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COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA: Toneladas de cereais vendidas ao desbarato

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Por Jorge Rungo

jrungo@gmail.com

• Estrangeiros esfregam as mãos de contentamento e o país perde muito dinheiro

Milhares de toneladas de milho, feijões, girassol, gergelim e soja estão a ser vendidos “a preço de banana” no interior da província da Zambézia, num negócio que prejudica por completo aos produtores. O negócio é dirigido por intermediários que se aproveitam da inexistência de vias de acesso e desorganização dos comerciantes nacionais para fazerem das suas. O quilograma de milho chega a ser vendido a três (3) meticais.

São toneladas e mais toneladas de cereais que são escoadas das zonas de produção de todo o interior da província de Zambézia para outros pontos de dentro e fora do país a preços de oferta. Por exemplo, nos postos de travessia de Melosa e Mambucha, assim como no Posto Fiscal de Solija, situados no distrito de Milange, os compradores malawianos adquirem o milho nacional a três (3) meticais por quilograma.

A mesma quantidade deste cereal é vendida entre 10 e 15 meticais pelos camponeses dos distritos de Muecate e Liupo, na província de Nampula, os quais até ficaram espantados quando lhes dissemos que os seus colegas da Zambézia vendem aquele produto a três meticais.

O que torna difícil a negociação entre os produtores nacionais e aqueles compradores é a inexistência de estradas que tornem fácil a circulação de viaturas de qualquer tipo e tamanho, o que faz com que as mercadorias sejam transportadas de minuto a minuto em motorizadas, bicicletas ou a pé. Em alguns casos, também são usadas canoas.

A nossa Reportagem percorreu os cerca de 200 quilómetros que separam as vilas autárquicas de Guruè e Milange, em cerca de seis horas de solavancos, poeira, travessias de riachos, entre outros, cruzando com um escasso punhado de compradores que se aventuravam por ali.Apesar de ainda estarmos no tempo seco, as marcas da destruição causada pelas chuvas passadas continuam bem patentes no piso, havendo lugares onde fica evidente que seria um atrevimento tentar atravessar, mesmo sendo automobilista tarimbado e com a melhor das viaturas com tracção.

 

Já no interior do distrito de Milange, o curto percurso que vai do Posto de Travessia de Melosa até à vila sede de Milange, com cerca de 20 quilómetros, a estrada é simplesmente atroz. Não se anda.

Outra prova de que é difícil fazer a comercialização naquelas bandas pode ser vista na estrada que liga os distritos de Milange e Mocuba. Duas empresas foram contratadas para construírem a via mas, como um mal nunca vem só, uma delas entendeu sumir do mapa deixando para trás cerca de 50 quilómetros por fazer.

Sem movimento de compradores do lado de cá, os camponeses daquelas regiões ficam praticamente à mercê dos vizinhos malawianos que oferecem o valor mais ínfimo possível pelo quilograma de milho. Perante este quadro em que ou vendem à bagatela, ou assistem aos produtos a deteriorarem, aqueles agricultores optam por entregar a mercadoria.

O vice-ministro da Indústria e Comércio, Ragendra de Sousa, foi pessoalmente àqueles locais e fez questão de fazer os cálculos cambiais do kwacha (moeda malawiana) para o metical. Um metical está para 85 kwachas e os malawianos pagam 255 kwachas por cada quilo (3 meticais).

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