O Desportivo de Maputo está em obras de requalificação do seu património visando a sua rentabilidade e auto-sustentabilidade, num processo faseado que vai implicar intervenções em espaços desportivos e administrativos.
As obras decorrem desde o trimestre passado e tem como finalidade aumentar as receitas do clube, numa altura que o histórico emblema não tem um parceiro com capacidade para suportar suas actividades.
No centro social as obras realizadas já atingiram cerca de 70 porcento do previsto. Para além das instalações já existentes, está prevista a construção dum salão de festas.
O pavilhão Lurdes Mutola vai beneficiar-se duma reabilitação nas suas bases, piso, cobertura e iluminação, devendo proporcionar maior conforto aos utentes.
Segundo o projectado, a piscina do clube será redimensionada e passará a ter 2.40 metros de profundidade, 20×25 metros, podendo acolher provas oficiais, diferentemente do que sucede hoje.
Aliás, a piscina do Desportiva está encerrada desde o ano passado e o clube interrompeu a prática da natação. O entulho depositado na bacia que ontem foi piscina suscitou especulações públicas, com gente alegadamente ligada ao clube a acusar a Comissão de Gestão de venda do património.
O domingo, como lhe competia, interpelou Danilo Correia, presidente da Comissão de Gestão, que tratou de clarificar que as obras em curso visam garantir a sustentabilidade do clube e que quem disser o contrário estará a faltar à verdade.
– Não estamos a vender património nenhum e estas obras começaram há algum tempo, as pessoas é que não se aperceberam. Quem vive perto do clube sabe o que está a acontecer.
Danilo Correia observou que as intervenções previstas vão abranger brevemente a piscina “para garantirmos a nossa auto-sustentabilidade e termos uma maior capacidade de captação de receitas. Não estamos a alienar nada”.
– Não há nada de especial. Podem estar a fazer tempestade em copo de água. Infelizmente muitos sócios estão afastados do clube e são levados pela especulação. Os que estão perto sabem o que se passa, até alguns que estão no estrangeiro estão melhor informados da vida do Desportivo. O associativismo é voluntário e não posso obrigar as pessoas a aproximarem-se.
O dirigente “alvi-negro” observou que actualmente não existe um clube em Moçambique que vive da quotização de seus sócios, por isso, é necessário potenciar os activos existentes, desde patrimoniais aos humanos.
– Ampliamos as instalações para o futebol e temos já a academia a funcionar. Vamos ter uma lavandaria do clube. Até acho estranho que falem mal quando estamos a melhorar. Talvez queriam que o clube estivesse a cair em pedaços. Em plena crise encontramos soluções de reconstruir o clube. Repito que não estamos a alienar nada.
Referindo-se especificamente à piscina, Danilo Correia referiu que a intervenção prevista prevê manter a prancha por causa do seu simbolismo, como forma de homenagear todos que praticaram natação no clube.
Lembrou que os sócios têm o direito de interpelar a direcção e questioná-la sobre qualquer acção, “mas em duas assembleias não tivemos quórum porque não se apresentaram e até hoje não conheço as razões”.
– Estamos determinados a fazer coisas bonitas. Os sócios são os donos do clube e têm sido explicados. O clube não é da Comissão de Gestão. Para cumprir com a sua missão de utilidade pública, o clube tem de fazer desporto movimentando modalidades e é isso que estamos a fazer. Se o clube estiver a cair não cumpre a sua função de utilidade pública.
Explicou que o Desportivo vai continuar a formar atletas de futebol, atletismo, basquetebol e outras modalidades. Congratulou-se pelo facto de movimentar actualmente seis especialidades, designadamente futebol, basquetebol, atletismo, hóquei em patins, pesca e ciclismo.
– Depois da pesca e ciclismo, estamos a analisar a introdução das secções de karate ou taekwondo. Estamos a trabalhar em sintonia com os sócios que se aproximam.
Texto de Custódio Mugabe



