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Sinóia defende participação no “Mundial” de boxe feminino

Por admin
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Lucas Sinóia espera que Moçambique se inscreva para participar no Campeonato Mundial de Boxe, em femininos, de 19 a 27 de Maio de 2016, que se realiza em Cazaquistão, país da Ásia Central, o que seria sua estreia na maior prova da modalidade.

Para o treinador, o país deve sempre se esforçar em estar presente nas competições da região, do continente e do mundo para melhor performance dos seus pugilistas, sempre na expectativa de melhores resultados, que só são possíveis para quem é experiente.

“As pessoas podem não perceber, um país que não se esquiva das grandes competições só sai a ganhar, pois, a rodagem dos atletas só se consegue competindo. E é competindo que se ganha experiência para obtenção de bons resultados”, refere Lucas Sinóia, patrono da Academia com o seu nome e seleccionador nacional de boxe feminino.

“Não posso dizer se Moçambique vai ou não ao “Mundial” de Cazaquistão. Mas estou ciente de que na Federação Moçambique de Boxe (FMBoxe) há pessoas que entendem do desporto. Existe lá gente que sabe que o desporto se faz competindo a todos os níveis. Tenho a certeza que estar num “Mundial” preocupa aos dirigentes da modalidade”, sublinha.

Pela não ida a Cazaquistão, cuja capital é Astana, Lucas Sinóia admite que se venha “alegar falta de dinheiro, mas só é patrocinado quem compete. Esta seria a primeira vez que o boxe moçambicano, em masculinos e femininos, se faria presente num Campeonato do Mundo. Nós nunca estivemos num campeonato mundial. Estivemos, isso sim, nos jogos de Boa Vontade, Jogos Africanos, Jogos da CPLP, Jogos dos PALOPs… e em intercâmbios com os países do então bloco socialista”, refere.

EXIGE-SE BOA SAÚDE

Questionado se tínhamos pugilistas para representar o país num “Mundial” de boxe feminino, Lucas Sinóia, um dos maiores emblemas do pugilismo nacional, responde positivamente.

“Felizmente temos conseguido estar em competições regionais e continentais. Isso pouco a pouco nos municia para estarmos em campeonatos do Mundo. Temos Rady Gramane e Alcinda Helena Panguana bem posicionadas no ranking regional. Elas são das duas pugilistas que têm vindo a trabalhar arduamente comigo. E podemos contar com Maria Manuela, sobre quem não tenho informação do seu actual nível competitivo.”

O “mister” explica que o campeonato do Mundo não tem nada a ver com a ida aos Jogos Olímpicos do Brasil, como algumas pessoas podem estar a equacionar. Nele participam todos pugilistas, independentemente de qualificados ou não para os Jogos Olímpicos. Campeonato do Mundo é uma coisa, Jogos Olímpicos é outra.

Sobre a participação de Moçambique no Campeonato Africano, realizado nos Camarões, Sinóia diz que as nossas pugilistas tiveram prestação razoável, atendendo que “à primeira não tinham chance de voltarem de lá campeãs, porque há países que vêm encarando o boxe como desporto através do qual buscam medalhas nos mundiais e Jogos Olímpicos, casos de Marrocos, Nigéria, Camarões…Os países que são potências no futebol, são os mesmos que são potências no boxe e, talvez, noutras modalidades. Nós temos que trabalhar mais e seriamente.”

Que tipo de pugilistas são legíveis para um campeonato do Mundo? Sinóia responde a esta pergunta dizendo que “são todos aqueles que gozam de boa saúde. Que têm a sua condição médica inspeccionada periodicamente. Para além de constantes testes médicos, os pugilistas são também submetidos a testes anti-doping”.

Quanto aos nossos pugilistas, Sinóia só se reserva a falar dos que trabalham consigo, que no seu entender “andam cem por cento bem de saúde.”

O nosso interlocutor explica que “quem for apanhado com alguma doença numa prova como o campeonato do mundial é imediatamente expulso e o seu país é multado. Caso tenha combatido, o seu adversário pode o processar, pois eventualmente o terá contaminado alguma doença, já que no boxe jorra muito sangue. Todo atleta, treinador e dirigente, que se preze como tal, deve saber que testes médicos anuais, mensais, semanais e diários são indispensáveis no boxe. E quem sabe que está doente é melhor não esconder para o seu próprio e bem e do seu país.”

Manuel Meque
manuel.meque@snoticicas.co.mz

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