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Obras atrasadas em Nacala

Por admin
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As obras de reabilitação do campo do Desportivo de Nacala, Província de Nampula, estão atrasadas e é quase certo que não se vai jogar o “Moçambola” naquele recinto até o início da segunda volta.

Iniciadas em Fevereiro do ano corrente, as intervenções em curso não animam os adeptos. Aliás, a própria direcção do clube manifesta-se preocupada, pois a evolução dos trabalhos indica que não será no final de Maio e nem sequer em Junho que o campo poderá ser usado.

Volvidos três meses desde que iniciou a obra, os trabalhos continuam centralizados na colocação de betão na vala de drenagem por onde vão escorrer as águas.

Relativamente ao rectângulo de jogo, a relva sintética ainda não está em Nacala, havendo apenas garantia que será trazida da China.

Mesmo as obras de construção de novos balneários, que estão na responsabilidade do clube, estão ainda na fase de construção dos alicerces.

Igualmente, o melhoramento das bancadas, também prometido, ainda não foi começado e nem sequer há certezas da data do início.

A nossa Reportagem visitou há dias aquelas obras e, por coincidência, encontrou os membros da direcção do clube Desportivo, nomeadamente o presidente e vice-presidente, Mahomed Munir e Gimo Mandete, respectivamente, reunidos com os trabalhadores da obra, assim como com um representante do empreiteiro.  

Na conversa que acompanhamos, os intervenientes apenas trocaram acusações, com o empreiteiro a defender que os trabalhadores não são flexíveis no trabalho e, por sua vez, os trabalhadores a responderem que o atraso deve-se a factores relacionados com a falta de cumprimento do acordo entre as partes, nomeadamente o pagamento tardio dos salários mensais, exiguidade do material e equipamento de trabalho, como areia, pedra, entre outros.

Os trabalhadores contaram ao domingo que por várias vezes os trabalhos são interrompidos antes do horário previsto e até há dias em que não há trabalho. “A culpa não é nossa, às vezes estamos aqui e não há material para trabalhar”, acusaram.

Entretanto, a Royal Sociedade, reconhecendo a morosidade do trabalho que está a desenvolver, anunciou que o campo só poderá ser usado na segunda volta do campeonato nacional, o Moçambola, que esta semana roda a sua nona jornada.

E para permitir que isso se efective, ficamos a saber que poderá haver a contratação de mais pessoal para reforçar o existente.

De referir que actualmente aquela empresa trabalha na obra com um total de 80 trabalhadores, de entre pedreiros e ajudantes.

Para a direcção do clube, o aumento da massa laboral pode não trazer resultados desejados neste momento. Para aqueles dirigentes será preciso fazer trabalho com base em metas e prazos, o que permitiria uma melhor monitoria.

Os trabalhadores foram unânimes em afirmar que estão preparados para qualquer desafio na obra, desde que o empreiteiro reúna condições necessárias para o efeito e canalize os subsídios acordados.    

 

ADEPTOS PEDEM CELERIDADE

 

Os adeptos do Desportivo de Nacala não estão actualmente preocupados com o posicionamento da sua equipa no campeonato, mas sim com as obras, pois são milhares que têm vontade de ver a sua equipa jogar em sua própria casa. 

Cansados de viajar para Nampula sempre que a sua equipa recebe adversários, os adeptos, em  conversa com o nosso jornal, mostraram-se agastados com o nível de prossecução dos trabalhos e pedem celeridade.

A preocupação daqueles amantes de futebol do Município de Nacala não é somente pelo facto das longas distâncias que são percorridas todos domingos, mas também dos riscos que são sujeitos durante a viagem, uma vez que o percurso de regresso para Nacala é feito no período nocturno.

Interessados em ver a situação solucionada, a comissão dos sócios do clube decidiu participar nas actividades daquela obra, sem no entanto receber nenhuma remuneração.

O gesto da comissão dos sócios visa essencialmente pressionar o empreiteiro a flexibilizar a empreitada, de forma que até final de Junho a obra seja entregue e os adversários do Desportivo passem a escalar a cidade de Nacala.

O primeiro secretário da Assembleia e sócio mais antigo do clube, Rafael Sebastião Sapatinha, também preocupado com a situação, disse que, para além de se propor a integração dos sócios nas obras, foi sugerir ao empreiteiro que remunere os operários de acordo com o seu desempenho diário.

Eu disse ao empreiteiro para passar a parcelar uma parte que acha que os seus homens podem trabalhar durante o dia. Isso vai permitir os próprios trabalhadores correrem para terminarem o seu trabalho a tempo e ter dinheiro. O pagamento pode ser no final de semana ou mesmo depois de duas semanas, dependendo do acordo entre as partes, referiu.

Temos o nosso empresário que tem nos ajudado bastante no transporte mas também é preciso saber que a pessoa quando viaja, para além de dinheiro da entrada ao campo, tem de ter igualmente dinheiro para comprar as refeições, água, enquanto estiver em Nampula. O que o empresário faz é muito, não podemos exigir mais. Nós também somos obrigados a assumir algumas despesas de alguns membros da direcção.

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