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EXPOSIÇÃO: Expor no Museu de Arte significa crescimento

Por admin
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Há salas, galerias e outros espaços onde os artistas plásticos podem mostrar suas obras. Cada local para exposição tem o seu requinte, o seu glamour. Contudo, o lugar nobre para os artistas é a sala do Museu nacional de Arte (MUSART), onde poucos têm o privilégio de desfilar.

Noel langa é um felizardo porque fê-lo pela segunda vez. Nos meses de Outubro e Novembro, levou para as paredes do MUSART quarenta obras, fruto do seu trabalho mais recente. O título era“Fragmentos do Arco-Íris”.

“ O Museu Nacional de Arte é o nosso centro, o lugar de eleição. Quando não se expõe naquele lugar, sentímo-nos diminuídos porque mostrar suas obras naquela casa significa crescimento. Felizmente, faço-o pela segunda vez”, afirma Noel Langa.

Terminada a mostra no MUSART, Noel Langa, decidiu prosseguir, mas desta vez no Centro Cultural Arco-Iris. “ A exposição continua no Centro Cultural. Os que gostam da arte podem cávir e ver. Estará patente até próximo ano. isto é, logo que as festas terminarem”, explica Noel langa.

PALESTRAS EM TORNO DO ARTISTA

Ao longo do percurso da exposição o Museu Nacional de Arte acolheu três palestras no âmbito da mesma. A primeira foi para falar dos 60 anos da obra de Noel Langa. A segunda era em volta da galeria do Mestre Noel Langa e o Arco-Íris. A terceira  última, visava abordar a obra do Noel Langa na voz dos seus contemporâneos.

Silva Dunduro, Ministro da Cultura e Turismo, presenciou um dos debates. A respeito disso, destacou que o MUSART tem estado a valorizar os ícones da cultura moçambicana facto que é na sua opinião muito positivo. No que concerne ao Mestre disse que “Langa é um dos poucos da sua época que trabalha ainda com afinco. É um homem cuja obra retrata a história de Moçambique. Precisamos de lhe dar força e isso só é possível valorizado cada vez mais o seu trabalho.”

Noel Langa é considerado pela crítica um dos mais importantes artistas plásticos moçambicanos e um dos componentes da chamada “geração de ouro”, ao lado de proeminentes figuras como Malangatana, Alberto Chissano, Samate, Shikane, entre outros.

Noel Langa é um pintor com um longo percurso, com exposições realizadas dentro e fora do país. Os seus quadros encontram-se expostos em coleções particulares dentro do nosso continente, bem como na Europa e América.  

A direcção do Museu Nacional de Arte, considera : a mostra que muda as nuances do habitual de Noel Langa ao retratar um conjunto da moçambicanidade e dá um grande contributo para a cultura do país, foi bastante positiva e que é uma honrosa oportunidade ter obras de um artista desta dimensão e simplicidade aqui na galeria do Museu. Ficamos muitos felizes por isso”.

A pintura de Noel Langa, toda ela repleta de cores e significados, tem sido de grande importância na redescoberta da nossa moçambicanidade. Tal como ele próprio, as obras que compõem “Fragmentos do Arco-íris” são simples, quase naifes e que nos fazem despertar sentimentos e emoções que considerávamos adormecidos dentro de nós.

Para alem disso, “Fragmentos de um Arco-íris” é uma viagem no tempo, nas memórias de um passado distante que ainda soam nas vivências actuais, assim, a exposição junta o que Noel conheceu durante a sua juventude e compara com a actualidade, que muito se distancia da sua mocidade.

Noel Langa revê-se em tudo que faz e vive

– Julieta Massimbe, Directora do MUSART

Julieta Massimbe, fala de Noel e frisa que entrar no Xitalamati dá gosto quando a direcção é para a preciosidade que se chama Noel Langa.

Bem disposto, cordial e afável, recebe-nos no seu atelier com muito carinho. É tão bom estar ao redor de alguém tão doce e tão cândido e, rodeado por obras inebriantes! Cada obra é um livro ou a sua capa, contando histórias que contém inúmeros episódios da vida. Estas obras são aprendizagem”, afirma.

Ela perguntei ao mestre Noel sobre a sua cor. A resposta não tardou. “Ele disse  sem pestanejar  que a sua côr é a côr do arco-íris, aquele que uma vez apareceu no céu, e eu contente, vendo que tinha o dia ganho, apressei-me a trabalhar. Simulei as minhas criações, sonhei no que faria mas, qual não foi o meu espanto, quando piso o chão deparo-me com uma inundação. Senti a “traição do arco-íris”. Afinal, era a traição da natureza, do bairro que engolia a água e, agora a devolvia à superfície”. .   

Julieta Massimbe defende que “são estes fragmentos que hoje concluídos compõem uma terapia. Por isso, podemos afirmar que, só morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música e quem não encontra graça em si mesmo. Noel revê-se em tudo isto”.

Fragmentos do arco-Íris

são cores e seus significados

– Nataniel Ngomane, académico

Nataniel Ngomane fala da obra de Noel Langa, contando um episódio imaginário que nos conduz à descoberta e paixão pelo arco-iris.

Num belo dia, um jovem passeava-se pelas veredas da urbe. Subitamente, encantou-se com um simples fenómeno natural: era o arco-íris! Sorriu e, com certo alívio, pensou para com os seus botões: “não vai chover mais!” Tomou o caminho de casa, onde trabalhou e, a noitinha, dormiu tranquilamente. A meio da noite, porém, despertou. Ao colocar os pés no chão, e a contragosto, sentiu-os a mergulhar em água até acima dos tornozelos. Espantou-se e perguntou-se: “wé, quando choveu?” Não escutara sequer um pingo a tombar. Lembrou-se do arco-íris…”, conta Nataniel.

Explica Nataniel acerca do sonho que “de facto, não chovera mais, depois daquele arco-íris. Simplesmente, as águas caídas em bairros circunvizinhos tinham escorrido lenta, mas vigorosamente ao longo da noite, indo desaguar e acumular-se naquele seu bairro, o ponto mais baixo da região: Xitalamati! O arco-íris não mentira. O jovem decidiu atribuir o nome de “arco-íris” àquele micro-lugar, o seu espaço, onde pintava longamente: Arco-Íris! Passados muitos anos, voltou a dar esse mesmo nome ao Centro Cultural que ele mesmo criara naquele mesmo espaço: Centro Cultural Arco-Íris”.

O arco-íris é um fenómeno luminoso, observável quando a luz do Sol incide sobre a atmosfera, produzindo o aparecimento de um arco com as cores do espectro solar. Também é conhecido por “arco-celeste”, “arco-da-aliança”, “arco-da-velha”, “arco-de-deus”. “Na essência, é composto por uma infalível combinação de cores alinhadas sempre na mesma ordem: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil (ou índigo) e violeta. Cada uma destas cores é prenhe de significados, enriquecendo o seu sentido”, afirma Nataniel Ngomane.

Segundo Nataniel, o vermelho, por exemplo, simboliza paixão, amor, coragem; energia, excitação. É a cor do elemento fogo, do sangue e do coração humano. “A cor laranja é associada à alegria, à vitalidade, prosperidade e sucesso. Basta lembrar as qualidades da laranja, da cenoura, da abóbora, associadas à saúde. Tem a ver com a criatividade, ao resultar da mistura do vermelho e do amarelo, chamadas cores primárias. Cor quente, carrega consigo, ainda, os símbolos de energia, entusiasmo, comunicação e espontaneidade. A cor amarela significa luz, calor, descontração, optimismo, alegria. Símbolo do Sol e do verão, o amarelo também se associa à prosperidade e felicidade”, afirma Nataniel.

Continuando na explicação das cores, Nataniel Ngomane diz: “A cor verde  significa esperança. Mas também liberdade, saúde, vitalidade. Simboliza a natureza: pense-se na mboa, nyangana, couve e cacana, por exemplo. É a cor associada ao crescimento, à renovação e à plenitude. O azul simboliza tranquilidade, serenidade, harmonia. Cor da aristocracia e da realeza, está associado à frieza, à monotonia e à depressão. Cor fria, símbolo da água, do céu e do infinito, estimula a criatividade e favorece o exercício intelectual tranquilo”.

Para Ngomane,  o anil (ou índigo) significa sinceridade, respeito e individualidade; já a cor violeta, também conhecida por “cor roxa” ou “púrpura”, tem a ver com a espiritualidade, com o místico. Magia, mistério. Apesar de transmitir a sensação de tristeza e introspecção, estimula o contacto com o lado espiritual das ideias, do pensamento, proporcionando a purificação do corpo e da mente; liberta os medos e outras inquietações espirituais. É a cor da transformação, apropriada para locais de meditação.

É, pois, o cruzamento dessas cores, seus significados e infinitas combinações que, em Noel Langa, se reúnem e se recombinam, reluzentes, em Arte. Tal é o longo e maturo percurso, no tempo e no espaço, daquele jovem que um dia se encantou com o arco-íris e o adoptou, não somente como nome dos seus espaços de trabalho, seus atelier, oficina e escola”.

Nataniel Ngomane afirma que Noel Langa  preencheu seus espaços  com esse nome.“E cada vez mais, esses mesmos espaços e o seu próprio trabalho: as cores do arco-íris e seus significados, de forma fragmentária, mas progressiva, crescente. São essas cores e seus significados, esses Fragmentos do Arco-Íris, plurais e multidimensionais que hoje celebram a Exposição Individual de Noel Langa”.

Texto de Frederico Jamisse & Maria de Lurdes Cossa

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