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Não há crise que suplante a escravatura!

Por admin
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A escritora Paulina Chiziane manifestou a sua preocupação face à falta de solidariedade dos africanos e dos moçambicanos, em particular, ao fazerem eco do que apelidou de manobras dos antigos colonizadores que a todo o custo pretendem pôr os povos de joelhos visando a sua recolonização.

Chiziane falava em Maputo no lançamento do seu 13.º livro intitulado “O Canto dos Escravos”, um texto em verso que ela considera um convite ao choro colectivo e ao canto da esperança.

O que inquieta a escritora é que, no caso de Moçambique, por exemplo, parece que os cidadãos deste país não se aperceberam que os escravizadores, que nunca desistiram da sua intenção de subjugar os povos, estão de volta sob várias formas, incluindo regras que impõem visando a manutenção do seu poderio sobre a pátria que mulheres e homens de ontem souberam libertar com muito sacrifício.

“Quando vejo jornalecos a dar eco às várias formas que eles usam para de novo nos subjugarem, a não perceberem que nos querem pôr em luta entre nós e querem que sejamos nós a nos prendermos uns contra os outros e melhor cumprirem com o seu programa de manutenção da sua hegemonia sobre povos divididos, fico sinceramente irritada. Quando sinto que já não há solidariedade entre nós e estamos a cumprir uma agenda estranha aos nossos povos, fico contrariada”,disse a escritora.

Para um salão prenhe dos seus admiradores, a escritora escorreu para a actualidade nacional, que passa pelas dívidas não declaradas e à chamada crise económica, para a seguir desabafar:

“Qual crise, qual quê? Haverá crise maior que aquela por que passaram os nossos antepassados e venceram? Haverá crise maior que a escravatura que foi provocada e sustentada por eles?”

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