
Instalado a uma altitude de cerca de 1800 metros, ou seja, no ponto mais alto da serra, Serra Chôa é um dos postos administrativos do distrito de Báruè na província de Manica. Localiza-se a 34
quilómetros da vila de Catandica, sede do distrito, e é constituído por dezoito povoados com uma população estimada em 11 mil e 984 habitantes (censo de 2007). O clima é predominantemente frio. No inverno, a temperatura desce até aos 5 graus centígrados. No verão, ronda os 23 graus.
Devido a sua localização geográfica, clima e solo adequado, a população tem como principal actividade a agro-pecuária. Faz criação de gado bovino, ovino, suíno, caprino; produz batata-reno, algodão, feijões, cereais, hortícolas, entre outras culturas, donde sai a renda para o sustento familiar.
Nota curiosa é o facto de as famílias viverem distantes umas das outras. A título de exemplo, para se ir duma residência para outra percorre-se entre dois ou mais quilómetros. Presume-se que as extensas áreas que separam as residências estejam reservada exclusivamente ao pasto.
Naquela região, cada família tem mais de uma centena de cabeças de gado bovino e incalculáveis de caprino, suíno e ovino, algo visível pelas manhãs, quando o gado inunda a zona de pastagem.
Mesmo assim, falar de pastores para controlar o gado, nem pensar! Ninguém controla sua manada. Pode-se até dizer que o gado da Serra Chôa está bem-educado, porque sabe sair do curral, dirigir-se à mata para se alimentar e ao fim do dia regressar à casa.
No que toca às infra-estruturas públicas, ainda há muito trabalho por ser feito: falta quase tudo. Apesar de existir rede sanitária, constituída por dois hospitais, ela funciona com muita deficiência porque não tem pessoal suficiente para cobrir o elevado número de habitantes. Para assegurar a assistência médica às populações, as estruturas sanitárias naquela parcela do país contam com apoio de activistas domiciliários, que se deslocam para os povoados mais distantes a fim de prestar cuidados aos doentes. As doenças mais frequentes são a pneumonia e a malária.
Nota positiva é não haver casos de desnutrição infantil. É que ao nascer do dia, as crianças são brindadas com leite fresco de vaca, para além de outros alimentos que as mantêm fortes. Abundam vegetais e cereais cultivados nas margens de muitos cursos de água aí existentes. É precisamente naqueles rios e nas belas cascatas onde a população tira água para o consumo e uso
diário.
Para garantir o acesso à educação, funcionam naquele posto doze escolas, da quais nove primárias do Primeiro Grau e três do Segundo Grau. Mesmo assim, como é legítimo, alunos e pais e
encarregados de educação clamam pela introdução de estabelecimentos escolares de ensino secundário, o que num futuro breve poderá acontecer.
Faustina José, uma das residentes de Serra Chôa que falou em nome da população local, disse que actualmente a única alternativa para os alunos que concluem o ensino primário do Segundo Grau tem sido a República do Zimbabwe. Para se chegar até lá percorre-se aproximadamente vinte quilómetros a pé. Aliás, as crianças que ainda frequentam o nível primário do Primeiro Grau, muitas delas estudam naquele país vizinho.
“Algumas crianças estudam na vila de Catandica. Outras vão para o Zimbabwe. Se tivéssemos uma escola secundária aqui, a situação seria outra. Estamos a pedir mais escolas para os nossos educandos”, disse Faustina José.
Para minimizar o drama, Tomás Janota, chefe do posto administrativo de Serra Chôa, disse que as autoridades locais têm levado a cabo campanhas de sensibilização com vista a persuadir os pais e encarregados de educação a mandarem os seus educandos para a vila de Catandica para frequentarem o ensino secundário. Tal apelo, de acordo com aquele chefe, tem sido acatado por algumas famílias. Outros mostram-se renitentes, o que “contribui para os casamentos prematuros, já que as raparigas cedo se desligam da escola. Os rapazes, optam pela agricultura e os cadernos ficam esquecidos para sempre”
Questionado sobre abertura do mercado para produtos agrícolas, atendendo que aquela região é potencialmente produtiva, respondeu que devido a problemas relacionados com as vias de acesso, todo produto é absorvido na vila de Catandica.
As dificuldades de comunicação fazem com que as pessoas que nunca passaram por lá não tenham a mínima ideia do que é aquele lugar. Serra Chôa pode ser transformada numa zona turística por excelência e gerar riqueza para o país”, acrescentou Janota.



