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Sonhos da melhor marcadora do Afrobasket

Por admin
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Sílvia Amadeu Veloso, 17 anos, conquistou o prémio de Melhor Marcadora do Campeonato Africano de Basquetebol terminado semana finda no Egipto, contribuindo de forma decisiva para a conquista da medalha de bronze.

Por consequência, a atleta foi selecionada para o cinco ideal da competição continental. domingo traz a seguir os sentimentos e sonhos da jogadora do Ferroviário da Beira.

Como e onde começou a praticar basquetebol?

Comecei a jogar basquetebol aos dez anos no torneio de minibasque Milleniumbim, na Cidade da Beira, um evento que junta muitas crianças em várias províncias. Sou de Sofala e jogo no Ferroviário da Beira.

Por que escolheu basquetebol?

A minha irmã mais velha, Palmira Veloso, jogou basquetebol e foi uma grande jogadora. Pode ser um espirito da família porque minha mãe também tentou praticar no basquetebol.

Então teve muita sorte, lá em casa não teve dificuldades para praticar desporto?

Houve dificuldades porque os meus encarregados de educação dizem sempre para colocar a escola em primeiro lugar e a prática de basquetebol por vezes atrapalha. mas não é impossível e já estou no primeiro ano da faculdade jogando basquetebol, o importante é a dedicação, querer e saber dividir as coisas.

Em que área está a formar-se?

Estou a fazer gestão de recursos humanos na Universidade Católica de Moçambique.

Pode nos contar em que contexto surge na selecção nacional?

Participei nos Jogos Escolares em representação de Sofala e aos 13 anos fui seleccionada pela primeira vez para representar Moçambique e fomos jogar em Portugal nos Jogos da CPLP e ficamos em quarto lugar. Vim a segunda selecção aos 16 anos num Campeonato Africano realizado em Maputo e conquistamos o terceiro lugar. De Sub 16 tive oportunidade de ir aos Sub 19 quando tinha 16 anos e participei nos Jogos do SCASA, no Zimbabwe, e ficamos em segundo lugar. E agora vim com 17 anos para a selecção Sub 18 e ganhamos a medalha de bronze.

Que avaliação faz da participação de Moçambique no Afrobasket 2016?

Tivemos uma prestação muito positiva porque terminamos no pódio.

O que contribuiu para essa boa prestação?

A federação de basquetebol nos ajudou muito. Mesmo com o pais a travessar dificuldades, beneficiamos dum estagio na África do Sul que nos fortificou bastante e contribuiu para o nosso resultado. No Afrobasket não há equipas fracas. O estagio permitiu não notar-se que aqui em Moçambique não tínhamos competido a sério. Na África do Sul jogamos com equipas fortes.

Esta medalha de bronze terá sido o limite do que podiam conquistar?

Podíamos chegar mais longe, o objectivo era qualificar Moçambique ao Campeonato do Mundo. Esse era o foco, mas não foi desta vez espero que da próxima vamos conseguir. Deu para fazer uma avaliação e voltaremos a saber onde estamos, o que nos vai ajudar a chegar mais longe.

Termina o campeonato integrando o cinco ideal. Como olha para esse seu desempenho individual?

Estou muito feliz, não é fácil fazer parte do cinco ideal de África e ser a melhor marcadora dum campeonato africano. Veja que em Sofala quase não temos competição, então trabalhei muito, muito e muito, por isso que consegui, é trabalhando que as coisas vêm.

Como se define como atleta?

Sou uma atleta que acima de tudo ama o basquetebol, não consigo viver sem jogar, meus encarregados já tentaram impedir por ficar muito tempo fim-de-semana no campo do que a estudar, mas em casa ficava doente e eles perceberam que devo continuar a jogar. No momento, o basquetebol é a minha vida. Jogo a extremo base mas minha posição preferida é extremo.

Quais são os planos para o futuro?

Continuar a trabalhar, o que quero é tentar uma bolsa para estudar fora do país e jogar basquetebol e representar a selecção A, que não é fácil.

Como é que uma menina da Beira, sem competição, surge num Afrobasket e sagra-se melhor marcadora?

O Ferroviário da Beira tem investido muito no basquetebol, leva-nos a campeonatos de seniores para podermos rodar, eu com 16 anos participei num campeonato de seniores, o que é quase impossível em Moçambique. Na Beira já existe basquetebol e o presidente Devis Simango também tem ajudado.

Pode-nos descrever o ambiente do balneário da selecção nacional?

Foi fantástico. Tivemos a melhor equipa técnica, o treinador espanhol Inaq Garcia, o treinador do Ferroviário de Maputo, Leonel Manhique, e Lucília Caetano, nos ajudaram muito. A equipa técnica facilitou o trabalho, foi fantástica e nosso balneário foi muito positivo durante a preparação e no campeonato.

Texto de Custódio Mugabe
custodio.mugabe@snoticicas.co.mz

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