
–Sucessor de Marcelino Macome será eleito no dia 13 de Abril
Joel Matias Libombo e Aníbal Manave perfilam-se para suceder Marcelino Macome no cargo de presidente do Comité Olímpico de Moçambique, cujas eleições estão agendadas para o dia 13 de Abril próximo na cidade de Maputo.
Há sensivelmente duas semanas, o COM anunciou, através de convocatória, a realização duma assembleia geral para a apreciação e aprovação dos relatórios de actividades e contas do período 2013-2015.
Sem constar da agenda, alguns dirigentes federativos entenderam que a assembleia geral teria um outro ponto, nomeadamente a eleição duma nova direcção, atendendo que a actual está em fim de mandato e inicia um novo ciclo olímpico.
Por isso, os dirigentes, insatisfeitos com o desempenho do COM, apressaram-se a anunciar o seu candidato de “consenso”, nomeadamente o antigo ministro da Juventude e Desporto e actualmente professor universitário, Joel Libombo.
No acto do anúncio desta candidatura, um aviso foi lançado à concorrência, designadamente o apoio de onze federações nacionais, o que significa, à partida, que Joel Libombo seria o próximo presidente do COM.
Dizemos seria porque o grupo que propõe Joel Libombo pode ter feito mal as contas, ao considerar federações que na hora da verdade nem sequer terão direito a voto, conforme detalhamos adiante.
A assembleia geral anunciada teve efectivamente lugar na passada quarta-feira em Maputo e aprovou os relatórios de actividades, tendo recomendado para a reunião do dia 13 de Março a apresentação e apreciação dos relatórios de contas, incluindo o exercício de 2016.
Por isso, o magno encontro do dia 13 de Abril terá esses dois pontos: apreciação e aprovação dos relatórios de contas dos anos 2013-2016 e eleição da nova direcção do Comité Olímpico de Moçambique.
MANAVE CANDIDATO
DA CONTINUIDADE
Segunda-feira passada, 13 de Março, dois dias depois do anúncio público do nome de Joel Libombo, no final da tarde, a direcção do Comité Olímpico reuniu-se na sede daquele órgão para eleger o candidato da continuidade.
Na ocasião, Marcelino Macome reiterou a posição anunciada ao longo do ano passado de não se sentir com forças para mais um mandato. Disse que não era régulo, por isso, não iria indicar dentre os membros da sua direcção quem devia ser o seu sucessor.
Abriu espaço para manifestação de interesse dos seus pares. Sala muda por vários minutos, até Aníbal Manave, actual secretário-geral, pedir a palavra para dizer que estava disponível para o desafio.
Macome insistiu questionando se não existia outro interessado no cargo. O mutismo tomou novamente conta da sala. A seguir, os vários componentes da direcção do COM tomaram a palavra para prometer total apoio a Aníbal Manave. Estava encontrada a solução interna para desafiar o grupo externo.
Aníbal Manave está enraizado no desporto nacional e domina os corredores do basquetebol, sua modalidade de eleição, tendo sido praticante e também presidente da federação.
É, à partida, um candidato à altura de tirar sono a Joel Libombo e sua equipa.
Quem vai votar?
Indicámos noutra parte deste trabalho que nem todas as federações desportivas têm direito a escolher o presidente do Comité Olímpico. O voto é exclusivo às federações das modalidades olímpicas inscritas no COM.
Sucede que, no país, várias modalidades olímpicas não estão inscritas no COM e vão mesmo falhar o escrutínio que se avizinha. A concluir os respectivos expedientes para inscrição estão as federações de ginástica, ciclismo e triatlo.
Para já, são doze as federações inscritas no COM com legitimidade para votar, nomeadamente futebol, judo, ténis, boxe, basquetebol, voleibol, atletismo, natação, badminton, andebol, karaté e taekwondo.
A essas federações juntam-se quatro comissões internas do COM com direito a voto. O Comité Olímpico Internacional abre espaços para que os comités olímpicos nacionais criem comissões, as quais têm direito a voto.
No dia 13 de Abril, com o mesmo peso do voto das federações, vão também eleger o presidente do Comité Olímpico a Comissão da Juventude, Comissão Legal, Comissão de Academia e a Comissão da Mulher no Desporto.
Para além destes votantes, há ainda a considerar o voto de Marcelino Macome, que tem a particularidade de ser de qualidade, isto é, com poder de desempatar em caso de igualdade do número de votos.
O vice-presidente do COM, Valige Tauabo, disse ao domingo que “é preciso respeitar a carta olímpica e os estatutos aprovados no nosso país. É preciso lealdade à carta olímpica”.
– Estamos a acompanhar um movimento desportivo de muita qualidade, mas há modalidades que ficaram acomodadas mesmo sabendo que são olímpicas. Portanto, não seguiram os procedimentos e não acompanharam as outras. Algumas não se inscreveram para serem membros do Comité Olímpico, porque não basta ser uma modalidade olímpica. É preciso manifestar o interesse de ser membro da família olímpica.
O dirigente ajuntou que algumas federações de modalidades olímpicas não terão direito a voto na assembleia geral enquanto não preencherem todos os requisitos definidos.
Custódio Mugabe



