
A cidade de Maputo foi o local de convergência, entre sexta-feira e sábado, de pessoas provenientes de várias partes do país, incluindo estrangeiros, que vinham assistir, ouvir e dançar ao som
do ritmo tropical, pela ocasião da segunda edição do Festival de Zouk.
O Parque dos Continuadores foi o local onde se realizou o festival, em uma edição esperada com muita expectativa, visto escassearem concertos de tal envergadura.
Patrocinado pela empresa de telefonia móvel, Moçambique Celular, o evento é organizado pela Minó dos Santos Produções e tem como objectivo proporcionar um espectáculo diferente e que converge no mesmo palco bandas e intérpretes do Zouk e ritmo tropical.
A banda moçambicana de música tropical, oriunda da província da Zambézia, os Sáldicos, foi eleita para proceder a abertura do espectáculo. E, posicionando-se à dimensão do festival, souberam alegrar e fazer dançar a plateia. Aliás, houve quem disse que até podiam ter tocado a meio do concerto. Mas a agenda já estava traçada e assim aconteceu. Mahel, Valdemiro José, Calisto Ferreira, fazem parte dos que também deram o seu máximo.
O mesmo se pode dizer dos Tabanka Djaz que conhecedores da plateia moçambicana, souberam emprestar um calor diferente. Ludo relembrou aos mais velhos, os bons e saudosos tempos do zouk nas discotecas Mini-Golf, Encatex, Zózó, Xitende, Monte Verde, entre outros lugares onde se emprestava um bom pé de dança. Harry Diboula levantou a plateia ao tocar Tout le monde, o mesmo acontecendo com Eric Brouta, Princess Lover, Ali Angel, Tanya Saint Val e Zouk Machine.
Matias Damásio, o angolano romântico, era comentado por todo parque, principalmente pelas mulheres. E o testemunho se fez presente quando entrou em palco, através do coro que elas faziam. Infelizmente, quando Damásio entrou para o palco muita gente já estava cansada e outros já começavam a traçar o caminho de regresso à casa.
Para o segundo dia do festival, sábado, estavam agendadas as actuações dos Kassav (como figura de cartaz), Nuno Abdul (com a música da menina que agarra o coroa e detrimento do namorado jovem), Ismael, Mito e Dikey, o produtor do momento em Moçambique, Slowl, Júlia Duarte, XS Zouk, Yola Semedo, o cabo-verdiano Johnny Ramos, Timmy, Jorge Neto, Beto Dias, Marízia do Rosário, e Janota.
PROBLEMAS
Uma vez mais não faltaram, para a insatisfação dos espectadores. O espectáculo registou um atraso demasiado, o que é preocupante, visto ser a segunda edição e pressupor um outro nível organizacional em função da sua grandeza. Anunciado para começar às 18h00, o mesmo só arrancou quando eram 21h00. Aliás, os Tambaka Djaz, à hora do início do concerto estavam a fazer teste de som.
Quanto às barracas e outros serviços, estava tudo muito bem organizado. Com a excepção da escuridão que apoquentava os que geriam as barracas. Não tinham corrente eléctrica, restabelecida por volta das 21h00. Um dos exploradores da barraca, falando em nome de tantos outros disse : “Acho que a organização está distrair-se no que diz respeito à organização e coordenação destas actividades. Pagamos para aqui estar. Mas não tivemos energia durante três horas. Como é que iríamos preparar as coisas, gelar e conservar os produtos que trazíamos?”
Confrontada com o facto de a restrição de fornecimento de corrente eléctrica resultar de uma avaria, a exploradora da barraca disse: “ Houve corte de energia na cidade. Estamos cientes disso. Mas os organizadores deviam ter no mínimo dois geradores industriais, para estarem precavidos de qualquer situação. Sabemos que a energia tem oscilado em muitos bairros da cidade de Maputo. E, Sommerchield não escapa. Para além de que eles estão a preparar este espectáculo há um ano. Por isso, não se aceitam erros desta natureza. Pena é o facto de empresas como Mcel poderem desistir ”.
João dos Santos, espectador, falando sobre o concerto disse: “Nós ficamos felizes por puder partilhar estes momentos, pois faltam grandes concertos. O que deve haver é uma rigorosidade, pois a continuarmos com problemas de palmatória como estes, de atrasos, problemas de luz, um dia ficaremos sem espectáculos porque empresas como Mcel que patrocinam não vão querer seu nome associado a fraca capacidade e qualidade organizacional. E compreendo que as empresas patrocinam cumprindo a sua responsabilidade social. Mas se continuarmos assim, vamos perder patrocínio. É importante e pertinente que os produtores sejam organizados e profissionais, contratando pessoas que conhecem este tipo de serviço para garantirmos a continuidade de patrocínio”.
SOM INSUFICIENTE
Houve problemas com o som. Algumas bandas foram felizes ao se fazerem ouvir perfeitamente. Porém, há outras que quase se perdiam nas primeiras filas do palco. Por exemplo, Zouk Machine regulou-o à sua maneira. E pareceu que depois da sua saída, as coisas ficaram complicadas para os outros.
A capacidade do som instalado no Parque dos Continuadores se mostrou insuficiente para a plateia, pelo menos no primeiro dia. Ouvia-se a música muito bem para os que estavam perto do palco. Para os outros que estavam a meio ou distantes, a música não soava da mesma maneira.
SOFRER POR FALTA DE INFORMAÇÃO
Do lado de fora do parque dos Continuadores vivia-se um martírio. Longas filas e cansaço de tanto esperar na fila e não entrar, com o agravante de estar a ouvir os músicos desfilarem. Um jovem disse que estava na fila há muito tempo. Ouviu os Tabanka Djaz quando iam começar a tocar e, estes terminaram sem que ele tivesse conseguido entrar, por a fila ser enorme. Entretanto, do lado da avenida Mártires da Machava, Telecomunicações de Moçambique, haviam dois portões para ingressos praticamente vazios. As pessoas não iam para aqueles acessos, pois não tinham informação. E, o agravante é o facto de o acesso ter sido vedado aos carros através de uma fita, levando as pessoas a pensar que ninguém devia transpor aquela linha.
Contudo, a ideia do festival está lá. E parabéns aos organizadores que à sua medida vão proporcionando momentos ímpares para os moçambicanos. O Parque dos Continuadores foi para além de local para divertir e dançar, espaço para o reencontro de gente que há muito não se via.



