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FIDEL CASTRO// 1926-2016: Morreu “El Comandante”

Por admin
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Morreu sexta-feira, aos 90 anos de idade, o líder internacionalista cubano Fidel Castro. Homem de convicções inabaláveis e reputado fervor comunista, deixa o mundo com lição de persistência nos ideários de promoção de justiça social. Amado por alguns e odiado por tantos outros, Fidel deixou a sua marca e destaca-se hoje como figura incontornável na História Contemporânea.

Líder de Cuba desde o processo revolucionário de 1959, “El Comandante”, como era carinhosamente tratado, foi arauto de um dos mais sólidos, robustos e eficazes sistemas de saúde no mundo inteiro.

Médicos cubanos são respeitados pela competência e veia inovadora. Mais do que isso, desdobram-se em diferentes países partilhando a sua experiência e saber, ajudando a tratar milhares de cidadãos em África, Europa, Ásia e América.

Em Moçambique, em parceria com o saudoso Presidente Samora Machel, Fidel Castro, com a sua Cuba, ajudou a construir o Sistema Nacional de Saúde (SNS). Até hoje, médicos cubanos e moçambicanos trabalham lado a lado em vários hospitais do nosso país. 

Antes centenas de moçambicanos formaram-se em Cuba, sobretudo, em Medicina e outras Ciências de Saúde.

O grande investimento na área de Saúde ganhou notável expressão graças ao enorme investimento no sector de Educação, onde o nosso país igualmente beneficiou da experiência cubana enviando centenas de estudantes a Cuba em 1977, dois anos após a conquista da Independência Nacional.

Cuba orgulha-se de ter erradicado o analfabetismo, proeza que muitos Estados no mundo estão ainda a procura.

Caso para dizer que na Educação e na Saúde encontramos o grande legado de Fidel Castro, domínios nos quais se assumiu como figura carismática internacional e exprimiu em tom alto a solidariedade cubana no mundo.

Não esquecemos outras esferas de intervenção de Cuba no tempo de  Fidel Castro, e destacamos aqui o apoio incondicional às independências de alguns países africanos.

Cuba, sob liderança de Castro, ajudou a consolidar as independências, lutando pelos ideais de Justiça internacional, enviando tropas para alguns países. Angola pode ter uma palavra a dizer aqui, na titânica luta contra o Apartheid no Cuito Canavale, uma das mais sangrentas batalhas travadas depois da Segunda Guerra Mundial.

Cuba destacou-se igualmente pelo não alinhamento, fazendo parte dos Estados não-alinhados.

“El Comandante” morreu na sua residência em Havana em ambiente familiar, ele que tinha renunciado ao poder em 2006 por sucessivos problemas de saúde.

Foi substituído pelo seu irmão Raul Castro.

“SOBREVIVENTE” DO EMBARGO

Fidel Castro “sobreviveu” ao embargo de mais de 50 anos (iniciou em 1960), decretado pelos Estados Unidos da América, país com o qual viveu uma rivalidade ideológica espevitada pela Guerra Fria.

Ressalve-se que Castro representou o último resquício do comunismo no continente americano.

Vítima de isolacionismo, aprendeu a fazer de Cuba país gigante na esfera militar e também económica, optando por políticas públicas que agregassem o povo cubano em torno de causas sociais.

Não podemos dizer que o povo não sofreu com embargo. Sobreviveu, tal como sobreviveu o seu líder. Muito recentemente, sinais de aproximação foram ensaiados sobretudo pelo Presidente Barack Obama que realizou uma visita histórica a Cuba.

O objectivo da visita visava o fim do bloqueio, o relançamento da economia cubana após a Guerra Fria e o estudo de encerramento do Guantanamo.

A morte do líder histórico cubano tem suscitado várias reacções pelo mundo.

Curiosamente, é nos Estados Unidos da América, país com rivalidade conhecida, onde surgem as mais notáveis reacções nas diferentes comunidades cubanas ali residentes, sobretudo na Florida e em Miami.

A cadeia de televisão norte-americana CNN destaca a morte do líder histórico cubano em horas de noticiário no horário nobre e já avança com a possibilidade de a administração do recém-eleito presidente Donald Trump poder ter uma via aberta para negociação com Raul Castro tendo no horizonte o fim do bloqueio e o lançamento da cooperação económica entre Cuba e os EUA.

 

Texto de Bento Venâncio
bento.venancio@snoticicas.co.mz

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