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Nyusi quer aluno da 2.ª classe a saber expressar-se e escrever

Por admin
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Todas as crianças que entram na escola para a 1ª classe devem adquirir competências de leitura, escrita e cálculo, o que significa que até a 2ª classe tem que saber expressar-se e escrever, segundo defendeu o Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi por ocasião da abertura do ano lectivo de 2017.

Sob o lema: “ Por Uma Educação de Qualidade Rumo ao Desenvolvimento Humano” arrancou na última sexta-feira o ano lectivo de 2017 em cujo discurso de abertura o Chefe do Estado exigiu a entrega dos professores, pais e encarregados de educação no sentido de melhorarem a qualidade do ensino.

Para o ensino primário, o Chefe do Estado afirmou que é imperiosa garantir a necessidade de que todas as crianças que entram para a 1ª classe adquiram as competências de leitura, escrita e cálculo, “o significa que todos os alunos que terminam a segunda classe devem saber expressar-se, ler, escrever e fazer cálculos. Isso é fundamental para o desenvolvimento e sucesso da criança nos niveis escolares que se seguem”.

No concernente ao ensino Secundário, o Presidente deixou claro que deve ser orientado para uma eficácia redobrada para o sucesso do processo do ensino e aprendizagem ao longo do ano lectivo.

Na ocasião, Filipe Nyusi frisou que está preocupado com os resultados registados no ano anterior neste nível exigindo mais acção enérgica e atenção especial à rapariga de modo a aumentar as oportunidades do empoderamento das alunas e consequentemente das mulheres.

“O ensino secundário é na verdade uma placa giratória, pois, não só põe em contacto diferentes níveis etários de sub sistemas do ensino, grupos socais, como também concentra em si uma enorme complexidade de elementos que consideramos desafiadores. È igualmente uma fase na qual se tem a responsabilidade de introduzir os jovens na idade adulta”,disse o Presidente da República.

Sublinhou que para evitar desníveis a partir deste ano todos os alunos passam a usar o livro único para cada disciplina e para cada classe em todo território nacional.

Em relação ao ensino Técnico Profissional, Filipe Nyusi indicou que está em curso uma profunda iniciativa governamental com vista a transformação e consolidação deste tipo do ensino.

“Estamos a falar da reforma que visa a estabelecer um sistema integrado, coerente, flexível e orientado para a demanda do mercado do trabalho. De forma estratégica, pretende-se que com a reforma neste sector seja estabelecido um quadro institucional da sua gestão e financiamento e criar um sistema integrado de qualificações e formações baseadas em padrões de competência e aumentar a capacidade de fazer e de produzir”,explicou Nyusi.

O presidente voltou a vincar a necessidade da formação de homens e mulheres capazes de intervir no desenvolvimento integrado do país através do aumento da produção e produtividades.

 

QUALIDADE NÃO DEVE SIGNIFICAR REPROVAÇÕES MASSIVAS

O Chefe do Estado exigiu a necessidade da melhoria da qualidade tendo dito que muitas vezes a qualidade se relaciona com os resultados escolares ou pela satisfação do mercado, quando na verdade deve significar a conquista de valores em todas as circunstâncias do ensino e aprendizagem

“A qualidade deve constituir a marca ou a imagem de cada estabelecimento escolar. Qualidade não deve significar reprovações massivas. Quando dissemos que vamos aumentar qualidade não estamos a apelar para chumbar todos os alunos e a todo o custo”,disse Nyusi.

Acrescentou que um bom desempenho não se traduzirá necessariamente na transição de alunos que ainda possuem lacunas evidentes, “pelo que não queremos ouvir aqueles relatórios bonitos, de aproveitamento de 100, 90 porcento, quando na verdade passaram pessoas que não sabem ler”.

“Não é esta qualidade que queremos. A tarefa institucional é de articular os vários componentes com vista a criação de uma imagem de qualidade reconhecida, isto é, a construção de valores em todas as suas dimensões. A nossa educação deve garantir que o cidadão compreenda a necessidade de participar nos processos democráticos de governação e na tomada de decisões de forma participativa e inclusiva”;destacou.

Para o Presidente da República as mudanças constantes do Sistema de Ensino não permitem avaliar o que é que está a falhar do que está correcto. “Igualmente, vamos reduzir tendências de permanentes consultas ou audições sobre o que se sabe ou foi concebido e ainda não foi implementado. A inconsistência é sinónima de insegurança”.

No seu entender, é necessário assegurar que todas as crianças, raparigas e rapazes tenham a oportunidade de frequentar e completar todas as classes do ensino primário. “Devemos por isso, remover os obstáculos ainda prevalecentes para a frequência escolar, os obstáculos responsáveis pela desistência sobretudo, das raparigas. Por outro lado, não podemos ficar satisfeitos quando o nosso sistema do ensino assume características sempre experimentais. Temos que estabilizar”.

 

POR UMA EDUCAÇÃO INCLUSIVA

As cerimónias centrais da abertura do presente ano lectivo decorreram na província de Gaza, o chamado quilómetro zero da caminhada de Nyusi rumo à Ponta Vermelha, concretamente no Centro de Recursos de Educação Inclusiva Eduardo Mondlane, uma instituição multifuncional para atender às crianças e jovens com e sem necessidades educativas especiais.

A justificação segundo o Chefe do Estado é realçar que da mesma forma que a sua marcha foi triunfal, na educação há necessidade de todos participarem na melhoria da qualidade do ensino, o que terá reflexo na formação do capital humano.

“Os nossos alunos, filhos, com problemas de fala, deficiência auditiva, visual, mental, físico -motora, entre outras, devem dispor de iguais oportunidades de aprendizagem. Eles devem estar preparados para dar o seu contributo no desenvolvimento da sua pátria amada”.

No seu entender, os centros de recursos de educação inclusiva devem ser verdadeiras unidades de aprimoramento curricular, de capacitação dos professores em metodologias específicas pelo que “as nossas escolas devem implementar desenvolvimento inclusivo onde todos os alunos se sintam acarinhados sem nenhuma espécie de descriminação”.

A esse propósito, a nossa reportagem viu um grupo de crianças com necessidades educativas especiais a participar no momento de dança apesar da sua deficiência auditiva.

Outras crianças, desta feita sem necessidades educativas especiais, foram ao palco ler as suas mensagens nas quais vincaram que “por Gaza ser o chamado quilómetro zero da caminhada de Nyusi à Ponta Vermelha” tudo farão para que o presente ano seja coroado de êxitos. Deixaram claro, por outro lado, que não gostariam que a guerra voltasse a interferir negativamente no processo do ensino e aprendizagem e que não queriam saber de professores preguiçosos, alegadamente devido ao salário que não cobre na íntegra as suas despesas.

As mesmas crianças disseram ainda que o povo como patrão do Chefe do estado ficará satisfeito quando ouvir e ver que todas as crianças vão à escola e que não sentirão a falta de livros, carteiras entre outros meios do ensino.

“Presidente Nyusi, o povo quer a paz e pede a Deus para que não lhe deixe cair nas graças do inimigo. Também como crianças queremos que cessem os casamentos prematuros, para estudarmos a vontade. Negamos as desculpas de falta de docentes porque não há salários, assim como não estamos satisfeitos com as condições a que estão votados alguns professores”,disseram as crianças em mensagem de ocasião.

Na oportunidade a ministra de Educação e Desenvolvimento Humano, Conceita Sortane, disse que o seu sector está a reduzir as enchentes nas turmas, garantindo deste modo que se regista uma redução das discentes nas turmas.

Sortane, disse, por outro lado, estarem criadas todas as condições para que o presente ano lectivo decorra sem sobressaltos e que a instituição está a trabalhar para que o rácio turma/professor diminua até 60 alunos. Para tal, foram contratados mais de 8 mil novos professores para diferentes níveis do ensino.

 

ALUNOS DEVEM SABER TRABALHAR NA MACHAMBA

O Presidente da República desafia os alunos a ter hábito de trabalhar na machamba no sentido de produzir alimentos e garantir que não faltem alimentos para poderem ir à escola sem problemas de fome.

Nesse contexto, Filipe Nyusi frisou que à semelhança do que disse na abertura do ano lectivo no sector das Forças de Defesa e Segurança, no civil este ano tem que ser dedicado à prática da agricultura.

“Quando abrimos o ano lectivo das Forças de Defesa e Segurança dissemos que a época 2016-2017 devia ser da agricultura para os militares e não época de armas. Queremos dizer o mesmo aqui: primeiro, o vosso caderno, lápis, juntamente com os vossos professores, mas não se esqueçam de fazer uma horta, um pomar, ou mesmo uma pequena machamba com mandioca ou milho para aprenderem o que é que acontece quando se trabalha na machamba”,apelou o Chefe do Estado.

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