
“O futebol é versátil, então, existem várias mentalidades. Quando há uma chicotada, nem sempre os dirigentes estão errados, mas também nem sempre eles estão certos, porque alguns são juízes e outros querem alegrar a massa associativa, que concorda e não concorda”, é assim que Martinho de Almeida, ex-treinador, inicia a abordagem sobre este assunto de despedimentos precoces dos treinadores nos clubes moçambicanos.
“Para quem entende de futebol, quando toma decisão de expulsar é quando tem razão para isso. Outros expulsam um treinador para mostrar valentia. O treinador por ser o elo mais fraco, muitas vezes é punido e castigado sem culpa”, refere Martinho de Almeida, um dos cérebros do desporto nacional.
Este nosso interlocutor considera que há muitas interferências no jogo de futebol, mas pela derrota quem paga é apenas o treinador, o que é injusto
“Devemos saber que quando há derrota não é verdade que sempre o culpado é treinador, mas basta a equipa perder para ser tido de incompetente e ser mandado embora. Há muitas interferências num jogo de futebol, pelo que o treinador nunca tem culpa total pela derrota.”
Martinho de Almeida observa que por vezes “quando se manda embora um treinador, não é porque não presta, é quando perde confiança. A um certo treinador europeu disseram-lhe que não tinha sorte por não garantir título depois de no anterior ter sido campeão. Disseram-lhe que não sabiam das razões de lhe mandarem embora, mas que tinha azar e devia ir embora.”
Ao seu estilo, Martinho de Almeida deixa um recado para os dirigentes dos clubes. “ Quando a mulher não cozinha, nem sempre é porque ela é preguiçosa, pode ser que o marido não deixou dinheiro para compra de comida.”
E reconhece que “quando uma equipa perde e volta a perder e a direcção do clube não manda embora o treinador, a massa associativa acusa a essa mesma direcção de fraca. Por tudo isto, é por isso que o futebol é bonito. Cada um pensa da sua maneira e ninguém se acha errado.”



