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CANTO E DANÇA: Um brinde ao Makwayela dos TPM

Por admin
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O Grupo Cultural Makwayela dos TPM celebrou, no presente ano, quarenta anos de existência. Para assinalar a data foi organizada, no passado dia 16 de Dezembro, no Centro Cultural Universitário, uma gala que visava homenagear os integrantes do mesmo por lutarem de forma incansável para a preservação e disseminação da dança Makwayela.

Nossa equipa de Redacção conversou com alguns dos integrantes do Makwayela dos TPM com vista a “cavar” um pouco da história deste grupo que há quatro décadas tem estado a animar de forma impecável e esplêndida o povo moçambicano.  

Agostinho Mabuie, 42 anos de idade, é o actual maestro do grupo e faz parte do mesmo há 30 anos. Para si a celebração de 40 anos de existência é sinónimo de muita alegria e superação.

“Estes 40 anos são extremamente importantes para nós. E receber uma homenagem como é algo ainda mais emocionante tendo em conta que há bastante esperávamos por algo do género. Desde que o grupo foi fundado nunca tinha tido uma gala igual.

No evento organizado pela empresa TPM com parceria do ARPAC, UEM, Ministério da Cultura e Turismo, entre outros, os membros activos e reformados do Makwayela dos TPM receberam igualmente troféus em reconhecimento de seu esforço em manter-se. Aliás, os galardões foram extensivos para as viúvas cujos maridos integraram o grupo ainda em vida.

Os membros do Makwayela enalteceram a disponibilidade da empresa TPM em ajuda-los. Para a realização do evento foi-lhes concedido o tempo necessário, para além de se ter assegurado a prestação de Pérola Jaime para ajudar a tornar a organização do evento ainda mais requintada.

Actualmente, o Grupo Cultural de Makwayela é constituído por treze membros: doze homens e apenas uma mulher. Trata-se de Maria Luísa Matavele, José Mabuie, João Matão, Paulino Mathombe, Januário Pelembe, Agostinho Mabuie, Feliciano Pelembe, Luís Nhabau, Justino Mabui, Jaime Mathombe, Norberto Mabuie, Silvestre Comé e Pedro Roberto.

Refira-se que em Junho de 1996, na Holanda, o grupo gravou a cassete com o título “Hluvuka África” – Progride África. E no ano de 2009, lançou o seu primeiro CD intitulado “Xitimela Xa Kuha Manhiça” – O Comboio com destino a Manhiça, na Cidade de Maputo, que foi honrado com a presença do prestigiado grupo Sul-africano os Black Mambazo e outros artistas moçambicanos.

PERCORRER MEIO MUNDO

O Makwayela dos TPM não só triunfou aqui em Moçambique. O seu nome ecoou em outros quadrantes do mundo. Por conta disso já visitou outros países africanos, europeus e asiáticos. Trata-se da Suazilândia, Angola, Botswana, África do Sul, Suécia, Holanda, Dinamarca, Bélgica e Índia.

Segundo Feliciano Pelembe (51 anos), integrante do grupo, os 40 anos representam uma longa história, a qual resume-se em alegria, desafios e alguns momentos de muita dor. “Ao longo deste período percorremos meio mundo. Tivemos conquistas e perdas irreparáveis de alguns de nossos colegas.”

Também já participou de competições aqui no país. Por volta dos anos 80. Aqui o grupo ganhou destaque e foi classificado como sendo o melhor.

No dia 20 de Janeiro de 1984, na zona de Cumbane, província de Inhambane, o autocarro que transportava o grupo sofreu um ataque armado. O veículo, que levava outros passageiros, foi crivado de balas. Cinco membros do grupo perderam a vida no ataque. Trata-se de Sebastião Julião Mathombe, Justino Mathombe, José Mathava, Rui Mondle e Abílio Mathusse. Paulo Zefanias Massinge e Fabião Matlhombe também foram vítimas e foram gravemente feridos.Este acontecimento marcou profundamente o grupo e que nalgum momento perdeu forças. No entanto, nem por isso se deu por vencido pois teve apoio de todos o país e acima de tudo a empresa TPM permitiu que outros funcionários seus amantes do Makwayela integrassem o grupo. Assim prosseguiram.

 

Outro momento doloroso deu-se quando o maestro fundador do grupo, Januário Mabyeca, perdeu a vida. “Ficamos abalados… sem nenhuma orientação. Mas uma vez mais as pessoas estiveram connosco e deram-nos força para seguir avante e lembrarem-nos que era preciso continuar. Pois perder uma batalha não implicava perder toda uma guerra”, disse Pelembe.

Outros momentos tristes também deram-se com a morte de outros colegas tais como Joaquim Macuácua, segundo maestro, Inácio Manhiça, Antonio Dias, entre outros.

Adiante o grupo revelou que sonha em fazer o lançamento de um DVD, o qual está até gravado… só faltam alguns acertos. A princípio a ideia era lançar o DVD no dia 16 de Dezembro mas por problemas de vária ordem não foi mais possível. No entanto, a empresa está a envidar esforços para que isso seja uma realidade.  

Por outro lado, o grupo tenciona ainda formar um grupo jovem, o qual garantiria a renovação ou responderia a eventuais situações de indisponibilidade de algum membro. Para além de que “está é uma forma que encontramos de passar o nosso testemunho aos mais novos, apesar de mostrarem pouco interesse por esta área actualmente”

Em Setembro de 2003, o grupo decidiu alterar o seu nome, passando a ostentar a designação de Grupo Cultural de Makwayela – NP, em memória ao seu líder fundador e outros membros que perderam a vida no ataque de 20 de Janeiro de 1984, sendo que NP é abreviatura de Nwandle – Phati, nome de duas lagoas de onde é oriundo o já falecido maestro Mabyeca e a parte dos membros fundadores do grupo.

A ÚNICA MULHER

O grupo de Makwayela tem uma mulher desde o início dos anos 80. Seu nome é Maria Luísa Matavele. Já com um pouco mais de 50 anos de idade, ela é extremamente admirada pelos colegas pela sua pujança. Segundo eles, Maria Luísa quando sobe ao palco é como se fosse homem… trás uma força maior.“Ela é tudo. Espectacular. É uma mulher que participa de tudo. Traz ideias brilhantes, comenta sobre as coreografias… enfim não há palavras para classificá-la”, disse Pelembe.

No entanto, Maria Luísa não é a única mulher do grupo por opção. É que de lá até cá nunca mais apareceu alguém do mesmo género que se importasse ou com a mesma pujança que eça. Temos uma única mulher não porque assim decidimos, mas tão somente porque é a única com força e coragem de fazer tudo o que fazemos. Consegue andar connosco em todos lugares. Agora a idade dela é avançada, um dia irá precisar de descansar.

Maria Luísa revelou sentir-se bem no grupo, que representa a sua segunda família. “Quando estou junto deles não me sinto mulher. Fico como eles. A nossa convivência sempre foi pacífica. Por isso sinto-me à vontade com eles. Olha que nunca pensei em desistir do grupo”.

Maria de Lurdes Cossa
malu.cossa@Snoticias.co.mz
 

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