
É um dado adquirido. A Frelimo e os seus candidatos venceram, folgadamente, as eleições autárquicas de 20 de Novembro último em todas as assembleias de voto nas cinco cidades e vilas municipais da província de Niassa, havendo casos em que a diferença entre candidatos ultrapassa os 80 por cento. Mesmo tratando-se de apuramento intermédio, só um milagre pode inverter o curso das actuais projecções. Enfim, o povo de Niassa deu um voto de confiança ao partido no poder.
Estas eleições, na óptica dos gestores do processo, valeram pela forma pacífica e ordeira com que decorreram. O director provincial do Secretariado Técnico de Administração Eleitoral de Niassa, Francisco Nhachungue, classificou este pleito como tendo sido o mais calmo e tranquilo de todos os tempos, apontando a forma civilizada como os eleitores encararam o sufrágio, quer durante a fase da campanha eleitoral quer durante a votação.
A nossa fonte anotou que os moçambicanos souberam dar valor acrescentado ao processo de democratização do país, ao afluir maciçamente às três etapas das eleições, nomeadamente, recenseamento, campanha e votação, numa altura em que a situação política por que passam alguns moçambicanos é descrita de crítica.
Aliás, antes de votar, a quase totalidade dos candidatos afirmou aos órgãos de comunicação social que iria aceitar os resultados que saíssem destas eleições, justificando que uma eleição é uma competição onde qualquer interveniente pode ganhar ou perder. “Estamos preparados para ganhar e perder”, afirmaram os candidatos da Frelimo e do MDM a presidentes do município de Lichinga, Saíde Amido e Pedro Baptista, respectivamente, apontando os munícipes como sendo os mais principais vencedores.
Sobre o assunto, Milagre Silvano Chilusse, administrador eleitoral da cidade de Lichinga, que considerou as eleições deste ano de terem tido lugar num ambiente de paz, sublinhou que em todas as assembleias de voto não foram registados quaisquer incidentes, daí acreditar que o processo foi de todo tranquilo. “A forma pacífica como decorreram as eleições credibiliza os resultados conseguidos”, defendeu Milagre, para quem os moçambicanos devem ter em mente que o país tem pessoas capazes para dirigir um processo tão complexo como são as eleições autárquicas.
Depois de concluído o apuramento parcial dos votos, a primeira leitura que se faz é de que a esmagadora maioria dos eleitores preferiram o manifesto eleitoral da Frelimo, daí ter conseguido fazer passar os seus candidatos em todos os municípios da província de Niassa, nomeadamente, Lichinga, Cuamba, Metangula, Marrupa e Mandimba.
RESULTADOS DA FRELIMO
SÃO CONVINCENTES
Em termos de resultados, em Lichinga, o candidacto da Frelimo, Saíde Amido, conseguiu reunir 17.628 votos contra os 8.782 do seu adversário Pedro Baptista, do Movimento Democrático de Moçambique, MDM. Ao nível de partidos, 17.308 eleitores votaram nos camaradas, enquanto 8.837 escolheram o partido do “galo”. Nesta autarquia, o STAE instalou 103 assembleias de voto para um universo de 72.102 eleitores inscritos.
Na considerada cidade estratégica de Cuamba, por onde passa o Corredor de Desenvolvimento do Norte, Vicente da Costa Lourenço, candidato dos camaradas à sua própria sucessão, também venceu as eleições por uma margem confortável, ao arrecadar, nas 49 mesas, 9.350 votos e 8.157 para o seu partido. Por seu turno, Isidro Ismael Sacur, do MDM, não foi para além dos 2.406, enquanto o partido de Daviz Simango chamava a si 2.075 votos, uma margem que, segundo alguns analistas, poderá permitir à Frelimo fazer passar os seus projectos de desenvolvimento sem qualquer objecção. De referir que no município de Cuamba foram inscritos 33.993 eleitores.
Falando sobre o processo eleitoral, Guilherme Xavier, administrador eleitoral de Cuamba, manifestou a sua satisfação pela forma tranquila como decorreu a votação, afirmando que, contrariamente ao que se previa, as eleições deste ano foram pacíficas. “A criação atempada de condições para os membros de mesas de votação permitiu que o processo tivesse lugar dentro do período estabelecido, havendo casos em que a votação terminou antes das 18 horas”, elogiou Guilherme Xavier, pedindo aos eleitores para que continuem, calmamente, à espera do anúncio dos resultados oficiais pela Comissão Nacional de Eleições.
Em Metangula, onde se registou uma campanha renhida até ao último dia, os eleitores preferiram as promessas da Frelimo. Com efeito, a sua candidata, Sara Mustafa, teve o “sim” de 3.406 eleitores dos 7.317 inscritos. Aqui, o partido no poder conseguiu 3.323 votos, depois de escrutinadas as 14 mesas de voto. Por sua vez, Rita Alves e o seu partido, MDM, alcançaram 8.73 e 902 votos, respectivamente, nas 14 assembleias de voto reservadas para aquela vila lacústre.
Rafael Patrício, administrador eleitoral de Metangula disse que o processo decorreu dentro dos parâmetros estabelecidos por lei, não tendo sido reportado nenhum ilícito eleitoral, muito menos comportamentos que atentasse a estabilidade do processo. “Todos os eleitores, incluindo os candidatos, exerceram o seu direito de voto e foram esperar pelos resultados nas suas casas ou em locais de laser sem ocorrência de qualquer problema”, anotou a nossa fonte, acrescentando que o civismo demonstrado pelos eleitores é uma demonstração de que o povo que trabalhar em paz.
Já em Marrupa, Marta Romeu, candidata das Frelimo, pode começar a festejar vitória. Apurados que foram os votos nas 15 mesas instaladas, a “delfim” dos camaradas para o município de Marrupa superou, de longe, o seu adversário Salvado Eugénio Laica, do MDM, ao conseguir somar 4.137 votos para si e 4.111 para o seu partido contra os 363 e 150 votos para Laica e MDM, respectivamente. Para Marrupa foram inscritos 9.664 eleitores.
Pelos resultados tornados públicos, os munícipes de Marrupa gostaram do manifesto eleitoral do partido no poder. Algumas pessoas por nós contactadas, a propósito, explicaram que os resultados são uma consequência directa do trabalho realizado pela edil no mandato anterior e as pessoas acreditam nas suas capacidades de continuar a resolver os principais problemas da vila, nomeadamente, a falta de água, erosão que ameaça engolir parte da vila e o ordenamento urbano, onde o arruamento consta como actividade prioritária nos próximos cinco anos.
Em relação a Mandimba, uma vila que entra pela primeira vez na governação autárquica, a votação também foi amigável e fraternal. Víctor Sinóia, da Frelimo é o virtual vencedor das eleições, depois de arrancar 3.277 votos para si e 3.257 para o seu partido, numa zona até há pouco considerada “bastião” da Renamo. O alegado distanciamento de algumas pessoas em relação ao partido no poder era entendido como sendo vantajoso para o MDM e o seu candidato.
Porém, as coisas não foram assim tão lineares. Os eleitores, cuja maneira de ver as coisas cresce a cada dia que passa, decidiram apoiar o projecto de desenvolvimento, o projecto melhor elaborado e que vai de encontro aos interesses das populações. Assim, António Siquera, do MDM, viu o seu manifesto “chumbado” ao conseguir somar apenas 1.349 para si e 1.302 para o partido do “galo”. Sobre o assunto, dizia um académico baseado em Lichinga que não vale a pena prometer o corte e/ou anulação de impostos, porque o povo sabe que nenhum governo consegue viver sem uma base tributária forte e sólida.
Em, em Mandimba, foram instaladas 16 mesas de voto para um universo de 9.695 eleitores inscritos.



