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LITERATURA: “Caso Mido Macie” retratado em livro

Por admin
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Hélio Filimone, jornalista do notícias, imortalizou o caso Mido Macie, ao lançar  no Conselho Municipal da Cidade de Maputo, o livro “Caso Mido Macie: a história do brutal assassinato do taxista moçambicano pela Polícia Sul-Africana”.

Com  276 páginas, a obra patrocinada pelos Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), retrata os vários episódios vividos durante o julgamento dos polícias sul-africanos

Terceiro obra da sua carreira, Hélio Filimone presta assim uma homenagem ao jovem taxista moçambicano, assassinado pela Polícia sul-africana. Em 2014, ano de estreia na literatura, o jornalista publicou o livro “Juiz Paulino – Caso Cardoso: um marco no sistema judicial moçambicano”, e em 2015 a sua segunda obra intitulada “40 Anos da Polícia: Passado de Glória, Presente de Maturidade e Futuro de Profissionalização”.

O livro “Caso Mido Macie” é prefaciado pelo antigo Presidente da República, Joaquim Chissano, e tem o Posfácio assinado pelo Ministro do Interior, Jaime Basílio Monteiro.

Hélio Filimone afirma que  começou a escrever o livro  em Agosto de 2015, isto quando já se caminhava para o final do julgamento do caso. Na obra vêm reflectidos todos os momentos deste caso, desde a morte do jovem moçambicano, a 26 de Fevereiro de 2013, até a condenação dos oitos agentes da Polícia Sul-Africana implicados no crime, a 11 de Novembro de 2015.

Numa primeira fase são mil exemplares colocados à disposição do público nas versões portuguesa e inglesa. Feito o lançamento em Maputo, em Fevereiro de 2017, será lançada a versão em inglês na África do Sul.

Phakamile Hlubi, jornalista sul– africana que cobriu com Hélio Filimone todas as sessões de julgamento, falou do tema "Experiência na cobertura de casos de violência policial e como incutir uma nova cultura de serviço público a Polícia".  Dan Morema, Director de Investigação da Polícia na Província de Gauteng, na África do Sul, abordou a questão relativa aos “Desvios comportamentais dos agentes da Polícia & Como evitar casos de violência”.

No Prefácio, Joaquim Chissano refere, entre outras coisas, que o assassinato do jovem Mido Macie, nas mãos de oito agentes da polícia sul-africana, foi um acontecimento grave e que chocou o mundo. Pelas circunstâncias em que decorreu, foi um acto que vai contra os princípios universais dos Direitos Humanos, de que são signatários tanto o Estado moçambicano como o sul-africano.

“Mido Macie era um jovem simples, saído de uma família humilde, que escolheu a África do Sul para viver e trabalhar. Era do seu trabalho que buscava o sustento familiar. Era do seu trabalho que mantinha vivo os seus sonhos e de muitos dos que dele dependiam” escreve Joaquim Chissano, sublinhando que o jornalista Hélio Filimone, que seguiu o caso desde o início até ao julgamento e condenação dos agentes das autoridades sul-africanas implicados, decidiu registar esta história em livro, de modo a chamar à atenção à humanidade para a necessidade de se viver num mundo sem violência e em harmonia.

“Hélio Filimone pretende, ainda, reavivar a memória de milhões de moçambicanos e sul-africanos que embora os seus países estejam separados por uma linha de fronteira, eles são dois povos irmãos, sendo por isso dever de cada um deles cimentar essa irmandade” – escreve Chissano no prefácio da obra.

Por seu turno, o Ministro do Interior, Basílio Monteiro, descreve este livro como uma grande reportagem inteligente e bem documentada dos diversos eventos subsequentes à morte daquele jovem. Ao que explicou, o livro procura reconstituir o crime, desde a detenção de Mido Macie, seu arrastamento nas traseiras de uma viatura da Polícia e posterior morte, numa cela.

Através de uma comunicação simples e profundamente ilustrada, a obra reflecte um repúdio geral face à violência expressa no episódio que culminou com a morte do taxista e constitui um apelo à necessidade de humanização da actuação policial” – indica Basílio Monteiro.

Refira-se Mido Macie foi agredido brutalmente pelos oito polícias que depois o algemaram na parte traseira da viatura policial, e o arrastaram por cerca de 400 metros. Foi declarado óbito no dia seguinte, isto depois de severamente espancado nas celas de Daveyton, arredores de Joanesburgo.

 

 

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