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Falta trabalho de base

Por admin
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Na ressaca do afastamento do apuramento Ferroviário de Gaza ao Mocambola-2016, por duas vezes consecutivas, após ter empatado, semana passada, com o Estrela Vermelha de Maputo, em duas mãos, mas com vantagem para os alaranjados de Maputo domingo, conversou com Tomás de Jesus, treinador de futebol em Gaza e crítico do futebol.

 Tomás de Jesus propõe duas soluções viáveis: investimento em camadas inferiores e mudança de atitude dos dirigentes na visão de trabalho transitório a ser feito pelos clubes entre as épocas desportivas. O nosso entrevistado explica-se melhor na conversa que se segue em discurso directo.

O que se deve fazer para Gaza ter mais uma equipa no Mocambola?

Para que Gaza consiga mais uma equipa no Moçambola é necessário que se faça um trabalho de base que envolva dirigentes desportivos e mesmo entidades governamentais em dois sentidos: no enfoque para os escalões superiores e para os escalões inferiores.  

Será que os tais não se envolvem?

Só se envolvem no processo de preparação e quando observam que a equipa já é campeã. Não devia ser assim. Devia ser no início do campeonato. Portanto, nos escalões superiores tinham que adoptar modelos de continuidade transitória duma época para a outra para que não se prejudique o ritmo normal e evolutivo dos atletas.

O que quer dizer concretamente?

Por exemplo, agora que parou a época desportiva, as equipas pararão totalmente. Significa que só em Março ou no mês de Abril é que pensarão em reiniciar as suas actividades. Quer dizer, o próprio Ferroviário que, pelo menos, consegue chegar aos patamares da “poule” não aprende e não consegue ver que esse não é o melhor caminho que deve seguir. Isso torna-se triste!

Qual seria o melhor caminho?

De não voltar a rotina de, sempre no inicio de cada época, procurar-se novos jogadores para preencherem o plantel da equipa. No geral, a partir de Dezembro, as equipas deviam abrir as suas oficinas, dando-se ao tempo de seleccionar os melhores jogadores que fossem locais e não buscar-se sempre jogadores de fora da nossa província.

Significa que os planteis das equipas principais de Gaza continuam a ser alimentados por forasteiros…

Sim, isso ainda é notório. Maior percentagem de jogadores que compõem as nossas principais equipas em Gaza continua vindo de fora, como se não houvesse miúdos capazes entre nós de fazer o que esses fazem. Não pode ser assim! Portanto, é o que eu digo que se, nesta fase transitória entre as épocas, fizesse um trabalho interno de selecção dos jogadores locais, tais défices não se notariam.

Para que isso aconteça, o que se pode fazer?

Que os dirigentes desportivos mudem atitude.

E quanto ao investimento nos escalões inferiores?

Acho que também se podia investir em escalões inferiores dando-se todas as condições necessárias aos miúdos, desde os materiais desportivos, bolas, mecos entre outros equipamentos, tendo em conta que o futebol moderno é bastante exigente. Penso que se pode fazer muito mais para sairmos da situação triste em que nos encontramos. Penso que este tipo de trabalho tinha que ser permanente. Isso épossível, independentemente, dos níveis de pobreza em que nos encontramos. Basta a vontade!

Os escalões inferiores remetem-nos para a Iniciação, Juvenis, Juniores, etc. Por onde nos quer situar?

Volto a repetir, na iniciação esse tipo de trabalho tinha que ser permanente. Contudo, vou fazer um comentário em relação ao nosso campeonato provincial de Juniores que não totalmente suficiente para o apuramento de talentos.

Qual éo comentário?

Éde que o Campeonato de Juniores em Gaza é bastante curto já que só tem quatro ou cinco jornadas, tornando-se impossível que o referido período exija um acompanhamento de talentos necessários para a equipa sénior. No meu ponto de vista, tinha que haver maior competitividade no escalão dos Juniores. A título de exemplo, recentemente, houve a segunda fase em que a minha equipa (o Clube de Gaza) de Juniores teve a oportunidade de participar, porém, as outras equipas não tiveram tal sorte. As que não foram a referida fase, só fizeram entre quatro a seis jogos o que não é bom. Os miúdos precisam de mais competitividade e de mais contacto com a bola, facto que não está a acontecer.

 É possível em Gaza trabalhar-se seriamente em escalões inferiores?

É difícil por que só temos campeonato de Juniores, não temos Juvenis e não temos Escolas de Jogadores. Isso cria um défice na aposta em jogadores locais, quando se tratar de os utilizar em escalões Sénior.

Já que sempre se levanta a questão do dinheiro, como pensa que isso se pode superar?

Realmente essa questão é séria, não se pode fazer desporto sem dinheiro, sobretudo quando se trata de escalões subalternos. Nisto envolve-se o problema de atitude moderada que os nossos dirigentes desportivos devem ter quando se trata de partilhar parcos recursos financeiros que envolvam investimento em escalões iniciais ou inferiores. Esse é que é o problema!

Será que é pertinente a alocação de recursos na iniciação!

Naturalmente, porque o “mister” estará a altura de trabalhar e exigir que todos os miúdos se empenhem e que sejam efectivos, pontuais e criativos. Sem isso, nada feito!

Como conectar clubes aos bairros e escolas para eficaz iniciação?

Ter todo o material desportivo necessário, o resto verifica-se. Isso é muito fácil. Se formos por aí, muita coisa se resolve. Por aídesenvolve-se o desporto em Gaza.

Como evitar a desqualificação do Ferroviário de Gaza no futuro ao Moçambola?

Trabalhar, a partir de agora, para ver quais os jogadores seriam preferíveis para a próxima época. Se possível, antes de fechar a época falar com os jogadores, assegurar que contem com certos jogadores para a época seguinte. Por mim, esta é a oportunidade soberana que o treinador tem de ver quais as lacunas que precisa que sejam superadas, trabalhando para se resolver estes problemas verificados.

Artur Saúde

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