
Segundo Lourenço Sambo, director-geral da Agência para a Promoção de Investimentos e Exportações (APIEX), o modelo determinado em sede de Conselho de Ministros implica a identificação de um parceiro estratégico com a musculatura financeira necessária para investir em infra-estruturas modernas e à altura dos diferentes eventos que deverão ser realizados neste espaço.
“Estamos a elaborar os termos de referência para depois seguir a produção do caderno de encargos e posterior lançamento do concurso público. Estamos a seguir todos os passos com a necessária cautela porque o entendimento é de que, desta vez, nada pode falhar como aconteceu no passado”, disse.
A fonte referiu que enquanto se aguarda pela conclusão do processo, a APIEX, entidade que presentemente gere a FACIM, tem estado a ser “assediada” por diferentes entidades privadas, entre nacionais e estrangeiras interessadas em gerir o recinto e serem organizadores da feira.
Entretanto, Sambo diz que tais “namoros” não passam disso, uma vez que a determinação do Governo é de que o espaço deve ser entregue a quem demonstre real capacidade de o tornar sustentável, produzir resultados com impacto na economia “e não somente encher os bolsos”.
Sambo explicou que no quadro das aproximações que têm estado a ser feitas por diferentes grupos empresariais, durante a semana que hoje inicia, está previsto um encontro com um grupo sul-africano que deu indicações de possuir um extenso currículo no que concerne à construção de centros de convenções.
Segundo a orientação dada pelo Conselho de Ministros, a sustentabilidade da FACIM deverá ser encontrada através da exploração efectiva do recinto que hoje é usado para exposições e das áreas adjacentes através da construção de infra-estruturas como centro de convenções, hotéis e restaurantes, cujo desenho está igualmente na forja.
“Houve alguns planos de construção de empreendimentos feitos no tempo da gestão da Sociedade de Gestão de Feiras e Congressos (SOGEX), quando a FACIM era realizada na baixa da cidade de Maputo, e outros elaborados num passado mais recente pelo Instituto para a Promoção de Exportações (IPEX). Estamos a redesenhar tudo isso”, sublinhou.
Com efeito, pouco antes da transferência da FACIM da baixa de Maputo para Marracuene, a gestão da época indicava que o recinto beneficiaria de obras de construção de um pavilhão multiuso, entre outros, cuja maquete foi apresentada à imprensa, mas o projecto acabou não sendo concretizado.
Já em Ricatlha, no distrito de Marracuene, o extinto IPEX tornou público que as tendas que até ao momento acolhem as feiras seriam instalações transitórias, mas os planos de construção de infra-estruturas definitivas “não saíram do papel”.
Enquanto se espera, Lourenço Sambo também fez saber que já há um entendimento de parceria entre o APIEX e o Instituto Nacional de Estatística (INE) para o aproveitamento de parte da vasta área pertencente à FACIM para a construção de um “bunker” de dados estratégicos.
“Inclusive já existem fundos para o INE construir o seu centro de preservação de dados e, neste mesmo espaço, serão criados escritórios para acomodar os diferentes serviços administrativos e de apoio que servem para a organização da feira e que estão espalhados pelo actual recinto”, anunciou.
PRIMEIRA FEIRA DA APIEX
Enquanto decorrem os preparativos para a concessão da FACIM a gestores privados, a APIEX começa a fazer o balanço da 53.ª edição que foi inaugurada, segunda-feira, pelo Chefe de Estado, Filipe Nyusi, e que contou ainda com a visita do Primeiro-ministro, Carlos Agostinho do Rosário, na manhã de ontem.
O certame que hoje termina contou com a participação de 26 países, 540 empresas estrangeiras e 1490 expositores nacionais, os quais receberam do Presidente da República garantias de melhoramento contínuo do ambiente de negócios no país.
Segundo Filipe Nyusi, “o nosso compromisso inclui, ainda, a promoção da industrialização, orientada para a modernização da nossa economia, aumento das exportações, bem como a cadeia de valor dos produtos primários nacionais, assegurando a integração do conteúdo local”.



