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JEANS RASGADAS: Estilo rebelde

Por admin
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Usar roupa rasgada pode ser sinónimo de pobreza, para uns, e estilo, para outros. A verdade é que jovens, e não só, desembolsam centenas de meticais para comprar jeans estilhaçadas. O estilo rebelde sopra com força. Mas será apenas isso? Ou melhor, o que leva alguém a vestir quase farrapos?

São a febre do momento. Adolescente e jovens não dispensam a oportunidade de ter pelo menos uma peça no seu guarda-fato. Alguns, com gostos mais atrevidos, optam pelas jeans literalmente rasgadas de cima a baixo. Já, os mais discretos, avançam para as calças com leves “escoriações”.

Interessante é que este tipo de roupa existe para todas as idades e tamanhos, e podem ser usadas tanto para o dia assim como para eventos da noite, combinadas com sapatilhas, botas, salto alto ou sandálias.

Tudo isto não é novo. A calça jeans fez furor no passado na versão boca-de-sino. Este é o carácter cíclico da moda a fazer jus à sua existência. Nos anos 1970 e 80 as calças rasgadas também conquistaram corações e deixaram a sua marca no tempo.

Os então chamados yippies foram os grandes divulgadores desta forma de curtir a roupa. Basta recordar o festival woodstock. As bandas de hard rock como Metallica, Led Zeppelin, Def Leppard, Iron Maiden, Guns N´Roses, entre outras, ajudaram a popularizar o estilo, ao mesmo tempo que lhe acrescentavam adereços como rebites.

Aliás, o estilo rasgado surgiu como uma tendência de manifestação de descontentamento social. Por essa razão, este estilo é conhecido como rebelde. Hoje, para além de calças, também existem saias, calções, camisa e casacos rasgados dando a quem usa um aspecto mais jovem e ousado ou, se quiserem, insurrecto.

Alguns usam-no inspirados nos seus ídolos, outros por curiosidade de viver nova experiência e sentir-se na moda. É o caso de Rúlia Milda, de 21 anos e estudante. Conta que não tem ideia de quantas “destas peças” possui no seu guarda-fatos. “Gosto de usá-las aos finais de semana ou quando saio à tarde após as aulas. Sou apaixonada por jeans. Só sei que tenho muitas e de várias cores”.A jovem Belia Alberto, 20 anos de idade, embora estivesse trajada de jeans “estilhaçadas” afirma simpatizar pouco com esta velha e nova tendência.

 

Uso para agradar a minha mãe, pois foi ela quem comprou. Ela gosta de ver pessoas vestidas de jeans. Por isso uma e outra vez uso”, revela entre risadas. Bélia segredou-nos ter preferência por jeans simples e discretas.

Estar na moda é, também, o principal motivo que leva Angelina Jorge, estudante de 20 anos, a usar as rasgadinhas. Diz ser muito vaidosa, daí que não poupa esforço para sair à rua com o estilo rebelde. “Tenho três calças destas e sinto-me bem quando as visto. Em casa os meus pais não me impedem de fazê-lo porque compreendem que é apenas uma forma de estar”.

Oldemiro Baloi, 24 anos, trabalhador, tem outro posicionamento. Afirma que jamais trajará jeans rasgadas. “Não fazem o meu estilo, por isso nunca tive o interesse de comprá-las ou de vesti-las”, e justificou-se: “Penso que transmitem um ar pouco sério e não fazem parte da minha personalidade. Depois trabalho num local em que a imagem é muito importante, daí que seria estranho os meus clientes verem-me de calças rasgadas mesmo aos fins-de-semana”, sublinhou.Também conversamos com Mário Ngoque, 28 anos, que trazia uma calça com alguns “ferimentos”.  Disse-nos ter duas calças. “A outra é mais extravagante e costumo pô-la para sair com os meus amigos. É uma tendência muito jovem e foi por isso que comprei”.

 

Sobre a possibilidade de um dia ter usado uma calça rasgada por falta de condições, Mário afirmou que nunca passou por necessidade extrema até a esse ponto.

Para alguns adultos a moda é complexa e algumas vezes difícil de acompanhar. Entretanto, alguns defendem ser inevitável que se consuma moda vinda de todos cantos do mundo devido à globalização a que os moçambicanos também estão sujeitos. Outros, porém, são mais conservadores ao afirmarem que se deveria impulsionar a moda moçambicana.

Para Germano Sive, esta tendência não lhe é agradável. Para ele é importante que se comece a criar a moda tipicamente africana.“Esta moda vem de fora e não é nossa. Não gosto. Devemos criar algo que nos identifica. Por exemplo, eu admiro a Neyma e a Elvira Viegas, pois vestem a moda da nossa capulana”.

Marta Estedy é mãe e trabalhadora. Defende que a moda é complexa e relativa, pois cada um tem a sua sensibilidade. “Os gostos não são iguais, cada um tem a sua preferência”.

Por essa razão, Marta Estedy afirma que os jovens devem saber onde e como usá-las. “Não podemos interditar as pessoas de acompanhar a moda. É impossível. Eu acho que não tenho idade para seguir esta moda, pois acho que é mais para jovens e adolescentes”, afirmou Marta.

Texto de Luísa Jorge
luisa.jorge@snoticicas.co.mz
 

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