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Nunca quis ser presidente da federação

Por admin
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Mário Chali Tafula nasceu a 18 de Março 1941, no Hospital da Missão Suiça, hoje Hospital Geral de Chamanculo. Viveu sempre a duzentos metros do Grupo Desportivo Beira Mar.

 Em 1961, aos 20 anos, enquanto trabalhador nas oficinas dos Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) foi seccionista do clube João Albasini, o que aborreceu os dirigentes do Beira-Mar que o viam a crescer.

“No segundo ano de estada no Clube Albasini os dirigentes vieram-me buscar à força e atribuíram-me a pasta de segundo secretário de direcção, isso em 1963”, conta Tafula, que de 64 a 66 foi Secretário Geral do clube e de 67 a 70 vice-presidente de direcção.

Tafula viria a ascender à presidente do Grupo Beira – Mar em 1976, cargo que ocupou até 1980. Sob ventos da Revolução, um pouco antes da Independência Nacional (25 de Junho de 1975) o regime colonial substituiu a AFA pela segunda divisão de Lourenço Marques, também porque a ONU ameaçava às autoridades coloniais portuguesas por manter a discriminação no desporto.

As qualidades de dirigente desportivo de Tafula eram muito apreciadas por Freitas Branco, que para além de árbitro de futebol, era dirigente de basquetebol.

“Em 1983 o senhor Freitas Branco veio buscar-me para Federação Moçambicana de Basquetebol, onde fui vice – presidente do Conselho Jurisdicional. Em 1984 Amir Gafur tira-me do basquetebol para a Associação de Futebol da Cidade de Maputo (AFCM), onde entrei como terceiro vice-presidente de direcção. De 86 a 87 sou segundo secretário de direcção e de 88 a 90 Secretário – Geral”.

Em 1991, Ussene Alagy deixa a presidência da AFCM e é substituído por Mário Tafula, função que desempenha com zelo até 1994. Volta a cair nas graças de Amir Gafur, que o tira da AFCM para o Ferroviário de Maputo, onde fica de 95 a 97 a desempenhar o cargo de secretário-geral interino, no tempo do presidente Miguel Matabele.

“É no Ferroviário onde praticamente termina a minha carreira de dirigente. Em 2000, Gafur e Feizal me levaram à Federação Moçambicana de Futebol, na altura de Mário Coluna. Comecei como coordenador do sector de alta competição e passei para chefe de departamento, em 2011. Até agora sou chefe do departamento de alta competição, embora as minhas funções estejam a ser exercidas por outras pessoas”.

Hoje, reformado nos CFM e no desporto, Tafula, pai de três filhos maiores, duas senhoras e um senhor, diz que “ como dirigente fui sempre bem tratado”.

Nunca se sentiu incomodado por colegas, embora admita que “pode ter havido alguns que almejavam a minha categoria”.

Sempre a subir de cargo, era admissível que Mário Tafula um dia fosse candidato a presidente da Federação Moçambicana de Futebol. O que faltou?

“Em nenhum momento ambicionei o cargo de presidente da federação de futebol. Infelizmente, há pessoas na federação que por eu andar sempre gravatado julgam que procuro parecer presidente. Como Feizal Sidat normalmente não aparece gravatado, acham que eu de gravata ofusco-lhe. Desde criança que visto assim. Veja esta foto! Sou eu quando tinha quatro anos. Os meus sapatos sempre foram comprados em lojas de luxo”, assim Tafula esclarece aos que, provavelmente, invejam o seu estilo de vida.

Tafula faz questão de dizer aos mais novos que a AFA (composta por Beira-Mar, Nova Aliança, Munhuanense Azar, Inhambanense, Mahafil, Atlético Mahometano, Zambeziano, Nacional Africano, São José e Gazense) era uma grande universidade de futebol “frequentada por gente de caderneta indígena. Era preciso ter a quarta classe, ser assimilado, ser mulato ou branco para pertencer a Associação de Futebol de Lourenço Marques. A partir da década sessenta já vinham os clubes de Lourenço Marques à busca de talento na AFA. Os campos oficiais da AFA eram do Beira-Mar, vedado de zinco, e do Mahafil.”

Não é escusado que Mário Tafula também se refira dos locais baldios nos bairros que eram “verdadeiras oficinas de jogadores de futebol. O nosso campo estava onde é se localiza a empresa Steia. Havia jogos de aposta em que quem ganhasse recebia uma lata de um litro cheia de castanha, que chamávamos banha de cajú. Mais tarde as apostas passaram a ser em dinheiro, entre bairros. A nossa equipa era da Coca-Cola, que apareceu no país em 1958. Onde hoje está o dumba – nengue da Malanga, era campo da Malanga; onde hoje estão as barracas de Xipamanine, era o campo de Xipamanine; onde hoje é dumba-nengue do Fajardo, era campo de Fajardo.”

Referindo-se ao presente, Tafula diz que “já não temos boa escola de futebol. A última foi o Torneio SOBEC, de Luís Brito. Isto de BEBEC é só para divertir e pôr a passear algumas pessoas”.

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