O ministro da Agricultura e Segurança Alimentar, José Pacheco, disse durante o segundo Encontro do Comité Nacional de Direcção do Programa Objectivos de Desenvolvimento do Milénio que apesar dos resultados alcançados no âmbito da implementação deste programa que ainda há um longo caminho a percorrer, principalmente no que concerne à redução da desnutrição crónica e a fome.
domingo apurou que a desnutrição crónica em Moçambique atinge a cerca de 43 por cento de crianças com idades compreendidas entre zero e cinco anos de idade e 18 por cento destas crianças têm peso abaixo do normal. Aliás, é um problema que também tem afectado mulheres grávidas, em idade produtiva e jovens, daí que é considerado prioritário na área de saúde pública.
“Uma das saídas para se ultrapassar este problema é apostar na irrigação e na produção em estufas, como forma de contrariar as intempéries naturais. Para além disso, é preciso levar o conhecimento para as populações, com destaque para as que residem nas zonas rurais, de modo a permitir que participem dos nossos programas”, disse Pacheco.
Para tal, o Governo moçambicano vai trabalhar com vista a transformar a agricultura de subsistência numa agricultura orientada ao mercado através do aumento da produção e da produtividade, pois só assim é que a alimentação condigna deixará de ser um privilégio. “É um direito humano básico que assiste a todos os moçambicanos”, frisou.
Por seu turno, o embaixador da União Europeia, Sven Burgsdorff, disse que aquela agremiação reconhece os desafios relacionados com a abordagem multissectorial necessários para melhorar a segurança alimentar e nutricional em Moçambique.
Aquele programa já realizou diversas intervenções em áreas relacionadas com a disponibilidade de alimentos, acesso a mercados e quantidade nutricional de alimentos, assim como apoiou a criação de sistemas de informação sobre segurança alimentar.
“Muitas abordagens são inovadoras, a título de exemplo desenvolvemos um sistema de e-voichers que permite, ao mesmo tempo, fomentar o uso de insumos e estimular o sector privado na sua distribuição através das novas tecnologias”, destacou.
Num outro momento, José Pacheco recordou que a União Europeia decidiu financiar uma nova iniciativa estimada em 67,3 milhões de euros que visava melhorar a implementação dos Objectivos do Desenvolvimento do Milénio em Moçambique com vista a reduzir para metade o número de pessoas que padeciam de fome entre 1990 e 2015.
“É um facto que alcançámos as metas previstas para 2015. No entanto, foram traçadas outras no âmbito das metas do Objectivo de Desenvolvimento Sustentável que termina em 2018, onde algumas das primeiras metas definidas continuam válidas para o combate à fome de forma efectiva e sustentável”.
Pacheco reconhece que o caminho percorrido desde o lançamento do programa foi longo e complexo. Entretanto, a avaliação intermédia feita em 2015 teve um papel importante para redireccionar os esforços do programa e dar um rumo para melhorar o desempenho, o que resultou no alcance de resultados positivos em algumas componentes e foram reestruturados para que possam ser mais abrangentes.
Entretanto, em 2016 o país voltou a sofrer o efeito dos desastres naturais e mais uma vez o programa esteve em altura de contrariar os efeitos da seca na região Sul e parte da zona Centro e inundações na zona Norte através da componente de apoio de emergência para as famílias carenciadas.
“Ainda dentro da mesma flexibilidade com a contribuição financeira das três agências de implementação, nomeadamente a FAO, FIDA e o Programa Mundial de Alimentação foi possível incrementar o nível de financiamento e expandir o foco geográfico para outras províncias inicialmente não contempladas como são os casos de Inhambane, Gaza, cidade e província de Maputo”, recordou.
domingoapurou que o MASA bem como os parceiros de cooperação estão a desenhar soluções com vista a acelerar o alcance das metas para ultrapassar os possíveis constrangimentos e enfrentar os desafios prevalecentes. “Esta estratégia vai possibilitar desenhar para os próximos passos na base de parceria inteligente onde os nossos parceiros de cooperação e desenvolvimento, incluindo a União Europeia jogam um papel importante”, concluiu.



