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Nasce rugby em Maputo

Por admin
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O rugby é um desporto de intenso contacto físico que surgiu na Inglaterra no século XIX. Fora das tradições moçambicanas, dos costumes locais, a modalidade, dentro das suas dificuldades, está a ganhar espaço na capital do país e mais do que se firmar, está a quebrar estereótipos de que a mesma é para as elites.

O despoletar de um pequeno
projecto, mas
que se pode tornar
num dos grandes movimentos
daquela modalidade,
é da responsabilidade
da Associação Moçambicana de
Rugby.
O treinador de rugby, Frederico Andrade, acredita na possibilidade
de a modalidade num
futuro breve vir a ganhar notoriedade
e, obviamente, "criar-se
um clube com qualidade para
disputar em pé de igualdade
com outras agremiações doutros
campeonatos, embora
seja um processo moroso".
Os treinos de rugby iniciaram
em Maio do ano em curso
e acontecem na Universidade
Eduardo Mondlane (UEM), num
dos espaços que a direcção da
mais antiga instituição do Ensino

Superior do país cedeu para

que se praticasse este desporto,

mas, também, há sessões que

acontecem na praia da Costa do

Sol, durante os finais de semana.

Andrade justifica a disponibilização

pela UEM de espaço para

a prática deste desporto dizendo

que “a ideia é não nos afastarmos

da formação do homem

novo, o que também se faz

com base no rugby. Queremos

que no futuro os miúdos beneficiem

de bolsas”.

O campo é pequeno, sem a

relva sintética que costumamos

ver nos campeonatos mundiais

de rugby. Esse factor, segundo

o treinador da modalidade, não

constitui um problema. Aliás,

para ele, os miúdos devem-se

habituar a praticar rugby no

areal, porque, segundo contou,

"isso permitir-lhes-á ficar

mais robustos".

Sem plano de

expansão

Segundo Andrade, por enquanto

não existe nenhum plano

de expansão do rugby para outros

cantos do país, pelo facto

de não existirem recursos humanos

que possam trabalhar

nesse sentido. O treinador disse

que ainda não manteve contacto

com os tradicionais clubes

desportivos para a prática desta

modalidade.

Esperançoso, disse que

quando tiver um número considerável

de praticantes vai

envidar esforços no sentido

de entrar em contacto com os

ministérios de Educação e Desenvolvimento

Humano e da

Juventude e Desporto, como

forma de fazer conhecer o rugby

oficialmente no país. “Eles

(os ministério da Educação

e Desenvolvimento Humano

e da Juventude e Desportos)

precisam de saber que existimos

para que possamos

ser reconhecidos aqui e internacionalmente.

Queremos

propor que a modalidade seja

ensinada nas escolas, para tal

vamos avançar com a ideia de

trazer alguém do World Rugby

United para formação de

técnicos.

Sonhar sem “condições”

José Nelson, 12 anos de idade,
é um dos miúdos que sonham
em se tornar grandes jogadores
de rugby.
Residente no bairro Polana-
-Caniço, José Nelson corre descalço
atrás da bola incansavelmente.
Falando à nossa equipa
de reportagem disse que vai fazer
de tudo para superar as dificuldades
materiais que tem para
poder praticar a modalidade.
"Não vou desistir", confidenciou-
nos, num tom tímido.
Mas o menino é apenas mais um
dos tantos que fazem parte da
equipa que se treina na UEM. Na
sua maioria treinam descalços,
sem materiais como ombreiras,
boqueiras e chuteiras.
"Até as bolas comprámos
com o nosso dinheiro, lamentavelmente.
Nesta fase eles vão
mesmo ter de treinar e fazer as
coisas por amor ao rugby. Isso
complica, porque das vezes
que oferecemos bolas os miúdos
desapareceram com elas",
disse o treinador Andrade.
Para além do equipamento, o
conjunto clama por um médico
que poderá cuidar dos ferimentos
ao longo dos treinos, da mesma
forma que necessita de um nutricionista.
Actualmente, como forma
de motivar aquela rapaziada,
o técnico disse que já mandaram
vir kits completos de bolas e outros
equipamentos que poderão
fazer com que se atraia mais praticantes
a aderir à iniciativa.
"A filosofia de jogo que estamos
a ensinar é de 7 a 15 e precisamos
de aumentar o número
de jogadores”, afirmou o técnico
para depois acrescentar que o sonho
"é no futuro termos um campeonato
muito competitivo".

Pretilério Matsinhe

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