
O Conselho Nacional do Desporto (DND) está dividido, quando faltam poucos dias para a eleição dos seus novos corpos directivos, entre os dias 8 e 9 de Julho de 2013, na cidade de Inhambane.
O motivo é a gestão do dinheiro alocado à instituição pelo Governo.
A X sessão da Assembleia – geral ordinária vai eleger uma nova direcção para o quadriénio 2013/2016, numa altura que se registam clivagens internas entre os membros da actual liderança.
Em causa está uma orquestração do afastamento do vice-presidente Cremildo Gonçalves, supostamente programada pelo presidente do órgão, Eugénio Chongo, que para o efeito terá instruído a Federação Desportiva do Ensino Médio e Superior (FEDEEMS) para reivindicar um alegado seu lugar ocupado pelo director da Escola Superior de Ciências do Desporto (ESCIDE), da Universidade Eduardo Mondlane.
O tiro de Chongo, ele que é coronel do exército nacional, e que gosta de se apresentar fardado, mesmo em fóruns meramente desportivos, saiu pela culatra, a avaliar por aquilo que temos vindo a reportar sobre o assunto, que mexe com algumas personalidades do Ministério da Juventude e Desportos (MJD), “bombeiros” de um “incêndio” que pode causar muitos estragos.
ERRO DA FEDEEMS
A Federação Desportiva do Ensino Médio e Superior (FEDEEMS), em nota de 12 de Junho de 2013, solicitou ao Conselho Nacional do Desporto (CND) um suposto seu lugar naquele órgão que estaria a ser ocupado por Cremildo Gonçalves.
A agremiação sustenta que Cremildo Gonçalves foi indicado por Tunisio Camba, na altura presidente daquela federação estudantil, o que não constitui verdade.
Cremildo Gonçalves fora indicado para representar o Desporto do Ensino Médio e Superior, em substituição da Maria de Lurdes Munguambe, pela Universidade Eduardo Mondlane, na pessoa do então reitor Brazão Mazula. Lurdes vinha ocupando o lugar desde a criação do CND, em 1998.
“Desde a sua criação em 2000 a FEDEEMS tem estado envolvida em várias actividades de carácter desportivo tanto a nível nacional como internacional, na altura da criação do Concelho Nacional do Desporto – CND, não estávamos em condições de ocupar o assento pertencente a FEDEEMS por vários motivos, assento esse ocupado pelo Dr. Cremildo Gonçalves por indicação do então presidente” (SIC), lê-se na nota da FEDEEMS assinada pelo seu presidente, Benjamim Pita Manhanga.
“Depois de um encontro com os seus membros, a FEDEEMS deliberou por unanimidade e elegeu o actual presidente, Benjamim Pita Manhanga, para ocupar o assento acima referido”, prossegue a nota.
“Assim, no abrigo do capitulo VII, da Constituição do Conselho Nacional do Desporto, no seu artigo 125, na línea c), vimos por este meio solicitar a Vossa Excelência se digne autorizar a ocupação do assento pertencente e legitimo a FEDEEMS em substituição do Dr. Cremildo Gonçalves que não faz parte desta Federação” (SIC), recomenda a nota.
Como já nos referimos, Cremildo Gonçalves em nenhum momento representou a FEDEEMS no CND, mas sim o Ensino Médio e Superior. O artigo 125, alínea c), citado pela FEDEEMS é do Regulamento da Lei do Desporto quanto a composição do CND e não da constituição deste órgão, como erradamente vem escrito.
A RESPOSTA DE CHONGO
A 10 de Julho de 2013 o CND envia um oficio a Cremildo Gonçalves para lhe comunicar que “recebemos da Federação Desportiva do Ensino Superior – FEDEEMS – a nota 108/FEDEEMS/2013, de 12 de Junho, a qual lhe retira o assento de membro do Conselho Nacional do Desporto em representação desta instituição (FEDEEMS), por razões descritas na referida nota em anexo.”
Na mesma missiva, assinada por Gil Carvalho, jornalista e relator do CND, o grupo de Chongo, parecendo que já não queria Cremildo Gonçalves no CND, concluiu informando que “confrontado os dispositivos legais referenciados, julgamos procedente a solicitação, cabendo à V.Excia. conferenciar com a respectiva federação”.
Desse modo ficava consumado o afastamento de Cremildo Gonçalves do CND, para o alívio de Eugénio Chongo e amigos.
O artigo 125 do Regulamento da Lei do Desporto (composição) começa por dizer que o Conselho Nacional do Desporto é constituído por vinte e nove membros efectivos de variadas proveniências. Assim, no ponto 1) alínea c) estabelece a indicação de três dirigentes no activo, em representação das federações desportivas.
Nesse caso, a FEDEEMS, entanto federação desportiva, vem sendo representada por esses três dirigentes federativos. O mesmo artigo no seu ponto 1) alínea d) estabelece a integração no CND de um representante de cada um dos movimentos desportivos seguintes: Federação para a pessoa portadora de deficiência; União do desporto escolar; Desporto no ensino médio e superior; desporto nas Forças de Defesa e Segurança; Desporto nos locais de trabalho e Imprensa desportiva.
Portanto, Cremildo Gonçalves chega ao CND através do Desporto no ensino médio e superior; Eugénio Chongo através do Desporto nas Forças de Defesa e Segurança e Gil Carvalho através da Imprensa Desportiva.
Todos foram empossados na direcção do CND pelo mais alto representante do Governo no desporto, o ministro da Juventude e Desportos. Sua substituição ou afastamento nunca pode acontecer por vontade de quem já não gosta do outro.
domingoestá na posse de documentação da Universidade Eduardo Mondlane que designa dr. Cremildo Gonçalves para passar a representar as instituições de formação desportiva na composição do CND, ao abrigo do artigo 125, ponto 1, alínea a).
REPUGNÂNCIA DE CREMILDO
A seguir à aprovação de Chongo, Cremildo Gonçalves responde em carta afirmando que “…sou de opinião que este assunto deve ser abordado na Assembleia-geral do Conselho Nacional do Desporto”.
Dia 19 de Julho de 2013 é dirigido um outro oficio a Cremildo Gonçalves, assinado por Caetano Muao da Silva, Secretário Geral interino do CND, intitulada agradecimento, no qual se diz que o presidente do CND, Eugénio Chongo, “agradece a sua opinião de o assunto ser abordado na Assembleia-geral do órgão, mas mesmo assim continua a convidar-lhe para um encontro como sempre foi a vontade dele de forma a clarificar certos aspectos”.
A outra resposta de Cremildo Gonçalves é dirigida a FEDEEMS, destacando que “ observando a lei e o regulamento do desporto nacional, a forma como V.Excias aborda este assunto, sem observância da ética desportiva, deixa muito a desejar”.
De seguidarecomendou: “ pelo acima exposto e a bem das partes, aguardo de V.Excias no mínimo por um pronunciamento de retrato, ética e deontologia desportiva”.
E faz chegar toda a documentação ao antigo presidente da FEDEEMS, Tunisio Camba, para aceitar ou discordar que fora ele a indica-lo para o CND.
E depois de tanto ter questionado porque não estava a ser convocado para Assembleia-geral de Inhambane, eis que Chongo ordena sua convocação. Desse modo, Cremildo Gonçalves ficou a saber que a magna reunião vai analisar e aprovar os relatórios das actividades, de contas de 2012, apresentação do plano de actividades para o ano de 2014; apresentação dos relatórios das actividades dos membros provinciais, Estatuto do CND, revisto pelo Ministério da Juventude e Desportos; informação sobre a proposta do Regulamento de Segurança nos Recintos Desportivos e submissão e aprovação da lista dos membros honorários.
Recandidato-me sem medo
– Coronel Eugénio Chongo
Eugénio Chongo garante ao nosso jornal que se vai recandidatar ao cargo de presidente de direcção do CND para mais um mandato sem temer qualquer concorrência que possa surgir antes ou durante a Assembleia-geral Ordinária de Inhambane.
“Eu recandidato-me sob proposta da maioria dos membros do órgão que presido há quatro anos”, diz Eugénio Chongo, para quem “o mandato terminado foi bom, com um desempenho de noventa e cinco por cento. Fizemos quase tudo. Só não cumprimos aquilo que exigia muito investimento”.
Questionado sobre o ambiente actual vivido no desporto nacional, Chongo diz que “ enquanto haver crice de resultados não pode haver bom ambiente. São as boas práticas e bons resultados em todas as modalidades que criam bom ambiente no desporto, quer a nível de clubes quer a nível de países. Há muito trabalho por ser feito no nosso desporto. Temos que trabalhar muito para reverter o cenário”.
Chongo acrescenta que “também temos pessoas que não entendem muito de associativismo, essas que consideram os clubes, associações e federações como suas propriedades”.
E deixou claro que o CND não entra nos clubes, senão quando se verifica alguma ignorância que fere o associativismo no seu geral. Mesmo assim, só lá vai para dar opinião.
CREMILDO: VAI OU NÃO?
A saúde de CND é boa, no entender de Chongo “sem menosprezar a opinião de uma outra pessoa.”
Entretanto, o ainda vice-presidente do CND, Cremildo Gonçalves, não diz se vai ou não candidatar-se à sucessão de Eugénio Chongo. Mas promete desvendar muita sujeira para salvar o CND das “garras” de Chongo.
Entende ele que durante o mandato que trabalhou no CND sob presidência de Chongo notou que o órgão está a servir a uma única pessoa, que se adianta o subsidio que tem direito, cerca de quinze mil meticais, que se dá por empréstimo dinheiro da instituição sem consentimento dos restantes membros da direcção, que elabora relatórios de contas e planifica actividades sozinho, que viaja sozinho e que admite individualmente amigos para certos serviços do CND.
O que mais inquieta Cremildo Gonçalves é não saber por que Eugénio Chongo o empurra para fora, se não lhe repreende em nada que faz para benefício pessoal.
Não entende porque lhe quer tirar o pão que “Deus” e MJD lhes massa mensalmente, que não difere tanto do presidente para o vive-presidente.
Uma coisa é certa, mesmo que o CND não esteja a fazer nada de concreto para o progresso do desporto nacional, todos seus membros andam satisfeitos por não lhes faltar salário, dai que quem procura empurrar o outro pode ser ele a sair.
E dá para concluir que o dinheiro está a dividir os dirigentes do CND, que realmente devia ser órgão consultivo do Governo, representativo do movimento associativo, com o objectivo de garantir, no quadro geral, a harmonização e acompanhamento do desenvolvimento desportivo, tendo atenção as politicas governamentais no domínio do desporto.
Cabe ao CND as funções de participar em todas as actividades desportivas, dirimir conflitos desportivos, assistir e aconselhar o Governo na realização de grandes eventos, assistir as actividades realizadas nas províncias, participar nas reuniões de planificação do Governo no desporto, dando sugestões de boa politica desportiva e participar nas reuniões do Conselho Superior do Desporto de África, Zona VI, onde é membro de pleno direito.
O mandato do actual elenco terminou em Junho último.
Manuel Meque



