danos provocados pelo vendaval.

O governo de Inhambane anunciou o arranque das obras de reposição da ponte-cais da Maxixe para permitir a ligação entre esta cidade e a capital provincial, sendo que neste momento a travessia é feita em condições deploráveis devido a destruição do tabuleiro de atracagem dos barcos.

Várias organizações governamentais e ONG’s já estenderam a sua mão de solidariedade, decorrendo o processo de angariação de donativos para apoiar os afectados.

Ė nesta perspectiva que a AJOAGO – Associação de Jovens e Amigos de Govuro, disponibilizou material de construção para cerca de duas mil pessoas afectadas pelo ciclone nos distritos de Morrumbene e Massinga.

O responsável desta associação, José Mucote indicou que os beneficiários também recebem kit alimentar avaliado em mil e quinhentos meticais, disponibilizados via senha para a aquisição de produtos.

Texto de Aminosse Moisés

Destruídas duas fábricas

de produção de óleo alimentarDuas unidades fabris de produção de óleo alimentar a partir de cobra foram totalmente destruídas recentemente pelo ciclone “Dineo” que arrasou a província de Inhambane.

 

 

As duas unidades são propriedade da empre­sa Maeva e operam nos distritos de Inharrime e Maxixe. Em consequên­cia desta situação as máquinas da fábrica foram reduzidas a escombros e foram perdidas várias quantidades da matéria­-prima, das quais cinco tonela­das de bagaço.

O ciclone derrubou o poste de transformação que fornecia cor­rente eléctrica à fábrica da Maxixe.

Contudo, a direcção da empresa Maeva refere que a unidade da Maxixe é a que foi mais afectada, onde, por exem­plo, dos cinco pavilhões exis­tentes, três foram totalmente destruídos pelo fenómeno, com destaque para o pavilhão onde funcionava a fábrica, enquanto a fábrica de Inharrime teve um prejuízo de 30 por certo da sua superfície.

Devido aos elevados preju­ízos, a fábrica da Maxixe, que emprega 60 trabalhadores, encontra-se paralisada, e pers­pectiva-se que reinicie com os seus trabalhos em Abril do presente ano.

O director executivo da em­presa Maeva, Daniel Mondlane, disse que foi mobilizada uma equipa de engenheiros na cida­de de Maputo para deslocar-se neste fim-de-semana para ava­liar o estado do equipamento da fábrica da Maxixe.

FOMENTADA PRODUÇÃO DE PALMEIRA

A empresa Maeva vai levar a cabo, a partir do próximo mês de Abril, o fomento de produção de palmeira, nos dis­tritos de Morrumbene e Inhar­rime, província de Inhambane, com o objectivo de recuperar as perdidas por causa do ama­relecimento daquela cultura e de garantir a matéria-prima para a produção de óleo para a sua fábrica.

As primeiras mudas, num total de oito mil, que servirão para a implementação da pri­meira fase do projecto, che­gam no próximo mês de Mar­ço, e serão plantadas numa área de 3,5 hectares. As mes­mas foram adquiridas numa farma indiana.

De acordo com o plano de actividade daquela empresa, até final do presente ano pode­rão chegar ao país cerca de 42 mil mudas híbridas. Os primei­ros ensaios vão acontecer no próximo mês de Abril.

O director executivo daque­la empresa, Daniel Mondlane, disse que numa primeira fase o projecto vai empregar cerca de 80 trabalhadores efectivos, e mais de uma centena de even­tuais. O número de efectivos poderá aumentar, dependendo dos resultados que poderão ser obtidos.

Abibo Selemane
abibo.selemane@snoticias.co.mz
 

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