
Em 2016, Jimmy Dludlu brindou o público moçambicano com o álbum “In The Groove”, de fino requinte, e conquistou vários prémios a nível nacional e internacional. Foi a cereja no topo do bolo para um artista de raríssima virtuosidade.
Foi a 2 de Setembro que Jimmy Dludlu lançou o “In The Groove”, uma homenagem à música e aos músicos moçambicanos, à filha mais nova e ao mítico bairro de Chamanculo, local onde nasceu e se descobriu.
“In The Groove”, um sucesso que já era bastante esperado pelos fãs do músico, foi gravado essencialmente em Maputo por artistas nacionais e sul-africanos, entre eles os instrumentistas Nelton Miranda, Hélder Gonzaga, Lucas Khamulo, Stélio Mondlane, Brandon Sanders, Isabel Novela, entre outros.
“Ha Deva”, uma das músicas do álbum, composto por 15 faixas, permitiu que o guitarrista arrecadasse um dos melhores prémios da 30.ª edição do Ngoma 2016. Aquela música foi eleita Melhor Canção e Jimmy Dludlu embolsou 145 mil meticais.
Editado na África do Sul, o álbum tem ainda outras músicas memoráveis tais como “Masseve”, “Waretwa”, “In The Groove”, “Weekend Special” (homenagem a Brenda Fassie), “The Greatness of Jesus”, “Restoration”, “Long Street”, “Saul”, entre outras.
Em Novembro do ano transacto, o exímio guitarrista, que também fez 33 anos de carreira artística e 50 anos de vida, recebeu a distinção “Acácia Rubra: Medalha de Excelência”, por cantar a sua terra, o seu passado, a solidariedade e a vida.
A iniciativa foi do município de Maputo e visava distinguir músicos moçambicanos pelo seu desempenho e contribuição, através das artes, para o engrandecimento e honra da cidade.
Na vizinha África do Sul, os vencedores do 22.º Music Awards sul-africano foram anunciados durante uma cerimónia no Centro de Convenções Internacional de Durban, em Junho de 2016. Entre vários nomes lá estava o do moçambicano Jimmy Dludlu. Foi premiado com “Melhor Gravação Audiovisual ao Vivo”, pela obra “Live at Emperors Palace”, o que lhe conferiu uma estatueta banhada em ouro.
Jimmy é autor de trabalhos como “Afrocentric”, “Essence of Rhythm”, “Echoes from the past”, “Corners of my soul”, “Portrait”, “Afrocentric”, “Tonota”, um DVD, várias participações em discos e partilhas de palco com artistas de renome.
Na vizinha África do Sul, os vencedores do 22.º Music Awards sul-africano foram anunciados durante uma cerimónia no Centro de Convenções Internacional de Durban, em Junho de 2016. Entre vários nomes lá estava o do moçambicano Jimmy Dludlu
Muthumbela Gogo 30 anos
Oprestigiado grupo teatral Mutumbela Gogo assinalou em Novembro último o seu 30.º aniversário. Com vista a celebrar a data apresentou, em sessão única, no teatro Avenida, a peça “Os Meninos de Ninguém”. Este acontecimento foi para domingo um dos destacáveis do ano transacto tendo em conta a dimensão cultural que esta agremiação representa.
Mutumbela é uma verdadeira escola de teatro e com as suas peças fez várias vezes intervenções sociais no país e não só.Recentemente esteve na Alemanha, onde brindou o público de Estugarda com a emblemática peça “Os meninos de ninguém”. Também fez uma digressão à Itália e Portugal.
O grupo de teatro Mutumbela Gogo foi criado em 1986. Tem o seu próprio lugar de representação, o Teatro Avenida, em Maputo. É dirigido por Manuela Soeiro e já integrou nomes sonantes tais como Lucrécia Paco, João Manja, Elisa Maússe, Gilberto Mendes, Rogério Manjate e Evaristo Abreu.
Dos fundadores do grupo permanecem até hoje os actores Graça Silva, Jorge Vaz e Adelino Branquinho. Actualmente, o grupo integra novos actores oriundos de diversos grupos amadores de teatro de Maputo. O grupo já apresentou peças como “Eu Eduardo sonhei a Terra”, “Nove Hora”, “Governadores de Orvalho”, “A Máquina Extraviada”, “O Inspector”, entre outras. O Mutumbela Gogo é o grupo teatral nacional que mais espectáculos apresentou na arena internacional.
“Concerto da Velha Guarda”
um evento memorável
Um outro evento cultural que marcou pela positiva o ano de 2016 foi o “show” designado “Concerto da Velha Guarda”. Um concerto que juntou no mesmo espaço vários músicos da marrabenta.
O evento foi bastante ovacionado pelo público que lotava o Centro Cultural Universitário. Desfilaram no palco dezanove músicos, nomeadamente: Tomás Moiane cantou “Zula mbiluene yako”, Will e Aníbal (“Buia muzandziwa”), Zena Bacar (“Ophentana”), Rosália Mboa (“Tudo que voa”), Paulo Miambo (“Naku zandza”), Joana Coana (“Djuwawana”), António Marcos (Maengane”), Hortêncio Langa (“Alirandzu”), Dilon Djindji (“Maria Teresa dzukuta”), Gabriel Chiau (“Wene unga Yale”), Xiduminguana (“Xicona”), Safira José (“Culete”), José Barata (“Grito de molwene”), Chico António (“Mamate”), Elvira Viegas (“Lizeze”), Roberto Chitsondzo (“Kuhanya”), Salimo Mohamed (“Gungula nhawutomi”), gémeos Parruque (“Katchassa”) e Wazimbo (“Maria nwahulana”).
Os artistas estavam acompanhados pela banda Homba Mô, que rejuvenesceu e actualmente é composta por Fadir (guitarra), Nando (baixo), Agostinho (teclado), Sima (bateria) e as irmãs Belita e Domingas nos coros.
O espectáculo foi organizado e produzido pela Chitará Sound, que mesmo com patrocínio escasso decidiu juntar no palco velhos compositores e intérpretes moçambicanos. Vai aí uma salva de palmas a esta iniciativa que valorizou as grandes figuras da música ligeira moçambicana que deram contributo para o seu desenvolvimento.
Festival Nacional da Cultura
O acontecimento cultural do ano 2016 foi, indubitavelmente, o IX Festival Nacional realizado nas cidades da Beira e Dondo, província de Sofala, o qual, reuniu a nação durante cinco dias para cantar, dançar, pintar, esculpir, escrever e tocar novas páginas da nossa cultura, numa grande festa.
Foram dias de muita agitação, muita alegria e, acima de tudo, um momento de celebração das diferenças que, longe de separarem, nos fazem mais moçambicanos!
Mais de mil artistas, em representação das delegações provinciais, mais outros tantos convidados, deram dinâmica ao evento. Espectáculos musicais, desfile de moda, artes plásticas, teatro, poesia, literatura, palestras, debates, cinema e gastronomia, fizeram as delícias de milhares de participantes. O festival aglutinou no mesmo espaço gente há muito não vista no cenário das artes e cultura.
Destaque de primor é a maneira como Sofala se organizou para acolher tanta gente. Hotéis, residenciais e casas particulares acolheram com satisfação as inúmeras pessoas que se fizeram presentes na fotografia do IX Festival que celebrou a diversidade da forma de ser das etnias que fazem Moçambique.
Marca indelével do festival foi a participação massiva de adolescentes e jovens que sob orientação dos seus admirados mestres vão herdando o legado da cultura moçambicana. Foi visível o crescente interesse dos mais novos pela cultura moçambicana.
Desfile de moda que traz tendências centralizadas na capulana e coreografias mapiko, xibugo, timbila, utse, entre outras danças, foram aplaudidos em inúmeros bairros e localidades onde os artistas actuaram.
O evento decorreu no culminar dum esforço financeiro do Governo, que se responsabilizou pelas principais despesas para a realização da festa.
Um ano marcante para Xidiminguana
Xidiminguana é um artista que também teve o seu nome reconhecido no ano transacto. Completou 80 anos de idade, celebrou 67 anos de carreira musical, para além de ter recebido o prémio carreira, no Ngoma 2016, cujo valor é de 75 mil meticais.
Com a sua guitarra o músico canta o quotidiano dos moçambicanos e inspira a sociedade para uma convivência harmoniosa.
Xidiminguana também recebeu a distinção “Acácia Rubra: Medalha de Excelência”, pelo seu percurso caracterizado por persistência e dedicação à causa da música com uma forte componente de intervenção social.
Nascido a 3 de Agosto de 1936, na zona de Vuthu, no distrito de Bilene, em Gaza, Xidiminguana aprendeu a tocar em 1949 com uma viola de lata de azeite Oliveira e fios de pesca, todos materiais comprados com dois pratos de milho e um quilograma de castanha de caju.
A sua primeira música foi gravada nos estúdios da Rádio Moçambique, ex-Rádio Clube de Moçambique, em 1964, depois de passar nos testes a que foi submetido. Na altura, tocou com muitos músicos como Alexandre Langa e José Guimarães, já falecidos, e tantos outros da sua geração e não só.



