
Era uma vez, um jovem músico chamado Ivo Mahel. Cansado de ver e ouvir falar da pirataria e insucesso nas vendas de música, decidiu, há cinco anos, ele próprio, acompanhado de quatro amigos, começar uma campanha de venda dos seus discos. Venderam vinte mil cópias o que deu direito ao prémio Disco de ouro.
Ao editar o décimo segundo álbum intitulado “ Mohamed Ismael”, seu nome oficial, pegou em tantos exemplares e foi à rua. Junto à entrada da Interfranca, Game, Spar e Shoprite da Matola, Nacala, e em alguns estabelecimentos comerciais.
“Ganhei coragem de começar a vender o disco de mão em mão quando morreu Alex Barbosa, pois já não tinha quem promovesse. Os novos produtores aliados a algumas empresas apoiam um certo grupo de músicos. Por isso, decidi vender eu o meu próprio disco. Foi difícil no início, mas depois pegou”, conta Ivo Mahel.
O disco de Mahel foi editado e lançado na editora Diamante Produções, do também músico Dimas. “Estava numa fase de realizar alguns sonhos meus e a venda do disco permitiu a concretização disso. Um desses desejos era o de me formar. Estava a frequentar a Faculdade de Direito e a venda dos discos ajudou-me bastante, pois mesmo com a bolsa de estudos, há sempre coisas por comprar na faculdade”.
Menos habituados ao modelo de venda de discos pelo próprio artista, algumas pessoas ficaram atónitas. “ Quando comecei a vender os discos tive muitos adjectivos humilhantes. Não desisti e as pessoas mudaram e passaram a chamar-me batalhador, lutador, corajoso. Foi preciso ser duro, resistente para enfrentar as pessoas e continuar a vender os discos. Foi uma experiência que valeu a pena”.
Mahel vendia os discos e educava as pessoas. “Este processo não era o de apenas vender os discos. Mas também educar as pessoas para saberem que ao comprar um disco incentivam o artista a trabalhar e a produzir mais. E pude perceber que o moçambicano compra discos. É alegre e tem uma irmandade sem igual. Uma das coisas importantes que retive é que o moçambicano compra. É preciso saber como dirigir-se às pessoas seguindo as normas e formas tradicionais de saudar”.
Durante os processos de venda do disco, Mahel encorajou jovens a desenvolver projectos e auto-emprego. “Foi um momento diferente e de descoberta de vocações. Lembro-me que passei mal por causa do esforço que fazia. O médico mandou-me repousar porque eu não tinha finais de semana livres. Comecei a ter fadiga física e psíquica. Mas depois da recomendação do médico reduzi as horas de trabalho”.



