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Bolsas de fome em Marrupa

Por admin
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Algumas zonas do distrito de Marrupa, na província de Niassa, já começaram a ressentir-se de bolsas de fome, em consequência da ruptura da segurança alimentar. A situação, descrita de “sanável”, ainda não atingiu proporções alarmantes, apesar de os principais produtos alimantares começarem já  a conhecer agravamento assinalável de preços, com destaque para o milho, cultura que entra em todas as refeições da população de baixo rendimento.

O administrador de Marrupa, Iazalde das Neves Ussene, desdramatizou a situação, afirmando que o distrito não considera esta ruptura como sendo uma declaração de fome, justificando que o que existe é subida de preços praticados por comerciantes que vem da cidade de Lichinga.

Ussene, que é engenheiro agrónomo de profissão, garantiu que existem grandes quantidades de milho no mercado local, acrescentando que só na vila sede de Marrupa estão disponíveis 1852 sacos de milho de 50 a 60 quilos cada.

“Estas quantidades são uma demonstração clara de que a suposta fome não passa de falácia”, afirmou a nossa fonte, adiantando que, nesta altura do ano, o seu distrito tem recebido reforço dos distritos de Majune, Lichinga, Metarica, para além de cereais que vêm do vizinho distrito da província de Cabo Delgado, Balama.

Em conversa com a nossa reportagem, o administrador Iazalde das Neves explicou os factores que concorreram para a ruptura de stocks de cereais nesta altura do ano, apontando a priorização pela população de culturas de rendimento, com destaque para o tabaco, em detrimento das culturas alimentares.

“Depois que o fomento do tabaco começou a dar muito dinheiro, as machambas para culturas alimentares foram entregues às mulheres, facto que faz com que as colheitas do milho, principalmente, sejam baixas”, lamentou Das Neves, acrescentando que de alguns anos a esta parte, a redução das áreas destinadas a culturas alimentares tem conhecido um défice de alimentos, baixando, por conseguinte, as reservas aliementares dos camponeses.

Falando sobre as zonas do distrito que conheceram uma redução significativa de alimentos, Iazalde das Neves apontou os povoados de de Chireca e Mpamela, no posto administrativo de Nungo, na sede do posto administrativo de Marangira e no povoado de Namuanga. “Estas zonas tiveram fraca produção devido à queda irregular das chuvas”, justificou Das Neves, associando o conflito Homem-Fauna Bravia às dificuldades de a população conseguir bons resultados no fim de cada campanha agrícola.

Num outro desenvolvimento, o administrador de Marrupa assegurou que, apesar das adversidades, o distrito produz quantidades suficientes para garantir a segurança alimentar, ilustrando que na última campanha agrícola, a produção de culturas alimentares situou-se nas 38 mil toneladas, quantidde suficiente para alimentar um universo de pouco mais de 63 mil habitantes, que constituem a totalidade da população do distrito de Marrupa.

Iazalde das Neves reconheceu, igualmente, que a ruptura de stocks de produtos alimentares no distrito se deve, por outro lado, à má planificação dos camponeses, pois, vezes sem conta, a maior parte dos produtores vendem, também, os produtos que seriam para consumir ao longo do ano. “A ganância pelo dinheiro faz com que as populações vendam aquilo que era para o consumo familiar”, observou aquele governante.

Ainda de acordo com o administrador de Marrupa, o governo está a mitigar a situação através da identificação de potenciais armazenistas do distrito que têm produtos guardados para serem vendidos no momento de maior procura, persuandindo-os a colocarem no mercado os cereais armazenados.

Outra estratégia, segundo a nossa fonte, passa por potenciar alguns agentes económicos com o Fundo de Desenvolvimento Distrital (FDD), vulgo “sete milhões” de meticais, para estes passarem a comprar todo o excedente agrícola existente nas diversas aldeias para, depois, comercializá-lo a preços relativamente baixos em relação aos que se praticam actualmente, considerados, por muitos, proibitivos para aqueles cidadãos cuja renda é baixa.

“Estamos a sensibilizar as populações no sentido de estas apostarem nas culturas de segunda época, usando as zonas baixas que existem no distrito para a produção de culturas diversificadas”, explicou Iazande das Neves, ao mesmo tempo que sublinhava não haver no distrito famílias identificadas como estando em situação de fome. “Há lamentações pelos preços altos praticados por alguns desonestos, mas isso não significa que podemos afirmar que há fome em Marrupa”, concluiu aquele dirigente.

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