
A Estrada Nacional – EN13 – que liga as cidades de Lichinga e Cuamba, vai ser asfaltada, a partir do próximo ano. O dinheiro já existe. Fala-se de pouco mais de 240 milhões de dólares americanos, o
montante necessário para a asfaltagem, incluindo a construção de pontes sobre os vários rios existentes ao longo daquele troço rodoviário até Massangulo, no distrito de Ngaúma, numa extensão de cerca de 210 quilómetros de estrada. Os fundos para a empreitada são japoneses, moçambicanos e do Banco Africano para o Desenvolvimento (BAD).
Enquanto isso, as autoridades governamentais – centrais e provinciais – afirmam estar a trabalhar junto de parceiros internacionais, para a mobilização de pelo menos 80 milhões de dólares, a fim de financiar o troço remanescente, que compreende a vila de Massangulo e a cidade de Lichinga.
A EN13 é vital para o desenvolvimento da província de Niassa. Permite a sua ligação ao Porto de Nacala, para onde, regularmente, os agentes económicos vão buscar mercadorias para abastecer vários mercados, principalmente os que se situam na parte norte da província.
Apesar de a reabilitação daquela estrada ser já uma certeza, várias pessoas não acreditam que as obras vão começar este ano. A incerteza está associada ao facto de ainda não estarem fixadas as datas início da empreitada.
De notar que aquela estrada é apontada pelo Plano Estratégico de Desenvolvimento de Niassa como fazendo parte do triângulo de desenvolvimento que vai alavancar a economia desta parte do nosso país, a par das outras duas estradas, nomeadamente Cuamba/Marrupa/Lichinga.
As actuais condições daquela via, que também dá acesso, através do distrito de Mandimba, ao vizinho Malawi, tornam as condições de vida das populações cada vez mais difíceis, para além de afugentar potenciais investidores.
Agentes económicos contactados pela nossa reportagem, questionaram as promessas do Governo, afirmando que desde a década 90 que se fala da reabilitação da EN13, chegando ao ponto de questionar os critérios utilizados para a priorização da EN14, que liga a cidade de Lichinga a Pemba, já asfaltada.
Durante a época chuvosa, acrescentaram, as casas comerciais de Niassa ficam desprovidas de mercadorias, pois, as empresas responsáveis pelo transporte de mercadorias dos portos para a província recusam-se a fazê-lo, receando danificar as suas viaturas. Para os que aceitam, sujeitam-se a levar mais de dez dias para chegarem a Lichinga, encarecendo consequentemente os produtos.
A título de exemplo, em Fevereiro último, altura em que a ponte sobre o rio Luculumezi, entre os distritos de Ngaúma e Mandimba, desabou devido à fúria das águas, alguns transportadores foram obrigados a usar uma via alternativa (Lichinga/Marrupa/Cuamba) e, em consequência, agravaram o custo dos “chapas”, chegando a cobrar, por cada passageiro, mil meticais, num troço de aproximadamente 570 quilómetros.
Entretanto,David Malizane, governador de Niassa, assegurou que a reabilitação da EN13 é irreversível: “Temos dinheiro garantido para os primeiros dois lotes, nomeadamente Cuamba/Muita e Muita/Massangulo”. O chefe do Executivo de Niassa acredita que as negociações em curso, visando a mobilização de mais fundos para a conclusão de toda a rodovia, vão ter um final feliz, por se tratar de um assunto que preocupa o Governo, empresários e as comunidades.



