
As amostras de matérias subterrâneas e subaquáticas resultantes das pesquisas de petróleo e gás estão a ser realizadas um pouco por todo o país estão armazenadas pelo Instituto Nacional de Petróleos (INP) num armazém localizado no bairro do Zimpeto, na cidade de Maputo, para posterior reavaliação.
Trata-se de carrotes e calhas que foram recolhidas na província de Inhambane, mais concretamente nos primeiros furos feitos na região de Pande e Temane, e numa primeira fase foram conservadas num armazém que tinha sido construído para o efeito na sede do distrito de Vilankulo, também em Inhambane.
Hoje, para além dos primeiros carrotes (da década 60) foram reunidas as mais recentes recolhidas nas bacias do Rovuma e de Moçambique, a sendo que as mesmas estão a ser arrumadas em função da idade. Neste caso, para uma melhor identificação, faz-se constar no invólucro o número do furo, nome, ano e a profundidade.
Por outro lado, e conforme apurámos, as companhias petrolíferas fazem um relatório detalhado sobre a pesquisa em questão, que apresentam ao INP, onde consta o ano, profundidade, litologia da amostra, se contém areia ou argila, as análises e os resultados que tiverem sido colhidos.
Segundo Calisto Nhatuguês, director do Centro de Dados do INP, naquele espaço estão guardados exemplares de carrotes extraídos num cumprimento de um metro na zona do reservatório, e em pontos distintos há outro tipo de amostras denominadas calhas (que estão divididas entre lavadas e não lavadas).
“Assim, com base nestas amostras ficamos a saber que numa profundidade de, por exemplo, 1200 metros é possível encontrar um reservatório de gás ou de petróleo, por isso recolhemos e fazemos a amostragem que é para se estudar minuciosamente em laboratório as respectivas características”, disse.
domingoapurou ainda que os carrotes e calhas podem ser usados para efeitos de estudo sempre que for necessário e não tem um prazo de validade. “As amostras podem ficar durante anos, só precisamos instalar um sistema de frio no armazém para evitar a sua deterioração. As mais recentes são da Bacia do Rovuma, onde os primeiros furos foram abertos em 2010 e estas foram colhidas pelas companhias Anadarko e ENI”, destacou Calisto.
A nossa Reportagem apurou igualmente que a legislação moçambicana obriga as companhias a deixarem parte das amostras no país e a outra é usada por elas para fazer novas análises. “Temos que ter uma cópia. A título de exemplo, se uma empresa consegue tirar apenas um carrote dividimos ao meio para podermos ter o nosso acervo de dados que nos vai permitir fazer as nossas análises”.
Calisto Nhatuguês sublinhou que apesar do Armazém de Carrotes estar ainda em processo de montagem está aberto ao público, porém, mediante pedido formal de realização da visita ao espaço. Consta que até ao momento os visitantes são pessoas ligadas à indústria petrolífera e de gás “e o número ainda é reduzido porque o armazém não é conhecido pelas universidades, institutos e escolas.
Enquanto isso, os gestores daquele empreendimento afirmam que procuram investir nos apetrechos em falta, com particular destaque para o sistema de frio que vai ajudar a manter as amostras por mais tempo, para além de se colocar mesas para uma melhor visualização das amostras.
Aquele armazém é o primeiro a ser erguido no país pelo Instituto Nacional de Petróleos que, como entidade reguladora, é responsável pela gestão das provas e de todos os dados decorrentes das actividades de pesquisa de petróleo e gás.
De referir que desde que iniciou a pesquisa de petróleo e gás na década 60, foram feitas mais pesquisas na Bacia de Moçambique, totalizando 147 furos, contra 65 furos da Bacia do Rovuma, onde as buscas arrancaram em 2010. “Esperamos que sejam abertos mais furos em resultado do quinto concurso lançado no ano passado”, disse Calisto Nhatuguês.
LABORATÓRIO DE PESQUISA
domingo apurou que, até o momento, todos os estudos das amostras colhidas no país são feitas fora de Moçambique, isto porque a nível nacional ainda não existe nenhum laboratório especializado para o efeito, pelo que o Instituto Nacional de Petróleos está a montar, naquele mesmo espaço,um laboratório de pesquisa.
Entre outros, já existe uma máquina de scanner específico para amostras e que permite fazer leituras, nomeadamente da composição em termos mineralógicos “para sabermos se há ocorrência ou não de petróleo e gás a que se seguem exames químicos”, aludiu Calisto.
Para além do scanner, também já foi adquirido um microscópio para as leituras afins. No laboratório também serão analisados pirólises que servem para determinar o conteúdo total da matéria orgânica existente nos carrotes e nas calhas, entretanto, a máquina ainda não foi adquirida.
Calisto afirmou que a aquisição deste equipamento é crucial porque serve para fazer lâminas delgadas usadas para espalhar as amostras que depois são levadas para o microscópio para ver o tipo de minerais existentes na rocha.
Para a aquisição do equipamento existente, o INP tem trabalhado em cooperação com as companhias petrolíferas que assinam contratos no país no âmbito do apoio institucional.“Quando o laboratório estiver concluído esperamos receber pedidos de testes das empresas petrolíferas e daqueles estudantes que escrevem as suas teses”.
Depois de se montar o laboratório, o pessoal que será afecto àquela entidade será capacitado com vista a prestar serviços de qualidade, de tal modo que as companhias confiem nos resultados que possam advir dessas análises. “Os estudos podem ajudar a rentabilizar o espaço porque além de ser apenas o INP a usar as instalações podemos vender alguns serviços a pessoas e instituições interessadas. Isso pode ajudar a capitalizar as nossas instalações”.



