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Municipalização de Boane entre a expectativa e a amargura

Por admin
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A anunciada municipalização do distrito de Boane, província de Maputo, está a provocar celeuma no seio dos moradores daquele ponto do país. Tudo porque nem todo o perímetro distrital, com

apenas dois postos administrativos, passará para a autarquia, facto que deixa alguns residentes, sobretudo do Posto Administrativo da Matola-Rio, desapontados, enquanto outros, os que vivem na vila, esperam ansiosamente pela entrada em funcionamento do município.

Recentemente, o Governo aprovou a municipalização de dez novos locais, nomeadamente,Boane, Praia de Bilene, Quissico, Nhamatanda, Sussundenga, Nhamayábuè, Maganja da Costa, Malema, Chiúre e Mandimba, sendo um de cada província do país. A medida vem na sequência das estratégias segundo as quais os distritos têm de ser autónomos.

Assim, os dirigentes municipais, juntamente com os seus munícipes, têm o dever de traçar planos que possibilitam a angariação de fundos que garantam a solução dos seus problemas e, consequentemente, o seu crescimento socioeconómico, sem esperar pelo fundo canalizado pelo Governo Central.

Com efeito, na senda deste preceito, os munícipes participam na progressão do município, contribuindo com ideias, bem como através do pagamento de impostos que as autoridades definem.

É esta realidade que faz com que uma parte dos residentes do distrito de Boane, designadamente, do Posto Administrativo da Matola-Rio se sinta ressentida por estar excluída dos novos planos das autoridades.

Refira-se que o distrito de Boane cobre dois Postos Administrativos, nomeadamente, Boane e Matola-Rio e outras tantas povoações. E o novo Município passará a cobrir apenas 100 quilómetros quadrados que compreenderão a localidade de Gueguegue, assim como os povoados de Campoane, Picoco, Mabandja, Mucombo, Xitevele, Chipapa e Tchonissa.

Assim sendo, a nova estruturação autárquica deixa de fora o Posto Administrativo da Matola-Rio, ficando desta feita entre os municípios de Matola e o novo Boane, facto que os residentes de Matola-Rio, área de grande expansão, não compreendem.

A nossa equipa de Reportagem esteve em Boane, onde colheu o sentimento dos respectivos moradores. Aqui, uns denotavam alegria estampada nos seus rostos, pela autarcização da vila, enquanto outros, os do Posto Administrativo da Matola-Rio, estavam desapontados e era visível a sua inquietação, pelo facto de não poderem fazer parte dessa nova divisão.

Entretanto, outros havia que nem sabiam desta medida, apenas se espantavam “por haver locais do distrito que deixaram de realizar o recenseamento.”

Destaque-se que o Governo definiu três princípios para o funcionamento dos municípios, nomeadamente, para consolidar a democracia, que é permitir que as pessoas possam eleger os seus dirigentes, de forma a participarem na tomada de decisão; por outro lado, de modo a permitir que os órgãos locais criem espaço para a população participar no processo de governação e, por último, criar condições, através das autarquias, para que os serviços públicos básicos estejam mais próximos do cidadão.

BOANE NA EXPECTATIVA

Em Boane ouvimos alguns os comerciantes do mercado da vila, que reforçaram a ideia de que, com a categoria de município, a sua actividade poderá melhorar, uma vez que vislumbram muita competitividade, ao considerarem que mais agentes de negócio poderão instalar seus centros naquela vila.

Mas, para tal, afirmam que será necessário que as autoridades que irão levar adiante os destinos do município tracem estratégias que garantam a concretização dos seus anseios.

Amiro Osman, residente e proprietário de um estabelecimento comercial de Boane, satisfeito com a medida, disse acreditar que o município trará uma dinâmica que poderá levar ao desenvolvimento daquela vila, que, aliás, nos últimos tempos tem sido preferência de muitos cidadãos que procuram instalar as suas residências ou projectos.

Contudo, “é preciso estarmos preparados para os desafios que isto traz. Os residentes desta vila passarão a exigir mais dos órgãos autárquicos, sobretudo, nos sectores de transporte e saneamento. Por sua vez, as autoridades quererão mais contribuições dos munícipes através dos impostos. Portanto, seria bom começar a haver sensibilização das comunidades sobre a nova realidade”, referiu.

Por sua vez, Fiel Miguel, outro vendedor do mercado local, declarou que está a torcer para que esse momento chegue logo, “para ver se a vida por aqui melhora”.

Em conversa com Miguel, ficamos a saber que os vendedores do Mercado de Boane, sobretudo aqueles que vendem nas bermas da estrada, já foram avisados que futuramente serão transferidos para um outro local, onde brevemente será construída uma nova infra-estrutura.

 “Para nós esta medida é bem-vinda, porque sabemos que a cada dia que passa corremos o risco de sofrer atropelamentos. Mas as obras nem começaram”, lamentou, para depois acrescentar: “esperamos que com o município, esta promessa seja concretizada, porque não é de hoje.”

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