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ABASTECIMENTO DE ÁGUA: Infra-estruturas de retenção são um constrangimento

Por admin
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Texto de Idnórcio Muchanga
idnórcio.muchanga@snoticias.co.mz
O abastecimento de água em Moçambique ainda está aquém do desejado devido a vários factores, com destaque para problemas de armazenamento e deficiente sistema de reaproveitamento. Para reverter a situação, o Governo precisa de cerca de cinco mil milhões de dólares americanos para a reabilitação de infra-estruturas de retenção.

O sector de água está à busca de alternativas para assegurar o aumento da capacidade dos actuais 58,6 mil metros cúbicos para mais de 76,6 mil cúbicos através da reabilitação e/ou construção das barragens de Corumana, na província de Maputo, Mapai, em Gaza, e Chipembe, em Cabo Delgado.

Além da reabilitação destas infra-estruturas, o Governo pretende construir de raiz dezasseis barragens em todo o país.

Ainda no âmbito dos empreendimentos hídricos, o Governo precisa de 42 mil milhões de dólares para elevar a cobertura de infra-estruturas de saneamento com o objectivo de eliminar, até 2025, o fecalismo a céu aberto, nalgumas províncias do país.

Os dados foram fornecidos, semana finda, na cidade de Nampula, durante o Fórum de Reflexão Social sobre o Objectivo de Desenvolvimento Sustentável, evento organizado pelo Ministério das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos (MOPHRH), através da Direcção Nacional de Abastecimento de Água e Saneamento, em parceria com a Cooperação Suíça e WaterAid.

Segundo o ministro do MOPHRH, Carlos Bonete, que falava na ocasião, o fórum realiza-se num momento em que pouco mais de 14 milhões de pessoas possuem serviços de abastecimento de água, o que representa cerca de 55 por cento da população e mais de nove milhões de pessoas têm acesso ao saneamento – cerca de 35 por cento.

Moçambique tem até 2030 o desafio de elevar a cobertura de abastecimento de água e saneamento a um nível universal, para tal precisamos de mais de 4 mil milhões de dólares americanos”, disse.

Para que o abastecimento de água e saneamento do meio cheguem para todos é necessário que se aprimore a gestão de recursos hídricos. Actualmente, a disponibilidade de fornecimento está dependente de chuva, o que torna Moçambique vulnerável a eventos extremos como ciclones e secas.

Em 2015, o Governo, reconhecendo a sua fragilidade, aprovou o regulamento de licenciamento de privados no abastecimento de água, como forma de elevar o número de consumidores.

Para além disso, Bonete destacou a necessidade de o sector inovar ao nível de organização, estratégias políticas, financiamento para a reabilitação e construção de infra-estruturas com vista a fazer chegar a água a locais mais recônditos.

As Organizações Não-Governamentais (ONGs) presentes no fórum manifestaram a sua preocupação em relação ao baixo nível do fornecimento de água no país, sobretudo numa altura em que se reportam casos de mulheres, no distrito de Mossuril, em Nampula, que têm partos prematuro por caminhar longas distâncias à busca de água.

Falou-se, também, da localidade de Rapale, em Nampula, onde para os agentes económicos conseguirem água têm de fazer perfurações de mais de cem metros, facto que contribui para a abertura de poucos furos. 

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