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O dilema da prematuridade na adolescência

Por admin
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Sentada na cama de um dos quartos da Pediatria do Hospital Central de Maputo, Marta Dimande, 17 anos de idade, embala o filho recém-nascido. Seu semblante transmite miscelânea de sentimentos. Ainda está a se adaptar à nova realidade de mãe.Seu bebé nasceu antes da data prevista. A bolsa rompeu no sétimo mês de gravidez. O excesso de esforço físico foi a principal causa do parto prematuro.

Vivo apenas com meu marido e não tinha quem me ajudasse nas tarefas caseiras. Diariamente tinha que ir buscar água no poço sozinha, desculpa-se a mãe adolescente.

Recorda em que circunstância iniciou o trabalho de parto. No dia anterior senti muitas dores de coluna quando dormia e caiu um líquido. Falei com o meu marido, mas ele pensou que eu estivesse a brincar.

Não obstante as dores, dia seguinte foi acarretar água no poço, ignorando os riscos associados ao seu estado. Resultado: seu filho nasceu antes do tempo, com 1100gramas de peso.

De acordo com a pediatra-neonatologista Sónia Bandeira, aquela adolescente apresenta um quadro depressivo. Tem tido crise de choros. Diz que está cansada e quer voltar para casa. Vai iniciar com um acompanhamento com o psicólogo para conseguir gerir a nova realidade com sucesso e conseguir cuidar do seu filho, explica.

A depressão pós-parto é comum nas gestantes, contudo o nível de gravidade e as causas que levam a que aconteça é que faz a diferença.

Segue-se a história de Luísa Dlhacude, adolescente de 16 anos. Partilha o quarto do hospital com Marta Dimande e outras sete mães de crianças prematuras.

Luísa coloca seu filho no canguru com ajuda da médica pediatra. Vem transferida de Xinavane, província de Maputo. Seu filho nasceu com 1460 gramas e permaneceu dias na incubadora para estabilizar a temperatura corporal. Agora o bebé está sob assistência médica.

Para dar continuidade ao processo de estabilização da temperatura corporal Luísa faz sessões de aquecimento com a técnica de mãe-canguru todos os dias.

Disseram-me que devia aquecer o meu bebé no meu corpo para ele crescer rápido. Faço sempre. Ele está a recuperar de peso. Estou nesta enfermaria desde quarta-feira, partilha a adolescente.

A nossa entrevistada vive com tensão arterial devido a antecipação do seu parto. Quando fui fazer consulta no hospital, lá em Xinavane, a médica disse que eu tinha tensão alta e que tinha que controlar porque podia fazer mal a minha gravidez, conta.

Segundo a pediatra-neonatologista as mulheres com tensão alta durante a gravidez estão mais propensas a parto prematuro, fenómeno conhecido por pré-eclampsia que pode afectar o bebé. É maior causa de mortalidade materna no mundo.

É preciso que as mulheres façam o pré-natal ainda cedo por forma a ter uma gestação controlada, pois se temos casos de eclampsia (que é a junção da pré-eclampsia e convulsão),o médico é obrigado a interromper a gravidez, pois a mãe corre risco de vida, explica a médica, acrescentando que existem casos de mulheres que apenas vão à consulta pré-natal duas a três vezes durante toda gestação o que é mau para gestante e o bebé.

É por esta razão que o corpo médico está a dar uma especial atenção à mulher-adolescente. Não estamos distraídos em relação as adolescentes pois elas são as que menos conseguem gerir a situação de prematuridade dada as circunstâncias naturais e a própria vivência, disse Sónia Bandeira.

 

VULNERABILIDADE ASSOCIADA

AOS PARTOS PREMATUROS

 

De acordo com a neonatologista redobrar os cuidados com recém-nascidos prematuros é fundamental para a sua sobrevivência. É preciso ter em conta que bebé quando é prematuro tem todo o seu organismo imaturo, daí que as complicações advenham deste facto. O bebé deve possuir uma atenção mais redobrada ainda na alimentação, explicou.

A instabilidade térmica ou hipotermia, a imaturidade pulmonar, problemas gastro-intestinais e renais, anemia prematuridade constituem outras complicações que podem assombrar a saúde do recém-nascido.

Um bebé com instabilidade térmica, quando colocado num sítio frio, literalmente fica frio e quando colocado num sítio quente fica quente, fora de qualquer circuito natural de regulação da temperatura do corpo, daí a importância das incubadoras até estabilização da temperatura corporal e provisão de oxigénio.

Dada a desidratação que o corpo do bebé sofre com este processo de aquecimento mecânico, e apesar de a incubadora possuir humidificadores, técnicos de Saúde têm incentivado a técnica de mãe-canguru.

O método de aquecimento mãe-canguru, tem a vantagem de ser natural e o aquecimento faz-se com o corpo da mãe, através da pele, sublinha a neonatalogista.

 

Como evitar partos prematuros

A primeira medida para evitar o nascimento prematuro é frequentar a consulta pré-natal desde o início da gestação.

Outras medidas consistem em controlar sobretudo a gestação gemelar, tratar as infecções de trato urinário, as doenças de transmissão sexual e iniciar com o Tratamento Anti-retroviral (TARV) para as mulheres seropositivas.

Uma infecção do trato urinário, quando não tratada, pode desenvolver, alastrar-se pelo colo até atingir o útero e a placenta, acabando por afetar todo o canal até atingir o útero, o que pode provocar contrações cedo fazendo com que a mulher entre em trabalho de parto, explicou Sónia Bandeira.

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