Revejo-me nos “guerreiros” que batalham pelo avanço das modalidades da sua predilecção, para que desportos ou sectores não considerados prioritários, tenham uma palavra a dizer, no mosaico desportivo do país, em que todos cabemos.
Não me revejo nos aventureiros – quais partidos políticos que só emergem em vésperas de eleições – que se “penduram” em modalidades, para delas se servirem para as “passeatas” e acesso aos “trocados”.
Infelizmente, os que faziam dirigismo desportivo sem pensar numa das “benesses” atrás citadas, parecem em vias de extinção.
– “O último que apague a luz” – apraz-me dizer!
Ditado pelos novos tempos e novos ventos, como um rolo compressor aos quais a geração a que pertenço tenta resistir, surgiu a apetência por uma nova modalidade, denominada: “servir-se, nem sempre servindo”. Contra ventos e marés, alguns relutantes ainda vão mantendo a “carolice”. Mas para a maioria desses puros só restam duas possibilidades: o abandono puro e simples, ou o cenário de irem sendo absorvidos.
É uma questão de sobrevivência – dir-me-ão.
DINHEIRO, PASSEIOS
E/OU VISIBILIDADE
1. Dinheiroé algo necessário para nos mantermos vivos e (mais ou menos) nutridos;
2. Passeiospelo país e pelo estrangeiro… nunca fizeram mal a ninguém. Antes pelo contrário. E quando, isso traz alguns “per-diems”;
3. Visibilidadeé algo que me arrisco a dizer que faz parte da génese humana. Quem não guarda, no seu íntimo, um “gostinho” por ver a sua acção divulgada?
Porém…Tudo isso pode acontecer como fruto e resultado de uma natural vontade de servir, em primeiro lugar, a comunidade e o país que nos fez nascer!
A QUESTÃO DOS PATROCÍNIOS
As empresas públicas ou participadas pelo Estado, aquelas que dependem de uma ou de outra forma dos contribuintes, têm a obrigação de não olhar apenas para o eventual e imediato retorno que os seus patrocínios possam gerar, dirigindo as suas atenções para acções ou projectos susceptíveis de trazer benefícios sólidos ao País.
O mesmo não se pode dizer das empresas privadas. Aí, tudo depende da sensibilidade dos proprietários ou gestores, mas a “mira” principal estará sempre virada para o retorno. O mesmo que dizer que o objectivo do patrocínio é trazer visibilidade ao negócio e, consequentemente, lucros.
Assim sendo, os candidatos aos patrocínios têm que começar por realizar as suas acções com muitas ideias e pouco dinheiro e só quando sentirem que o seu “produto” é apetecível, partirem então à busca do patrocínio. Não o contrário, como em regra está a acontecer.
Daí que um dos grandes males que têm “minado” o nosso desporto, seja o irrealismo, a falta de sustentabilidade dos projectos e, nalguns casos, a mania das grandezas.
Com os bolsos totalmente furados, idealizam-se provas de nível nacional, sem antes terem sido disputados distritais ou provinciais, programam-se viagens e estadias, a contar com o “beneplácito” do Governo, da companhia aérea de bandeira, a benevolência das unidades hoteleiras e as “obrigações” das estruturas da cidade anfitriã. O resultado – a que já nos habituamos – são os improvisos, os “choradinhos” pelos incumprimentos fazendo-se vítimas de insensibilidades.
O recém-realizado Campeonato Nacional de Futebol Feminino, sem bases e nem previsão de público pagante, é um exemplo vivo de um aventureirismo, cujo lucro real não vai para lá do passeio pelo país de umas caravanas organizadas à última hora, sob tutela de uma Liga que não passa de uma imitação despropositada do que se vê noutras latitudes.
Cabe ao Governo, com voz mais firme, clarificar que apesar de todas as iniciativas para dar corpo às mais variadas modalidades por parte dos adeptos seja sempre bem-vinda, também não é por acaso que se definiram modalidades prioritárias. O Orçamento do Estado não é elástico, de forma a adaptar-se às ideias, gostos e sonhos de quem decide dar corpo a uma iniciativa, por mais louvável que ela seja.
RENATO CALDEIRA



