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Moçambola não estava preparado para receber o Vilankulo FC

Por admin
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Volvidos quatro anos na prova maior do futebol moçambicano, o Vilankulo Futebol Clube desceu de divisão e desapareceu do mapa desportivo nacional. Seu patrono, Yassin Amugy, justifica que o próprio Moçambola não estava preparado para receber aquela colectividade. No entanto, algumas vozes defendem que foi o fim da lavagem de dinheiro que o dirigente vinha fazendo no futebol.

Em entrevista ao domingo, o Presidente do Vilankulo Futebol Clube, Yassin Amugy, nega ter usado o futebol para lavagem de dinheiro e atingido o seu objectivo, razão da retirada da colectividade do mapa do desporto nacional.

Várias correntes do desporto nacional entendem que clubes como Vilankulo FC e Atlético Muçulmano entraram para o futebol com o intuito de fazer lavagem de dinheiro e não propriamente para competir.

Yassin Amugy afirma que quem o conhece sabe que leva uma vida honesta e que é empresário desde os 18 anos de idade, altura em que o pai Sulemane Amugy foi eleito (2005) Presidente do Município daquela vila.

Ele, Yassin, foi “obrigado” a abandonar a escola e começar a labutar para ganhar a vida com suor, honestidade e frontalidade, algo que pode ser atestado naquela vila.

A fonte afirma que no caso do desporto, foi ele quem saiu a perder, pois gastou a riqueza que tinha acumulado ao investir num projecto desportivo que veio a falhar, a ponto de retirar o clube de todas as competições profissionais.

Amugy vai mais longe sugerindo que se estivesse a fazer lavagem de dinheiro continuaria no desporto mediante todas as condições que existem no Moçambola ou, sobretudo, no campeonato provincial, onde os custos são inferiores.

De maneira nenhuma alguém me pode acusar de ter estado a fazer lavagem de dinheiro, porque fui eu quem perdeu dinheiro, mas não estou arrependido, porque apesar do projecto ter falhado ainda tenho sonhos por realizar no meu país, vincou a fonte.

Nas últimas jornadas do “Moçambola” 2013, a colectividade não conseguiu vencer as partidas diante do Matchedje de Maputo, Desportivo de Nacala e Têxtil de Púnguè e consumou-se a descida de divisão.

O presidente do clube ainda alimentava esperança de permanência por via de um protesto. No entanto, a reclamação não procedeu.

Preferi retirar o clube da alta competição, aproveitando a despromoção, porque o nosso regresso ao Moçambola levaria somente um ano, mas voltaríamos a encontrar as mesmas condições que nos fizeram sair, clarificou a fonte.

A maior parte dos atletas daquela colectividade foi absorvida pela ENH de Vilankulo, uma nova formação que disputa o campeonato provincial de Inhambane.

PROJECTO FRACASSADO

Aos 27 anos de idade, Yassin Amugy mostra-se um homem de negócios que investiu numa equipa de futebol com objectivo de colher alguns dividendos desse investimento.

– Não comprei um clube para recriar, fiz um investimento do qual esperava retorno. Apesar do fracasso ninguém me pode retirar o mérito de ter alcançado grandes feitos pela equipa.

Destaca os contratos-programa com a Sasol, para a equipa sénior, e com a Vodacom, para todos escalões de formação e ainda um apoio do Millennium BIM em forma de cartão de crédito.

Segundo a fonte, o primeiro obstáculo que ditou o fracasso do projecto foi a localização geográfica do Vilankulo FC que não ajuda em termos de viagem aérea para todos pontos onde se disputa o Moçambola.

Para a cidade de Maputo são 800 quilómetros, enquanto para a cidade da Beira está acima de 500 quilómetros via terrestre, porque não estava contemplada a viagem de avião.

Infelizmente a situação geográfica não ajudou, por isso a Liga Moçambicana de Futebol nunca conseguiu encontrar uma solução para o nosso problema, portanto, a saída foi retirar o clube da alta competição, disse Amugy.

A direcção viu-se obrigada a fazer outros investimentos não previstos, nomeadamente a aquisição de vitaminas no valor de 700 mil meticais ano para a recuperação dos atletas.

A situação piorou quando passamos a fazer jogos às quartas-feiras, portanto o desgaste passou de quinzenal para semanal. Nessa altura, concluímos que a única solução era arranjarmos um autocarro-hotel com sala de refeições, dormitórios e campo para treinarmos na estrada,ironizou Amugy.

Como investidor concluiu que não havia razão para continuar a gastar dinheiro de forma desnecessária.Optou por recuar para fazer trabalho de base até que as condições estejam criadas para que o clube volte à alta-roda do futebol.

Para que o Vilankulo FC volte ao “Moçambola” não basta resolver a questão das passagens aéreas. A fonte apela para que haja uma definição clara do calendário futebolístico para permitir que os clubes se preparem devidamente.

– Para quem percebe de futebol verificou que o clube resistiu mais tempo do que era suposto, considerando as condições em que viajávamos.

Actualmente o clube não tem nenhuma actividade profissional, apenas movimenta as escolas de formação, com 150 crianças.

Isto significa, segundo Amugy, que o Vilankulo FC somente desapareceu da alta competição e que irá regressar ao “Moçambola” quando as condições estiverem criadas.   

Chiquinho perde casa de praia

Há dois anos Chiquinho Conde protagonizou um contrato sui generis na história do futebol moçambicano, ao assinar por cinco anos mais cinco de opção pelo Vilankulo Futebol Clube.

O referido contrato contemplava, entre outras regalias, a construção de uma vivenda à beira da praia para o treinador na vila turística de Vilankulo.

Dois anos após a celebração desse “casamento”, as partes “divorciaram-se” por mútuo acordo, porque os resultados, sobretudo da última época, não foram satisfatórios.

Tivemos uma cessação de contrato amigável com o treinador Chiquinho, onde as partes cumpriram com aquilo que estava acordado, entre elas a construção de uma casa na zona da praia. Como ele não vive em Vilankulo, paralisamos a obra e convertemos em valor, fechando o compromisso, disse Amugy.

A fonte sublinhou que a porta do clube continua aberta para o treinador, por isso, um dia, Chiquinho Conde poderá voltar a Vilankulo e beneficiar da casa, conforme estava acordado no primeiro contrato. 

Jaime Cumbana

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