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CAÇA FURTIVA: Descobertas 500 armadilhas na Reserva de Maputo

Por admin
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Fiscais da Reserva Especial de Maputo (REM) descobriram e desmantelaram cerca de 500 armadilhas que tinham sido implantadas ao longo deste ano por caçadores furtivos em diferentes pontos daquela área de protecção total de flora e fauna. No lugar de armadilhas, os bandos de caçadores furtivos começam a recorrer a armas de fogo de fabrico caseiro.

O desmantelamento das armadilhas tem estado a ser levada a cabo pelos fiscais da REM no quadro dos esforços da administração daquela reserva para proteger as diferentes espécies de fauna ali existentes, parte das quais introduzidas recentemente no quadro da cooperação com as autoridades ligadas à conservação da África do Sul.

Ao contrário de outras áreas como o Parque Nacional do Limpopo, localizado na província de Gaza, onde a caça furtiva está orientada para o abate de rinocerontes, na REM aquelas acções visam animais como o chango, cabritos cinzento e vermelho, zebras, boi-cavalo, entre outros.

Apesar de esta área ser habitada por mais de 450 elefantes, a administração da REM afirma que a procura pelo marfim não tem sido registada nos últimos anos. “Acreditamos que a caça daqueles animais é praticada por caçadores que residem aqui no distrito, os quais ainda não perceberam o conceito de conservação e que também sofrem alguma pressão exercida por clientes provenientes da cidade de Maputo”, disse Armando Nguenha, administrador da REM.

O que começa a constituir preocupação para as autoridades gestoras da reserva é o facto de estar a começar a registar-se um numero crescente de casos de acções de caça com recurso a armas de fogo de fabrico caseiro, armas com aplicações de silenciadores, entre outros.

O recurso a estes instrumentos letais está a dar origem a confrontos intensos com entre os fiscais e os caçadores, sobretudo porque há um notório aumento das actividades de fiscalização que inviabilizam a caça furtiva.

Armando Nguenha revelou ainda que recentemente, os guardas daquela reserva, com a ajuda de elementos da comunidade, capturaram quatro caçadores furtivos, alguns destes na posse de carcaças de animais, e a frustração de seis casos que culminaram com a fuga dos furtivos.

Mesmo assim, as autoridades da Reserva Especial consideram que os níveis da caça furtiva baixaram nos últimos tempos, naquele centro. “No entanto, não estão relaxamos porque ainda há focos da acção desses caçadores”, disse.

O outro tipo de armamento que preocupa as autoridades são as armadilhas, pois entende-se que estas são armas silenciosas, e que podem ficar montadas num determinado lugar por muito tempo sem que ninguém descobra.

Este tipo de armamento pode capturar, não só os animais da Reserva, assim como as crias dos animais domésticos da comunidade local que por vezes circunvagam pelo interior da reserva a procura de pasto. Aliás, ainda este ano já foram encontrados animais como bois e cabritos mortos por este armamento.

Já realizamos acções de sensibilização junto das comunidades para que saibam que devem denunciar o porte ilegal de armas de fogo e que estamos preocupados com o uso das armadilhas porque as vezes os proprietários esquecem-se de onde montaram”, frisou.

Num outro desenvolvimento, Nguenha disse que a sua direcção está a estudar um outro mecanismo para a partir do próximo ano, 2017, incentivar os seus colaboradores, moradores das comunidades que cercam a reserva. O estímulo consistirá na distribuição de recargas de telefones móveis uma vez por mês.

"Terão o direito de crédito os colaboradores que prestarem mais informações credíveis sobre a circulação de caçadores furtivos. Já identificamos as pessoas com quem vamos manter contacto regular com a promessa de sigilo”, disse.

RECEBIDOS

30 HIPOPOTAMOS

Enquanto por um lado se combate com cada vez maior ímpeto a caça furtiva, a Reserva Especial de Maputo está a esboçar um plano para reforçar a sua população animal, acto que deverá no presente mês, Setembro com a chegada de 30 hipopótamos e 300 impalas vindos de uma das reservas da África do Sul, para além de 200 pivas e 50 facoceros do Parque Nacional da Gorongosa.

Armando Guenha afirma que a Reserva precisa ainda de reforçar a capacidade de algumas espécies, como é o caso de impala, zebra, boi cavalo. Actualmente habitam naquele recinto 300 impalas, 400 zebras e 200 boi cavalo e mais de 450 elefantes, entre outros animais de pequeno porte.

Neste momento não precisamos de elefantes e hipopótamos porque já ultrapassamos a nossa capacidade de carga de elefantes, que é estimada em 400 animais e temos 200 hipopótamos, mas este número não é oficial porque quando sobrevoamos para fazer a contagem alguns destes escondem-se na água. Agora precisamos de cerca de duas mil impalas, entre 1500 a 3000 zebras e dois mil bois cavalo, disse.

O repovoamento da REM tem em vista estimular a reprodução e aumentar a quantidade de animais, para além de reunir mais condições que possam atrair os turistas cuja presença tende a aumentar a cada ano que passa. Por exemplo, no último mês de Dezembro, de 2015, cerca de 800 turistas visitaram a área. Acredita-se que este ano, 2016, o número pode aumentar.

Para o efeito, para além de trazer mais animais, há um plano de melhoramento das vias de acesso de forma a permitir a circulação de qualquer tipo de viatura. Há muita gente que quer visitar, mas que não consegue por causa das vias de acesso”, disse.

Entretanto, já está em actividade desde princípios do presente ano, o Lodge Chemucane que, numa primeira fase funciona com 12 camas e, dependendo dos resultados desta fase, poderá aumentar este número para 24 ou 48 camas. O mesmo é único que está a operar, mas ainda decorrem as obras de construção do Mili-Bangalala que se perspectiva que poderá ter 120 camas.

MELHORAR

A SEGURANÇA

As autoridades da Reserva entendem que há necessidade de reforçar a segurança com recursos humanos e meios materiais com destaque para viaturas e meios de comunicação pois, até ao momento, só existem naquela imensa área de conservação duas viaturas, sendo uma para a distribuição das equipas e a outra para atender o pedido de socorro das comunidades, no caso de haver o conflito homem/animal.

Para reforçar o sistema de patrulha são necessárias, no mínimo, quatro viaturas, uma vez que a área é grande e conta com conta com seis postos fixos, montados em pontos estratégicos. “O actual modelo de patrulha não garante a segurança dos fiscais, pois fazem-no a pé, num raio que varia entre cinco a seis quilómetros, depois voltam para o posto. Acredita-se que com as viaturas, enquanto alguns fiscalizam, outros estarão nos postos fixos”.

Contudo, a nossa fonte anunciou que nos próximos tempos terão o sistema de comunicação via rádio digital, o qual poderá facilitar a localização dos fiscais que estiverem a interagir com a base.

Texto de Abibo Selemane
abibo.selemane@snoticias.co.mz

Fotos de Jerónimo Muianga

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