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PROJECÇÕES ECONÓMICAS: Crise cambial deixa grandes lições

Por admin
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Os indicadores macroeconómicos apontam para uma estabilização da economia nacional e, em alguns casos, dão sinais de retoma projectando-se um crescimento 4,7 por cento, contra 3,8 por cento no ano passado, quase metade do que era habitual até 2015. O Primeiro-ministro, Carlos Agostinho do Rosário, afirma que a crise cambial deu ao país grandes lições.

 

Em termos previsões, o Primeiro-ministro apontou que para 2018, a taxa de crescimento económico vai se situar em 5.3 por cento, contra os 4,7 previstos para o presente ano e 3,8 por cento registados no ano passado.

A crença de que será possível chegar aos 5.3 por cento assenta nos sinais que têm sido dados pelos sectores da agricultura, comércio, indústria extractiva, transportes e comunicações.

No caso do sector agrário, Carlos Agostinho do Rosário disse que o Governo vai continuar a estimular a adição de valor às principais culturas, como forma de dinamizar o agro-processamento, no âmbito da industrialização do país e geração de mais emprego e renda.

Na indústria extractiva, entrada de novos operadores e o lançamento da primeira pedra de reassentamento em Palma abrem caminho para o início das operações de implantação do projecto de produção do gás natural liquefeito na Bacia do Rovuma”, disse.

Esta dinâmica da economia leva o Governo a prever que a partir de 2019 o país retome os níveis de crescimento de 6 a 7 por cento, sendo que o maior desafio persiste ao nível da inflação que continua alta, pese embora tenha uma trajectória descendente que poderá atingir os 11,9 por cento ao final do próximo ano, “o que irá permitir a redução da taxa de juro no sistema bancário”.

Segundo o Primeiro-ministro, “a redução da inflação e da taxa de juro irá contribuir para baixar o custo de vida e melhorar o acesso ao financiamento, em particular para as pequenas e médias empresas, que absorvem cerca de metade da mão-de-obra empregue no mercado de trabalho”.

Entretanto, Carlos Agostinho do Rosário não deixou de evidenciar para os investidores ali reunidos que a crise que assolou o país, resultante do corte da ajuda externa e da conjuntura interna e externa adversa, deixou três grandes lições para o Governo e, quiçá, para os moçambicanos no geral.

Conforme referiu, a primeira lição está ligada à necessidade de se reforçar mecanismos de resiliência no sistema económico para garantir que o crescimento da economia ocorra num ambiente de estabilidade macroeconómica.

Esta lição decorre do facto de a nossa economia se ter tornado vulnerável a choques exógenos devido à concentração da sua base de receitas de exportação num número limitado de grandes projectos, aliado ao fraco desenvolvimento de infraestruturas para fazer face aos efeitos das mudanças climáticas”.

Para ultrapassar este desafio, disse que estão a ser implementadas medidas de diversificação da base produtiva, nomeadamente por via da aposta na agricultura, energia, turismo e infra-estruturas, áreas que foram selecionadas para dinamizar a operacionalização do Programa Quinquenal do Governo.

A segunda lição relaciona-se com a necessidade de reforçar a sustentabilidade da política fiscal e monetária como fundamento da estabilidade macroeconómica, uma vez que a crise atingiu o país numa altura em que grande parte da políticas fiscal e monetária estavam orientadas para a expansão quando dependiam de forma indefinida do financiamento externo e de receitas extraordinárias.

Foi neste contexto que iniciamos o exercício de consolidação fiscal que assenta nos pilares da melhoria das fontes de arrecadação de receitas, racionalização da despesa pública e reforma do sector empresarial do Estado”, frisou.

A terceira lição se relacionada com o dever de melhorar a gestão da dívida pública pois, segundo Carlos Agostinho do Rosário não se pode garantir a sua sustentabilidade sem parâmetros claros para a contratação de empréstimos e afectação de recursos, bem como sem o reforço da confiança com os credores.

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