
O Projecto de Desenvolvimento de Cadeias de Valor nos Corredores do Maputo e Limpopo (ProSul) está a promover a produção agrícola em estufas, também conhecidas por telas agrícolas ou sombrites que vão assegurar o cultivo de hortícolas durante todo o ano. A medida faz parte dos esforços que visam a redução de importação de alimentos. Dado o sucesso até aqui alcançado, projecta-se a montagem de 28 estufas nas províncias de Maputo e Gaza.
Dados em nosso poder indicam que a iniciativa visa melhorar a renda de mais de 20 mil famílias, na sua maioria compostas por pequenos produtores, a partir do incremento dos volumes de produção, produtividade e melhoria da qualidade em três cadeias de valor, nomeadamente horticultura, mandioca e carnes vermelhas.
A nossa Reportagem apurou que o projecto, que vai ser implementado até 2020, irá abranger 19 distritos das províncias de Maputo, Gaza e Inhambane, e conta com um orçamento de cerca de 45 milhões de dólares americanos, disponibilizadospelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA).
Para além, do FIDA, contribuem para esta acção entidades como o Fundo Fiduciário do Governo Espanhol e pelo Programa de Adaptação de Agricultura Familiar (ASAP), mas o projecto é do governo moçambicano que está a ser realizado pelo Ministério da Agricultura e Segurança Alimentar (MASA) através do Centro de Promoção da Agricultura (CEPAGRI).
Para o caso da horticultura, o Prosul tem estado a apostar na introdução tecnologias de fácil assimilação e implementação por parte dos camponeses e, segundo Daniel Mate, nesta primeira fase foram estabelecidas quatro estufas de produção na província de Maputo, sendo três no Regadio de Mafuiane, no distrito de Namaacha, e uma estufa no regadio de Manguiza, no distrito de Boane.
Mate conta ainda que cada estufa serve também como unidade de transferência de tecnologias e de aprendizagem em aspectos de planeamento e gestão de negócios que tem a finalidade de dotar os produtores de técnicas de negociação no acto da comercialização.
As quatro redes de sombreamento montadas na província de Maputo funcionam como recintos de demonstração e estão a beneficiar 105 produtores que colheram até ao momento 2.2 toneladas de pimento e 5.7 toneladas de pepino que têm sido colocados em alguns supermercados da cidade e província de Maputo.
Com estas colheitas, os agricultores já amealharam cerca de 285 mil meticais que devem ser usados como fundo de base para a contratação de linhas de financiamento bancário ou até mesmo para a manutenção das infra-estruturas, uma vez que estas têm um tempo de vida útil estimado em cinco anos. 
Como forma de maximizar a produção nestas condições, que ainda constituem novidade para os produtores moçambicanos, a Prosul projecta estabelecer 28 estufas, dos quais 17 para a produção e 11 para produção de plântulas (plantas recém-nascidas) nas províncias de Maputo e Gaza.
Por outro lado, ainda na área de horticultura, o programa está a reabilitar cerca de 410 hectares de regadios, dos quais 390 hectares estão no distrito de Mandlakazi, em Gaza e os restantes 20 hectares em Boane, na província de Maputo.
Segundo Daniel Mate, de Setembro a Dezembro deste ano, o projecto pretende iniciar as obras de reabilitação dos 164 hectares do Regadio de Mafuiane, localizado no distrito de Namaacha, e 250 hectares nos distritos regadios de Gandlaze e 25 de Setembro, no distrito de Chókwè e regadio de Nhatine no distrito de Guijá, todos na província de Gaza. Com o fim das obras, espera-se que estas venham a beneficiar cerca de cinco mil famílias.
MANDIOCA MELHORADA
No que se refere à produção de Mandioca, a nossa fonte referiu que o Prosul está a disseminar conhecimentos relacionados com a cadeia de mandioca, tendo como base ensinamentos sobre como a produtividade e multiplicação de estaca-semente de variedades melhoradas.
Como resultado disso, foi feita a multiplicação de 50 hectares de estacas de mandioca, uma variedade denominada Chinhembwe. Esta acção beneficiou a um grupo de produtores emergentes e líderes seleccionados e nas Unidades Experimentais do Instituto de Investigação Agrária de Moçambique (IIAM) em Chókwè e Maniquenique, na província de Gaza, e no Posto Agronómico de Nhacoongo, distrito de Inharrime, província de Inhambane.
No quadro desta iniciativa, os camponeses têm sido orientados a se organizarem em grupos para possam participar das sessões de transferência de tecnológica. Até ao momento, foram assistidos cerca de cinco mil pequenos produtores nos distritos de Morrumbene, Zavala, Inharrime, Jangamo, Massinga e Jangamo na província de Inhambane, e distrito de Mandlakazi na província de Gaza.
Além da multiplicação, o programa facilita o estabelecimento de blocos de produção. “Neste momento cerca de 1824 pequenos produtores estão a colher mandioca numa área de cerca de 456 hectares nos distritos mencionados dos quais 649 produtores receberam semente melhorada produzida em mais162 hectares”, disse Daniel Mate.
Além da melhoria da produção e produtividade, o projecto ProSul assiste os produtores na ligação ao mercado, sendo de destacar, a contribuição feita para a construção de uma plataforma de processamento de mandioca no distrito de Zavala.
MITIGAR EFEITOS DA SECA
Daniel Mate falou-nos igualmente dos avanços que o ProSul está a registar no domínio da pecuária, com destaque para a cadeia de valor das carnes vermelhas, onde o projecto já contribuiu com construção de seis furos multifuncionais que servem, tanto para o abeberamento do gado, como das famílias que vivem nas cercanias.
O nosso jornal apurou que três destes furos foram recentemente abertos no distrito de Namaacha e da Manhiça, em Maputo, e outros três foram construídos em Mabalane e em Chicualacuala, na província de Gaza. O impacto imediato destas infra-estruturas é o acesso à água por parte de famílias e de mais de cinco mil cabeças que, de outro modo, estariam sujeitas aos severos efeitos da seca que afecta a região sul do país.
“Devido ao impacto da seca e, por conseguinte, da necessidade de fortalecer as capacidades de adaptação e resiliência das comunidades às mudanças climáticas, o projecto ProSul continua a envidar esforços, estando neste momento em curso a construção seis furos multifuncionais na província de Gaza, dos quais quatro no distrito de Massingir, um no distrito de Chibuto e um no distrito de Chigubo”, disse Daniel Mate.
Ainda neste domínio, está em curso a preparação o lançamento de um concurso público para a contratação de uma empresa que deverá ai construir mais 14 furos em vários distritos das províncias de Gaza, Inhambane e Maputo.
Por outro lado, o programa está a facilitar o acesso à tecnologias de produção de feno para suplementação alimentar do gado. Neste âmbito, foram inseridos cerca de mil criadores em grupos dinamizados para aprender a preparar fardos de feno.
Em 2015, o projecto apoiou na preparação de 832 fardos de feno, com envolvimento de 224 criadores. Neste momento, 1.568 animais estão a beneficiar da suplementação. Devido à seca os criadores têm aderido às acções de capacitação e transferência destas práticas.
A nossa Reportagem apurou que, no âmbito da facilitação da comercialização do gado, o projecto investiu na construção quatro espaços onde devem ser realizadas feiras de comercialização de gado nos distritos de Mabalane e Chicualacuala na província de Gaza e nos distritos de Manhiça e Magude, em Maputo.
“A feira de comercialização de gado é um espaço onde é construída uma infra-estrutura que compreende um curral de entrada dos animais, corredor sobre o qual é estabelecido uma unidade equipado com balanças para pesagem dos animais, currais de saída e uma rampa de carregamento”, disse.
Mate adianta que é neste tipo de feiras onde criadores e compradores se encontram e desenvolvem transacções de venda e compra de animais. Estes certames têm como vantagem a protecção dos criadores que muitas vezes são pressionados a aceitar preços baixos por não dispor de qualquer base de negociação de preço.
Por outro lado, a realização de feiras ajuda a combater roubos de gado porque obriga aos diversos actores para que façam transacções em ambientes públicos e controlados pelas autoridades. “As feiras são locais de interacção entre a Autoridade Veterinária e os criadores e reduz os custos de transacção tanto para criadores assim como criadores e contribuem para o fortalecimento de organizações de produtores”.
Através da iniciativa foi já possível assegurar a venda de 684 animais com cerca de 206 mil quilogramas de peso vivo num total de 74 feiras envolvendo 342 criadores e foram arrecadados cerca de 10 milhões de meticais. Ao longo do presente ano, espera-se que sejam construídas quatro feiras nos distritos de Massingir, Guijá, Chigubo e Chókwè, em Gaza.
Texto de Angelina Mahumane
angelina.mahumane@snoticicas.co.mz



