O Tribunal da província de Maputo, através da 6ª Secção, analisa esta terça-feira as respostas das diligências solicitadas pelo Ministério Público às empresas Banco Comercial de Investimento (BCI), DHV, Vale Moçambique e Rio Tinto com objectivo de apurar a veracidade da informação prestada por um dos réus, Inácio Mirasse, segundo a qual, na data do sequestro se encontrava a trabalhar na província de Tete.
A juíza, Berta Salomé Zitá, confirmou que duas das quatro empresas (DHV e Rio Tinto) já haviam feito chegar as respectivas respostas ao tribunal, estando em falta os pronunciamentos do BCI e da Vale.
domingoapurou que a DHV confirmou que Inácio Mirasse tinha uma vínculo com aquela instituição, porém falta esclarecer se o mesmo se estendeu para lá da data do rapto, 19 de Maio de 2013.
Segundo a juíza da causa, terça-feira próxima está reservada à análise das diligências solicitadas pelo Ministério Público, na qualidade de acusador, seguindo-se a produção de provas e finalmente as alegações finais.
Alegações finais é o momento em que o acusador, representado pela procuradora, Glória Adamo, irá fundamentar verbalmente e materialmente as provas que sustentam a acusação dos réus pedindo a sua condenação, enquanto a defesa esgrimirá argumentos em defesa dos seus constituintes, solicitando a sua ilibação.
Estão em julgamento, desde 20 de Agosto, Arlindo Timane (tido como cabecilha do grupo), Manoa Valoi (que arrendou a casa que serviu de cativeiro), Edson Vombe (que negociou os valores de resgate) e Inácio Mirasse (envolvido na operação de rapto).
Os réus estão representados Ângelo Nkutumula (Timane), Jeremias Mondlane (Valoi e Mirasse) e Boavida Zandamela (Vombe).
“NÃO PAGAMOS NADA”
Issufo Momed,ouvido na condição de declarante,negou em tribunal que tenha sido pago algum valor com vista à libertação do irmão Hibrahim Gani sequestrado a 19 de Maio do ano passado.
Convidado pelo tribunal a contar o que sabia relacionado com o resgate do irmão, Momed explicou que o sequestro ocorreu num sábado. Ele estava na cidade de Maputo e soube do sucedido quando regressou à casa no bairro da Machava Socimol.
No domingo, recebeu a primeira chamada de uma pessoa não identificada, que perguntou: “ o senhor é irmão do senhor Hibrahim? Sabe que o seu irmão está connosco?”
Ao que ele retorquiu: “porquê está convosco?”
A resposta foi clara: “não se preocupe que ele está bem”.
Conta que em seguida desligou o telefone.
O declarante disse ainda que as chamadas foram retomadas ao longo da semana com ênfase para uma quarta-feira em que a pessoa dizia para que se preparasse muito dinheiro. “Respondi que não tinha dinheiro”.
Os raptores sugeriram, em seguida, que Issufo vendesse alguns bens da empresa. Disse que não podia porque a firma estava também em nome do seu irmão, pelo que precisaria da assinatura dele.
“Na sexta-feira, a conversa mudou de tom. Já ligavam por um número privado e ameaçavam matar o meu irmão”, explicou Issufo, sublinhando que todas as chamadas feitas até quinta-feira foram feitas pela linha 84.
Já no sábado, recebeu uma chamada de Hibrahim Gani, já liberto, a dizer que estava na zona da TRICAMO e pretendia que o irmão fosse buscá-lo.
Questionado pela defesa se podia esclarecer alguns pormenores sobre a pessoa com quem falava, Momed apenas disse que o indivíduo tinha sotaque de estrangeiro.
O Ministério Público prescindiu de ouvir o declarante no tribunal, embora conste na acusação que no referido sábado Issufo Momed terá pago, por volta das 18 horas, o valor de um milhão de meticais pelo resgate do irmão Hibrahim Gani e este viria a ser liberto às 21 horas em Malhanpsene.
O Tribunal ouviu, ainda na condição de declarante, Luis Carlos Manuel da Silva, detido nas celas do Comando da Cidade de Maputo, acusado de cárcere privado. Foi solicitado pelo Ministério Público a dizer se reconhecia alguns dos co-réus. “Conheço dois de vista: Arlindo Timane e Edson Vombe, mas nunca falei com eles”, disse Silva. “O primeiro, Timane, foi meu vizinho, vivíamos no mesmo quarteirão na Emilia Daússe, enquanto o segundo é irmão de uma amiga do meu primo”. Disse ainda que nunca os viu juntos e nem sabia se eram amigos.



