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Usain Bolt: o relâmpago

Por admin
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Bolt é o atleta mais famoso do mundo. Os amigos de infância, os antigos professores, e ele próprio explicam o que o torna grande. Os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro fizeram dele uma lenda viva do desporto mundial.

A pista onde Usain Bolt corria, quando era aluno na Escola Primária de Waldensia, é um relvado esfarrapado cheio de altos, próximo da estrada que leva à aldeia de Sherwood Content. “Sim, foi onde tudo começou para mim”, diz Bolt. “Era mesmo pequeno mas só pensava em ganhar”.

A escola fica numa coluna por cima da pista -, um edificio em tojolo, com um único andar, não muito diferente do que era quando Bolt lá andou. Embora nessa altura houvesse latrinas e agora haja casas de banho como deve ser, pagas por Bolt – o mais trivial dos muitos actos de beneficiência do atleta de pista mais rico do mundo. O vasto murral pintado ao lado da escola também não estava lá. Mostra Bolt na pose de vitória que se tornou a sua imagem de marca, e que o mundo conhece como “lightining bolt” ) o trelâmpago=, embora Bolt lhe chame “to di world” (para o mundo), inspirado por um movimento de dança jamaicano.

É a pose que ele assumiu quando o planeta acordou para o seu brilhantismo explosivo como corredor de sprint nos Jogos Olimpicos de Pequim de 2008., onde estabeleceu três recordes mundiais nos 100 metros (tornando-se no primeiro homem na história a vencer ambos com recordes mundiais) e na estafeta de 4×100 metros. Também conhecemos o seu feito de Londres, quando se tornou no primeiro atleta da história a ganhar medalhas de ouro em olímpiadas sucessivas nessas mesmas três provas.

“O que eu sempre quis”, diz Bolt, “foi ser grande”.

E o que significa a grandeza?

Ele pensa nisso.

“Para mim, significa ser lembrado. As pessoas falam de desporto a toda hora, e eu quero ser parte dessa conversa, percebe? Quando falam dos grandes é sempre Muhammad Ali, Michael Jordan, Pelé. Eu quero que, quando falam dos grandes, digam Muhammad Ali, Michael Jordam Pelé, Usain Bolt”.

As pessoas não dizem ja isso?

“Sim, mas eu ainda corro. Ainda estou fresco nas suas mentes. Quero que quando me retirar seja tão grande que não me possam esquecer, como nunca se pode esquecer o que Ali e todos esses tipos fizeram. Eles deixaram realmente sua marca na história. É o que quero fazer”.

A estrada que leva à casa de infância de Bolt na paróquia de Trelawny vai dando curvas e afastando-se da linha da costa norte da Jamaica, cheia de sulcos e buracos, atravessando a floresta densa e passando por minifúndios onde se cultiva banana e papaia, bem como pela igreja da Assembleia de Yahweh, até finalmente chegar a Sherwood Content – uma aldeia de pequenos bungalows brancos e barracões de madeira em cores alegres. A casa onde Bolt cresceu, e onde a sua família ainda vive, é a maior da aldeia: dois andares, recentemente modernizados, cum um grande muro, portões abertos, uma viatura todo terreno estacionada em frente.

O pai de Bolt, Wellesley, e a mãe, Jennifer, geriam uma daquelas lojas que vende tudo. Ele tem uma meia-irmã mais velha, Sherine, e um meio-irmão mais novo, Sadiki.

Trelawny produziu um grande número de estrelas de desporto, entre elas Warren Weir, medalha olímpica de bronze, e Veronica Campbell , sete vezes medalhista olímpica. Para explicar isto, diversas teorias foram propostas: heranças genéticas dos tempos da escravatura; um terreno montanhoso; alguma coisa na água que acrescenta nutrientes ao inhame ali cultivado – a teoria favorita de Bolt.

Seja o que for, Bolt tem no em abundância. Todas as escolas primárias no Trelawny se juntavam no liceu William Knibb, em Falmouth, para o dia nacional do desporto. “Podiamso ver aquele rapaz alto – puro talento natural em bruto”, recorda Lorna Thorpe, então chefe do desporto na William Knibb. “O director da altura resolveu dar-lhe uma bolsa, porque não queriam perdê-lo”.

A William Knibb é uma série de edifícos  tipo quartel, pintados num púrpura vivo – a cor da escola. Por cima da entrada, há um sinal com o lema “ignorância é escravatura, conhecimento é liberdade”, e fotos de heróis jamaicanos: Paul Bogle, o diácono batista que no século XIX agitou as massas na defesa de direitos para todos os jamaicanos, o que lhe valeu ser enforcado pelas autoridades britânicas; Alexander Bustamante, o primeiro chefe do Governo após a independência, e… Usain Bolt. “Achamos que, uma vez que é da escola, ele se qualificava”, explica Lorna Jackson, a directora em exercício.

Bolt foi apenas um “estudante mediano”, recorda ela, mas muito popular, quer junto dos funcionários, quer junto dos seus colegas. “Um tipo alegre. Todos gostavam de Usain, Lembro-me duma rapariga no nono ano, havia ali uma certa queda, ela ajudava-o com a escrita. E um dia estavamos a falar de namoradas e namorados e alguém disse que Usain tinha uma namorada numa escola próxima. Eu disse, não escreva mais nada para ele!”.

“Eu tive problemas na escola”, diz Bolt com um sorriso, “mas as pessoas sabiam que eu era mesmo assim, não eram problemas maus, se me compreende. Eu era aquele tipo que as +pessoas sabiam que estava sempre a sorrir”.

Lorna Jackson ensinou espanhol a Bolt. “Na verdade, lembro-me dele a voltar à escola e a dizer às crianças, aprendam espanhol, porque me recordo de Miss Jackson a dizer-me, tu, Usain, hás de andar ai por fora e tens de ter a certeza de que aprendes espanhol. Ele contou-lhes que foi à América do Sul e viu umas raparigas lindas, e percebeu que se tivesse prestado mais atenção às aulas de espanhol conseguiria comunicar melhor”.

Bolt nao tinha nenhum interesse especial em correr. Adorava jogar futebol e criquete, tendo como herói o lançador paquistanês Waqar Younis. “Eu estava tão apaixonado pelo criquete que não queria fazer mais nada. Corrrida era algo que fazia por ser bom nisso. E como ganhava, diziam deves fazer isto”, encolhe os ombros. “Então, está bem…”

Thorpe, a quem Bolt chama a “a minha segunda mãe”, recorda que, quando era altura de treinar, o treinador com frequência tinha de mandar alguém buscar Bolt, o qual se tinha escapado para ir jogar criquete ou futebol. “diziamos sempre, deixa o futebol, homem. Tens uma mina de ouro nas suas pernas”.

Ela recorda quando Bolt tinha 13 anos e participou no campeonato nacional de escolas em Kingston. Ficou num hotel próximo do estádio. “Estava inscrito nas finais dos 200 metros. Quando olhou para o relógio, percebeu que a corrida estava quase a começar. Correu directamente donde estávamos, do outro lado da rua, para o estádio e à linha de largada, e arrancou na corrida. Mas tinha corrido demasiado tempo, e por causa disso não ganhou. Foi a única corrida que uma vez o vi perder”.

Em 2002, com 15 anos, Bolt fez a sua estreia no Campeonato Mundial de juniores em Kingston, Jamaica, onde ganhou os 200 metros, tornando-se o mais jovem vencedor de sempre da medalha de ouro para juniores. No mesmo ano, recebeu o Prémio de Estrela em Ascensão da Associação Internacional de Federações de Atletismo (AIFA).

Ofertas de bolsas desportivas começaram a chover de universidades americanas. “Ainda as tenho na minha gaveta”, diz Thorpe. A América era o destino habitual para jovens atletas jamaicanos, com um resultado habitual: treino a mais, corrida a mais, esgotamento. Mas a Jamaica acabava de abrir o seu próprio centro de treino de alta competição da AIFA. Asafa Powell tinha rejeitado ofertas da América e decidiu ficar na sua terra natal. Bolt tomou a mesma decisão.

“As pessoas disseram, podes ficar mas era melhor se fosses para fora; queriam que fosse para um qualquer país frio, e eu, não, o frio não aguento”, diz com riso. “Na realidade, só queria ficar perto da minha família”.

Descrever-se-ia a si próprio como “menino da mãe”, diz o seu amigo mais antigo, Nugent Walker – NJ, como toda a gente o conhece.

Bolt admite que no princípio da carreira deu o talento por adquirido. Correr era fácil, mas treinar era duro. Na sua estreia olímpica, em 2004, na Grécia, foi eliminado à primeira volta. A imprensa jamaicana desancou o seu menino de ouro por causa da falta de disciplina. “Nos primeios três anos da minha carreira senior foi tipo, quero lá saber – não me interesseva, estava só a correr”, diz ele. Começou a trabalhar com um novo treinador, Glen Mills. “Ele disse, ouve, tens de levar isto a sério. Não podes ser um campeão olímpico e não treinar duro. E eu começei a ouvir e a perceber o que ele dizia. Foi quando começei a estabelecer objectivos e a trabalhar para me tornar o melhor”.

Foi a final dos 100 metros dos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, que o tornou uma estrela à escala global. Vendo o filme da corrida hoje, parece difícil acreditar. Bolt é lento na partida, mas aos 50 metros já alcançou uma clara liderança, e aos 80 encontra-se tão à frenet do pelotão que pode deixar cair os braços, bater no peito e espreitar sobre o ombro para o grupo que o persegue já atrás, como a dizer, “onde é que estão, malta”? Mais do que correr sobre a linha de chegada, ele dança em cima dela. É sem dúvida a maior performance na corrida dos 100 metros em toda a história das olímpiadas. O seu tempo ajustado foi de 9,69 segundos.

No ano seguinte, em Berlim, Bolt correu os 100 metros em 9,58 segundos. Permanece o recorde mundial até hoje.

Por qualquer critério normal, Bolt nem devia ser um sprinter. Com 1,98 metros, é demasiado alto e tem pernas demasiado longas para corrida de curta distância. O dr. Peter Weyand, um fisiologista de topo na Southern Methodist University em Dallas e especialista na ciência do sprint, já o descreveu como “um freak; ele desafia as leis da biologia.

O seu comportamento também é diferente do de qualquer outro atleta. Vejam-se os momentos imediatamente antes de qualquer corrida importante, quando as câmaras da televisão mostram os atletas mais rápidos do mundo, invariavelmente naquela posição macho de agressão tensa, acumulada. E depois há Bolt, mexendo-se no meio da fila como se estivesse a ouvir uma música privada na sua cabeça , atirando beijos à câmera, com os seus dedos a agitar o ar sobre a cabeça e a torcerem-se em forma de uma aranha pendurada numa rede antes de formarem um coração e o lançarem à multidão. Só já com o pé no bloco ele parece concentrar-se, benzendo-se. “A sua família é religiosa”, diz Thorpe, e criaram-no dessa forma” – e apontando com o dedo para cima, como que a dizer, “Eu, Senhor”!

“Estou tão preparado como se pode estar”, diz Bolt. “Quando chegamos à linha de largada, não faz sentido nos preocuparmos mais, portanto tudo o que temos de fazer é relaxar e avançar e executar”. “O meu treinador fala-me em memória muscular: se praticarmos uma coisa, torna-se parte de nós. Simplesmente acontece”. Estala os dedos. “Percebe o que quero dizer? Treina-se a partida, treina-se a corrrida de uma certa maneira, de modo a que quando chegarmos às finais olímpicas tudo o que temos de fazer é estar lá e correr., basicamente. E tudo nos vai surgir. Mas se formos para ali pensar, “preciso fazer isto” ou preocuopados com aquilo – pensar demais nas coisas – começamos a fazer erros”.

“Portanto, para mim, as coisas que faço na linha de largada são as que me fazem relaxar e não pensar na partida, que é o meu problema maior. É a parte mais fraca da minha corrida, por causa da minha altura. É por isso que dizem que pessoas altas nunca fazem os 100 metros. Mas eu trabalhei tão duro nisso que desde que consigo fazer 60 ou 70 porcento já está bem”. Não parece ser importante, digo a brincar. Ele podia dar alguém um avanço de dez metros e ainda o vencia.

Ri-se.

“Depende de quem são os outros….A única coisa que tento dizer a mim mesmo é ouve, ouve, ouve. E quando dizem “pontos”, ouço. Porque quando me puser a pensar noutras coisas, vai correr mal”.

Ele fez uma falsa partida só uma vez e foi desqualifucado. Aconteceu nos 100 metros masculinos nos Campeonatos Mundiais de 2011 na Correia do Sul, quando saiu dos blocos bem antes de a pistola disparar. “E foi porque não estava concentrado, não era eu. A minha mente estava dispersa”.

Tirando isso, diz, não perdeu uma corrida importante nos últimos oito anos. Sugiro que talvez o seu maior inimigo seja a fé na sua própria invencibilidade. “Nunca me vejo dessa maneira”, responde. “Nunca. Porque é uma corrida ‘ tudo pode correr mal. O meu treinador explica-me sempre que estamos ali todos os dias para ganhar mas nunca devemos sentir que não podemos perder. Assim que comerçarmos a pensar assim, alguma coisa vai correr mal. Quer dizer, tenho confiança de que vou ganhar, mas nunca penso ninguém me pode vencer.

Bolt nao é apenas o maior atleta do mundo.Também é o mais universalmete amado. Nao apenas venceu o mundo, mas encantou-o, pela simples virtude de ser ele próprio. Usain, diz o seu agente, Richy Simms, “comporta-se da mesma forma quer haja duas pessoas ou dois milhões a olhar para ele. Gosta genuinamente das pessoas. Se for na rua e vir um grupo de dez miúdos, fica sempre a assinar autógrafos. Gostaria que ele assumisse o crédito de todos seus actos geniais de marketing, mas vem-lhe naturalmete. É um tipo muito directo e simpático”.

Num desporto que anda assombrado por revelações e controvérsia em torno do uso de drogas para aumentar a performance, a integridade de Bolt, o seu carácter sem mancha, assumem um significado monumental. É como se toda a reputação do sprint caisse sobre os seus ombros. Se Usai Bolt perdesse o estado de graça, seria um mau dia para o espírito humano, pensamos. Mas se isto é pressão, ele não mostra. “Para mim não é pressão, sou eu a ser eu. Vou para ali, represento o desporto, represento-me a mim, represento o meu país – e é tudo. Porque fui criado duma determinada maneira. Luta-se pelo que se quer, entendeª .

Bolt diz não ter nenhum problema com Gatlin. “Se eles (a IAAF) dizem que ele pode correr, pode correr. Nao tenho problemas em competir seja com quem for, porque vou lá e trebalho duro, e o que acontece acontece. Desde que a regra diga OK eles correrem, não me posso queixar, porque é a regra”. Mas tem uma visão de Tyson Gay, o sprinter americano que em 2014 acusou esteróides anabolizantes proibidos e foi suspenso durante um ano pela agência antidoping dos Estados Unidos após aceitar cooperar com ela. Gay ficou sem a medalha de prata que tinha ganho nos Jogos Olimpicos de 2012. Ao regressar às pistas, em 2014, disse que se sentiu “recebido de braços abertos”.

Não por Bolt. Gay, notou ele, devia ter sido “corrido do desporto” por doping, e descreveu a decisao de o readmitir como “a coisa mais estúpida que já ouvi”. Hoje afirma: “tem de compreender que me doeu profundamebnte. Era a relação que tunha com ele. Nao era um laço ou qualquer coisa assim, era competitiva. Eu respeitava-o muito como atleta, por causa da forma como corria, da forma como trabalhava. Ao longo dos anos tinha surgido uma rivalidade que foi crescendo, e eu gostava realmente dela. Adoro competição, e ele era o meu maior rival. Quando o encontrava ali, fazia me sentir que tinha de estar sempre no meu máximo, de estar concentrado. Quando soube do escândalo de drogas, pensei, vá lá…”.

Bolt é provavelmente o atleta mais testado do mundo – é feliz por isso. “Não tenho problemas de ser testado, porque é melhor”.

Os atletas são pagos pelas corridas que fazem. “Quando Usain bateu o seu primeiro recorde em 2008”, diz Simms, “e antes de vencer nas Olímpiadas de Pequim, lembro-me de que, quando me sentei com os organizadores do encontro e lhes disse que achava que ele valia, correram-me da sala como se fosse um irlandês louco. Desde essa altura quadruplicámos o preço”.

O grosso dos seus ganhos vem dos patrocinios – ao todo, cerca de uma dúzia de parcerias regionais e globais. Segundo a revista “Forbes”, o seu rendimento anual anda pelos 32,5 milhões de dólares: 2,5 milhões pelas vitórias, 30 milhões pelos patrocínios. Um bocado atrás dos 88 milhões de Cristiano Ronaldo e dos 67,8 milhões de Roger Federer, mas suficiente para tornar Bolt de longe o atleta de pista mais rio do mundo. E isso não incluiu os seus interesses comerciais fora do desporto.

Ele tem mantido o mesmo reduzido grupo de amigos à sua volta ao longo da carreira. NJ, que conhece desde a escola primária – “Acho que tinha medo e resolvi ser amigo do gajo mais alto na aula”, diz com um riso – trata agora dos negócios de Bolt na Jamaica. Com o seu trainador, Mills, está desde 2004, e com Simms desde que tinha 16 anos.

Uma das tarefas iniciais de Simms foi negociar o primeiro acordo profissional de patrocínio de Bolt, com a Puma. Diz muito sobre Bolt que ele tenha estabelecido como condição do contrato que a companhia fornecesse sapatos e equipamento à William Knibb, algo que continua até hoje. “Ninguém disse a Usain para fazer isso”, conta NJ.

Todos concordam que Bolt nunca esqueceu as suas raízes. A sua fundação arranjou um autocarro e computadores para a sua velha escola e construiu um centro de saúde em Sherwood Content. Ele insiste que qualquer anúncio que apareça seja rodado na Jamaica, com uma equipa local. “É bom para o país”, afirma. “A Jamaica mantem-no com os pés no chão”, diz NJ.

Acho que não compreende que é uma celebridade. Uma vez, estávamos em França e ele chegou ao lobby e havia todas estas pessoas lá fora e ele perguntou ao porteiro de quem é que estavam à espera. O porteiro respondeu, estão à sua espera”.

Bolt tem uma namorada, com quem anda há dois anos, “mas não lhe vou dizer quem é”, explica. “Para já, quero manter isso discreto, pois sei que quando se souber haverá uma data de coisas a serem ditas, e ela não vai conseguir lidar. Eu já andei muito nos media. Sei como voçês são – em especial os media britânicos.

Certamente que não!

Ele ri. “Sabe que é verdade!, os tablóides, quero dizer. Esses tipos abriram realmente os meus olhos. Cada cultura é diferente. Reparei que na Grã-Bretanha, assim que uma pessoa fica famosa tem de se casar – tipo, uma regra. E eu acho que não é justo”.

Mas isso é verdade?

“Sim, Rooney casou-se tão novo. Todos os futebolistas ingleses, assim que ficam famosos têem de se casar. Acho que é injusto para eles. Tornas-te famoso, há muita pressão das raparigas que te querem. Se casares aos 21, não viveste um bocadinho. É dificil ficar só cum uma mulher quando as raparigas literalmente se atiram. E depois há as raparigas que os tablóides encorajam a tentar chegar a ti. É injusto para nós, homens – é difícil dizer não, sabes? Portanto, aprendi com voçês. É a expectativa. Se és famoso, tens de ter uma família – é o que é preciso para vender na Grã-Bretanha. Não sei porquê. É respeitabilidade. Mas eu não sou inglês! Sou jamaicano! Temos uma cultura totalmente diferente”.

E como descreveria a cultura jamaicana?

“Somos relaxados. Dançamos. Vivemos as nossa vidas, divertimo-nos. E quando ficamos mais velhos, então é tempo de assentar e ter uma família. Eu quero casar-me. Porque os meus pais são casados, mas sei que não vou casar-me antes dos 35, de certeza”.

Bolt já disse antes que tenciona retirar-se após os campeonatos mundiais de 2017. Fala em parmanecer no atletismo, num lugar de embaixador. “Viajar, encorajar miúdos, continuar a ser parte, duma forma que também ajude a construir o desporto”. Os seus investimentos em imobiliário e outros negócios          que tem na Jamaica, além dos patrocínos em curso, bastarão para o manter rico até ao fim da vida. Simms menciona oportunidades no cinema e na televisão. “E ele sente-se muito confortável em frente à câmara”, diz Simms, rindo. “Usain acha que vai jogar futebol no Manchester United”.

Mick Brown (Telegraph Magazine)

In Expresso

 

 

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