
• A primeira-dama falou com Oprah e contou como lidou com os preconceitos e falou sobre a hipótese de se candidatar à presidência
Michelle Obama deu uma entrevista a Oprah Winfrey em que descreveu as eleições presidenciais como "dolorosas" e revelou que vai apoiar o presidente eleito Donald Trump. A primeira-dama contou ainda como lidou com os preconceitos de que foi vítima nos últimos oito anos na Casa Branca e falou sobre a hipótese de se candidatar à presidência.
"Esta eleição foi um desafio para mim como cidadã", contou Michelle a Oprah, na última entrevista na Casa Branca que foi transmitida segunda-feira (19) na CBS. "Ver e experienciar. Foi doloroso", continuou, confessando que foi dormir antes de saber o resultado das eleições. "Quando acordei, vi [o resultado]".
Michelle contou que estava a preparar-se mentalmente para os dois possíveis resultados. "Então, mentalmente, eu já tinha digerido [o resultado] antes de realmente descobri-lo".
A primeira-dama garantiu ainda que vai apoiar Donald Trump, apesar de ter feito campanha por Hillary Clinton e ter criticado muitas das ideias do republicano no passado. Michelle vai fazê-lo porque considera ser o melhor para todos.
"É importante para o Barack [Obama] e para mim apoiar a transição. Porque não importa como nos sentimos, é importante para a saúde da nação que apoiemos o comandante-chefe", disse a primeira-dama, lamentando que Obama não tenha recebido este apoio quando entrou pela primeira vez na Casa Branca.
"Houve líderes no congresso que não apoiaram a sua presidência, o que não foi bom para o país", denunciou. "Foi bom para a política, mas não para o país".
"Nós vamos apoiar o próximo presidente e fazer tudo o que for necessário para nos assegurarmos de que ele tem sucesso", explicou Michelle, "porque se ele tiver sucesso, todos temos".
Quanto à possibilidade da sua própria candidatura à presidência dos Estados Unidos, algo que muitas pessoas têm pedido nos últimos meses, Michelle garante que não vai acontecer. "Eu não faria isso às minhas filhas", afirmou a primeira-dama, realçando que a sua prioridade é a família.
"As pessoas não percebem que quando se candidatam, a vida [dos filhos] pára, em qualquer idade", explicou Michelle, referindo-se a Malia e Sasha. "A próxima família que vier para cá, cada pessoa, cada criança, cada neto, vai ter a sua vida virada de cabeça para baixo de uma maneira que a América não percebe".
Para já, Michelle diz estar disponível para ajudar Melania Trump a adaptar-se à Casa Branca e ao cargo de mulher mais importante do país.
"Eu disse à Melania “não sabes o que não sabes até estares aqui” e “a minha porta está aberta'", contou Michelle, dizendo que a Laura Bush fez o mesmo com ela.
Michelle disse que o encontro que teve com Melania, no dia em que os Trump foram visitar a Casa Branca pela primeira vez após as eleições, foi "muito agradável" e que as duas mulheres falaram dos filhos. "Foi uma óptima visita porque este é um óptimo emprego".
Mas a posição de primeira-dama nem sempre foi tão boa para Michelle. Nos últimos anos, ela foi descrita algumas vezes como a "mulher negra zangada", um estereótipo normalmente atribuído a negras, incluindo até pelo jornal New York Times num Tweet de novembro que foi depois apagado.
Michelle contou a Oprah que ficou atordoada com essa etiqueta. "Foi um daqueles momentos em que pensas 'Tu nem me conheces. Uau, de onde é que isso veio?'", disse Michelle.
"Pensas 'eu não sou assim'. E depois vês “bem, isto não é sobre mim. Isto é sobre as pessoas que escreveram isto”. E essa é a verdade", continuou Michelle, que diz que esta etiqueta é motivada pelo medo.
"Nós temos tanto medo uns dos outros. Cor. Riqueza. Estas coisas que não importam continuam a representar um papel muito importante na forma como nos vemos uns aos outros", explicou a primeira-dama. "É triste porque a última coisa que nos define como pessoas é a cor da nossa pele". O que importa são os "nossos valores e como vivemos a nossa vida".
Michele acabou por chegar à conclusão que o melhor era viver a sua vida sem se preocupar tanto pela forma como os outros a caracterizavam.
"Eu decidi “bem, deixem-me viver a minha vida às claras para que as pessoas possam ver e avaliar por elas próprias", concluiu Michelle. "E é isso que quero que os jovens façam: apenas vivam as vossas vidas"
Na entrevista, Michelle disse também que os Estados Unidos são agora um país sem esperança, graças à nova administração, e insinuou que os americanos iriam sentir falta de ter "um adulto na Casa Branca". (In dn.pt)



