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FIGURAS & FACTOS 2016: Um ano de mais lágrimas que sorrisos

Por admin
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O ano que terminou ontem foi fértil em acontecimentos, uns para celebrar e outros nem tanto. Para lá da eleição de Donald Trump, que deixou parte do globo estarrecido, a destituição (impechement) de Dilma Dousself, ex-presidente do Brasil, a guerra na Síria, o recrudescimento das acções do Estado Islâmico (EI) prenderam a atenção da imprensa mundial. No nosso continente mereceram destaque a Nigéria, a Líbia, a Guiné-Bissau e África do Sul. A crise humanitária (migrantes e refugiados) continu(ou)a sem solução à vista. De acordo com o balanço da Organização Internacional para as Migrações (OIM), até 7 de Dezembro, o Mediterrâneo viu passar pelas suas águas 352 mil e 471 pessoas com destino à Europa.

Donald Trump 

A eleição de Donald Trump para 45º Presidente dos Estados Unidos da América (EUA) foi inequivocamente o maior acontecimento planetário do ano. Tido, à partida, como outsider, primeiro no seio dos candidatos republicanos para nomeação, depois contra a candidata democrática Hillary Clinton, Trump contrariou todos os prognósticos e sondagens. A expectativa agora é ver como o novo presidente vai se sair nos próximos quatro anos. Os mais pessimistas não lhe auguram prestação positiva por não possuir nenhum passado político, e, alegadamente, não saber como é que se tece a política internacional. Outra nota curiosa é ver também como se sairão os elementos que compõem a sua Administração, onde há milionários, que tal e qual a Trump, sem currículo político. Aliado a tudo isso, está o facto do Presidente dos EUA ter escolhido China para inimigo de estimação, o que fez soar os sinos em Pequim. E Pequim tem razão para se inquietar. O Presidente escolheu para o sector da Defesa e Segurança autênticos falcões. Ossos duros de roer. A tomada de posse do novo Presidente dos EUA está marcada para 20 de Janeiro. Para já o mundo treme, apesar de os americanos confiarem na Câmara e no Senado para travar a impetuosidade de Trump, um presidente que, desde logo, tem se mostrado muito activo no twitter. Comenta na hora. Exemplo? Foi através do Twitter que disse semana finda para o mundo que “a ONU é um clube para as pessoas passarem um bom bocado”.

Morte de Fidel Castro 

Partiu o homem. Fica o mito. Fidel Alejandro Castro Ruz ou Fidel Castro morreu no passado mês de Novembro, aos 90 anos. El Comandate, como ficou mundialmente celebrizado, foi o último dos gurus político da segunda metade do século XX de uma short list de que fazem parte figuras como Samora Machel, Nelson Mandela, Martin Luther King e Yasser Arafat. Sobrevivente de mais de 600 tentativas de assassinato, até com charutos que explodiriam, segundo a segurança cubana, só a idade biológica venceu este lendário combatente e revolucionário.

Fidel Castro governou Cuba, primeiro como primeiro-ministro, entre 1959 e 1976, depois como presidente de 1976 a 2008, quando passou o poder a seu irmão Raúl Castro. Enquanto Fidel Castro governava Cuba, dez presidentes passaram pela Casa Branca. O primeiro deles, Dwight Eisenhower, impôs as primeiras sanções económicas em resposta ao confisco de terras e à nacionalização de empresas americanas.

Em abril de 1961, mercenários e exilados cubanos tentaram invadir a ilha, na Baía dos Porcos, com apoio militar dos Estados Unidos. Financiada pelo serviço secreto americano, a tentativa fracassada aproximou Fidel Castro ainda mais da União Soviética. No ano seguinte, sob o argumento de proteger Cuba, a União Soviética enviou mísseis nucleares que seriam instalados na ilha. Kennedy cercou Cuba com a marinha americana, e o mundo esteve à beira de uma guerra entre as duas superpotências. No fim, o líder soviético Nikita Kruschev mandou retirar os mísseis, depois de receber de Kennedy a promessa de não invadir Cuba. Fidel teve uma trajectória que marcou a segunda metade do século 20.

Em 1960, fez o discurso mais longo da história da assembleia-geral da ONU: quatro horas e meia. A revolução cubana, sob sua liderança, influenciou movimentos de esquerda em vários países da América do Sul e África. O carisma e os programas sociais tornaram Fidel Castro num governante popular, com grandes avanços na saúde e na educação.

António Guterres 

O antigo Alto-Comissário das Nações para os Refugiados, o português António Manuel de Oliveira Guterres ou, simplesmente, António Guterres, que desempenhou o cargo entre 15 de junho de 2005 e 31 de dezembro de 2015,engenheiro de profissão, é o novo Secretário-Geral das Nações Unidas (ONU), por sinal o 9º na história da organização.

Depois do juramento prestado a 12 de dezembro de 2016, perante a Assembleia Geral das Nações Unidas, Guterres tomará posse hoje, 1 de Janeiro de 2017, para um mandato de cinco anos.

Entre os desafios que esperam o novo homem forte da ONU constam a reforma da ONU, a desnuclearização, a volátil situação da Coreia do Norte – Pyongyang fez saber no passado dia 24 de Dezembro que prepara um novo teste nuclear para os próximos meses – a interminável guerra civil na Síria, o confronto israelo-palestino e as nuances do mundo árabe.

Referir que o novo secretário-geral da ONU disse, após confirmação para o cargo, que Síria seria a sua primeiríssima prioridade.E tem razões fortes para isso: de um lado estão os EUA, que apoiam os rebeldes, e do outro, a Rússia que ampara o governo de Assad.

Impeachment

de Dilma Rousseff 

A 31 de Agosto do ano passado o plenário do Senado brasileiro aprovava, por 61 votos favoráveis e 20 contrários, o impeachment de Dilma Rousseff. A presidente(a) afastada foi condenada sob a acusação de ter cometido crimes de responsabilidade fiscal – as chamadas "pedaladas fiscais" no Plano Safra e os decretos que geraram gastos sem autorização do Congresso Nacional, mas não foi punida com a inabilitação para funções públicas. Com isso, ela poderá se candidatar para cargos electivos e também exercer outras funções na administração pública. A destituição daquela que ficara nos anais da história do Brasil como primeira mulher presidente (a) mexeu com muitos países da América Latina. Houve quem apelidasse a destituição de golpe de Estado.

Boko Haram Derrotado?

O tristemente célebre grupo extremista Islâmico Boko Haram foi, finalmente, derrotado. Foi o que disse na passada segunda-feira(26) o Presidente nigeriano Muhammadu Buhari. “Eu fui informado pelo Chefe do Exército de que o campo caiu por volta das 13.35 (hora local) de sexta-feira, dia 23 de Dezembro. Os terroristas fugiram e já não têm mais lugar para se esconderem”. Aliás, Acabar com o movimento rebelde foi um dos desafios que o presidente se impôs aquando da sua tomada de posse em 2014, em Abuja, capital política. domingo cobriu a cerimónia. Na tradução do nome em árabe, Boko Haram significa “a educação não-islâmica é um pecado”, dai que pretendesse impor a Sharia (lei islâmica) no país. Em 2015, o Boko Haram controlava um vasto território, mas o Exército da Nigéria conseguiu recuperar as terras com uma série de operações militares. O grupo ficou mundialmente conhecido pelo rapto de 276 raparigas na região de Chibok. Uma campanha internacional tomou de assalto as redes sociais, com pessoas de todo o mundo, incluindo grandes figuras como Michelle Obama, a postarem fotografias a segurar sinais que diziam: "Bring back our girls" (tragam as nossas raparigas de volta). O governo nigeriano foi fortemente pressionado para dar mais informação, ou resgatar as vítimas.

Guiné-Bissau 

Quatro Primeiros-ministros em apenas dois anos de governação do Presidente José Mário são demais. Infelizmente é assim que se coze a Guiné-Bissau. Nomes? Domingos Simões Pereira, Baciro Djá (nomeado-demitido-nomeado), Carlos Coreia, Umaro Sissoco Embaló (em exercício). Assim vai a pátria de Amílcar Cabral. CEDEAO, CPLP, ONU enveredam esforços para ultrapassar a crise. Mas está difícil.

William Ruto

inocentando pelo TPI

O Tribunal Penal Internacional (TPI) abandonou as acusações de crimes contra a humanidade em relação ao vice-Presidente do Quénia William Ruto, considerando os juízes que o Procurador não apresentou elementos de prova suficientes. Tendo em conta os elementos de prova, a maioria dos juízes “concordou com a anulação das acusações e a desnecessidade de julgar”. William Ruto, de 49 anos, e o apresentador radiofónico Joshua Arap Sang, de 40 anos e seu co-acusado, tinham sido processados por assassínios, perseguições e deportações ocorridos após a contestada reeleição do Presidente Mwai Kibaki face a Raila Odinga em Dezembro de 2007. A violência causou mais de 1300 mortos e 600 mil deslocados, segundo a acusação. Foi a primeira vez que um pedido de desistência da acusação e uma absolvição foi apresentado pela defesa durante o julgamento, após a apresentação da prova pela acusação. As testemunhas foram uma das fragilidades do caso da acusação. Referir que em Dezembro de 2014, o TPI retirou as queixas contra o Presidente do Quénia, Uhuru Kenyatta, acusado de crimes contra a humanidade na sequência da onda de violência pós-eleitoral de 2008.

Problemas que transitam para o novo ano

Transitam para este 2017 o imbróglio político da Gâmbia (o presidente Yahya Jammeh, que chegou ao poder em 1994 através de um golpe de Estado, depois de derrotado na corrida pelo quinto mandato, se recusa a aceitar o resultado do pleito)e RDCongo (contra os protestos dos partidos da oposição, o Tribunal Constitucional decidiu que o presidente Joseph Kabila vai permanecer no cargo depois de 2016 até que se realizem às eleições, sendo que estimativas apontam para dentro de dois anos).

Texto de André Matola

 

andrématola@snoticicas.co.mz

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