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VENDA DE PRODUTOS PERECÍVEIS NAS IMEDIAÇÕES DAS ESCOLAS

Por admin
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“Pesos adulterados e medidas falsificadas, são coisas que o Senhor detesta” Provérbios 20:10

Mal retenho já nos domínios da lembrança, os caminhos trilhados na infância. Mas, sempre que visito o arquivo dos meus primeiros passos da minha pré-adolescência, nesta carcaça já meio enferrujada, vêem-me à memória, as minhas aventuras de estudante do ensino primário, quando procurava inserir-me na sociedade. Tive de passar, como qualquer um da minha condição, por uma variedade e diversidade de experiências, desde a forma como lá chegar, à sobrevivência e adaptação ao novo meio de pessoas estranhas à minha habitual família. Tal como acontecia com todos os estabelecimentos de ensino destinados a pessoas da minha condição, (indígenas e indigentes), também na nossa (Escola), não havia nem nas imediações nenhum Mercado ou Cantina e mesmo que houvesse, ninguém tinha posses financeiras para adquirir fosse o que fosse, fora do orçamento da família. Apesar de muitos de nós percorrermos longos quilómetros para chegar à Escola, (eu morava a oito e alguns chegavam a dez e mais quilómetros), e pese ainda a nossa pré-adolescência, (fase da vida em que já não somos mais crianças, e termos mais autonomia para fazermos amizades e buscar a independência em relação aos nossos pais), quanto ao Lanche, isso era o “salve-se quem puder”. Mesmo assim, e porque não há regra sem excepção, havia um e outro que podiam. Por exemplo, o meu primeiro contacto com pão e manteiga, foi a partir dum meu colega que vivia na Vila e, devido a sua idade avançava para uma escola oficial, juntou-se a nós outros. Sabendo menos que eu, descobriu uma forma de eu ajudá-lo na aritmética, oferecendo-me um pouco do seu suculento farnel composto do saboroso pão com manteiga! Já frequentava o quarto ano escolar (Terceira Classe Rudimentar e catorze anos de idade). Sobre o meu lanche, como da maioria dos estudantes, era constituído invariavelmente de ”D'í Goko/Xikento”, que eram sobras da comida da noite anterior, normalmente Xiginya de N'kakana, de Tihaka, de folhas de feijão Nyemba, Mandioca cozida, assada ou mesmo crua). Isto era o quotidiano em todas escolas destinadas a Indígenas. Hoje, felizmente quase todas as Escolas têm uma Cantina Escolar, um espaço no qual é possível observar, a comercialização de alimentos industrializados perecíveis, que são alimentos que deterioram com facilidade, como por exemplo o leite depois de aberta a embalagem, e semi-perecíveis, aqueles alimentos que foram submetidos a métodos de conservação que podem fazê-los conservar-se por longos períodos de tempo. Assim, a escola torna-se um ambiente favorável para o desenvolvimento de acções para a formação e promoção de hábitos alimentares saudáveis, por ser um espaço social onde as crianças passam grande parte do seu tempo, convivendo e aprendendo novidades diariamente. A hora do recreio é um momento em que lanchar com os colegas está associado à competição, comparação e necessidade de serem aceitos pelo grupo. Não entendo pois, por que razão os gestores de estabelecimentos de ensino hoje, permitem a presença de vendedores ambulantes, de produtos alguns cuja manufactura é bastante duvidosa, casos de bolos, amendoim, mandioca cozida, chocolates, chupa-chupas, doces, mahewu, pipocas, chamuças, hamburgues, ovos cozidos e mais. Vem isto a propósito de um episódio apresentado na Terça-feira passada no “Balanço-Geral”, um dos programas de maior audiência da “TV-Miramar”, no qual, uma senhora, de mente prava, isso mesmo, não só parva, mas também e sobretudo PRAVA, malvada e perversa, em combinação com alguns estudantes, (será só com estudantes?) manufacturava e vendia bolo condimentado com o famoso estupefaciente “Cannabis sativa” vulgo Suruma, moçambicanamente conhecido por “Mbange”. Perguntamos nós: Que benefício tirava ela da venda de um bolo envenenado? Seriam só os estudantes únicos destinatários? Para mim, aquela senhora e todos os que procuram o seu ganha-pão corrompendo e comprometendo o futuro dos nossos herdeiros, com “iguarias” de proveniência duvidosa, a polícia municipal devia, a exemplo do que tem vindo a fazer com aqueles que poluem e conspurcam os passeios, correr com eles sem apelo nem agravo, pois as Escolas têm a opção de distribuir aos alunos a merenda, (refeição preparada na própria escola). Estamos de acordo?

Kandiyane Wa Matuva Kandiya

 

nyangatane@gmail.com

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