
A avaliação final feita pela Direcção Nacional de Veterinária (DNV) sobre o impacto da seca na produção animal aponta que mais de seis mil cabeças de gado bovino morreram na província de Maputo, na sequência da seca que se fez sentir na zona Sul do país e das chuvas que afectaram o Centro e Norte durante o ano passado.
Segundo o director Nacional de Veterinária, Américo Manuel, a falta de água e pasto de qualidade, resultantes do fenómeno El Ninõ, conduziu à perda de um total de 6.061 cabeças de gado bovino, que corresponde a 90 por cento dos bovinos que existiam nas regiões afectadas.
Enquanto isso, na região Centro, nomeadamente Sofala, Tete e Zambézia, registaram-se dois fenómenos, nomeadamente a estiagem e chuvas excessivas que também afectaram a produção animal, uma vez que ambos os factores reduziram drasticamente a quantidade de água e a qualidade do pasto provocando a morte de 696 bovinos.
Ao todo, durante aquele período morreram 6.767 bovinos e 112 caprinos devido à seca e adicionalmente a província e cidade de Maputo tiveram períodos de temperaturas altas, que chegaram a atingir mais de 45 graus célsius, associadas a ventos fortes que causaram perdas de mais de 45 mil aves, incluindo poedeiras, e destruição de 10 pavilhões avícolas.
Apesar das perdas, o sector da pecuária teve uma tendência crescente, com destaque para as carnes bovina e suína, que cresceram em cerca de 26 e 24 por cento respectivamente. Contrariamente, a produção de leite verificou durante a campanha agrária 2015-2016 uma tendência decrescente na ordem de 3.6 por cento.
Para além da seca e inundações, o país foi afectado pelo fortalecimento do dólar americano em relação à moeda nacional o que encareceu a produção nacional e a importação de insumos agrícolas que contribuiu, por sua vez, pata o encarecimento do produto nacional.
Aliado a isto, a tensão político militar também contribuiu na contracção de investimentos para sector agrário, para além de ter dificultado a produção e o escoamento dos produtos das zonas de maior produção.
domingo apurou que para a mitigação dos efeitos das calamidades naturais, foram implementadas diversas acções com destaque para a realização de 70 feiras de comercialização de animais nas províncias de Gaza e Inhambane nas quais foram vendidos cerca de dois mil bovinos, pouco mais de dois mil caprinos, 996 ovinos, 469 suínos, num trabalho que envolveu 118 criadores. Por outro lado, fez-se a transferência de 367 bovinos para zonas com disponibilidade de água e pasto de qualidade.
FEBRE AFTOSA EM MAGUDE E MOAMBA
Américo Manuel afirmou ainda que foram feitos estudos e prospecções de doenças animais com vista a aferir a imunidade da produção animal nacional contra pragas e doenças. Neste âmbito, foi feita a prospecção da Febre Aftosa na província de Maputo, nos distritos de Moamba e Magude e em Gaza nos distritos de Massingir, Mabalane e Chicualacuala.
Para a realização deste trabalho foram colhidas 3.325 amostras de soro e 900 amostras de sangue e o resultado indicou que a seroprevalência de Displasia Fibromuscular (FMD) nos distritos de Magude e Moamba é alta e que as prevalências médias mais altas foram observadas nos distritos de Magude, Moamba e Massingir.
No mesmo quadro, a fonte referiu que a prevalência de FMD obtida foi maior nos postos administrativos de Mapulanguene, Tihovene e Sábiè, na província de Maputo, assim como no distrito de Mapai, em Gaza, havendo algum risco, ainda que ínfimo em locais como Panjane, Pafuri e Eduardo Mondlane.
Entretanto, no distrito de Panda, em Inhambane, foi feita a prospecção da Brucelose Bovina (doença infecciosa dos animais e do homem que causa abortos, acompanhada algumas vezes de infertilidade temporária ou permanente) de onde foram colhidas e processadas 1.499 amostras, das quais 54 tiveram um resultado positivo.
Perante este quadro, Américo Manuel afiançou que foram tomadas medidas com vista a mitigar os efeitos da doença e reduzir o risco de disseminação entre as manadas, as quais incluíram mobilizações de criadores e das autoridades locais para abordarem sobre os perigos da doença e os riscos de contágio de humanos.
Aliás, em relação ao risco de transmissão da doença aos humanos, a nossa fonte assegurou que estão em curso programas de educação sanitária dos criadores e das comunidades sobre boas práticas de manipulação e consumo da carne, leite e outros derivados bovinos, para além da intensificação do controlo de movimento de gado e da vigilância permanente da sua introdução principalmente de locais suspeitos ou infectados.
Por outro lado, decorre a retirada dos animais cujos resultados dos testes foram positivos e de outros que tem tido abortos recorrentes ou que tenham nascido de fêmeas que tenham abortado pelo menos duas vezes.
Enquanto isso, no distrito de Massinga, também na província de Inhambane, foram colhidas e processadas 758 amostras, das quais seis tiveram um resultado positivo, para a Brucelose Bovina.
Por seu turno, os resultados dos estudos feitos nos distritos de Panda e Massinga poderão ser usados para melhorar os dados epidemiológicos existentes e contribuir para a implementação do Programa Nacional de Prevenção, Controlo e Erradicação da Brucelose e Tuberculose (PNPCEBT) no país.
PESTE SUÍNA EM SOFALA
Mais adiante soubemos que no mês de Agosto houve a ocorrência da Peste Suína Africana em duas unidades de criação de suínos, localizadas na região de Manga Mungassa, na província de Sofala. O diagnóstico foi feito levou à conclusão de que a doença estava a ocorrer por ali.
Para a confirmação laboratorial, foram colhidas amostras de animais doentes e mortos que foram posteriormente enviadas ao Laboratório Central de Veterinária. Para fazer face a esta situação foram tomadas medidas de controlo e prevenção da doença que passaram pela interdição do movimento de suínos vivos e de carne suína da cidade da Beira para outros distritos ou províncias. Por outro lado, foram mortos todos os suínos doentes ou que estiveram em contacto directo com os animais doentes.
Refira-se que no quadro do combate a doenças como a Febre Aftosa, Brucelose, Newcastle, entre outras, o Ministério da Agricultura e Segurança Alimentar enviou vacinas para as províncias afectadas mas, o processo de entrega foi pelas empresas adjudicadas foi lento, facto que prejudicou o curso normal da campanha de vacinação de bovinos e caninos.
FOMENTO PECUÁRIO
Num outro desenvolvimento, Américo Manuel referiu-se às actividades desencadeadas no âmbito do fomento pecuário para fins de reprodução onde foram disponibilizados 1.807 bovinos a 621 beneficiários, contra 1.425 bovinos a 586 beneficiários do ano 2015 em todo o país.
Segundo o nosso interlocutor, a província de Maputo recebeu 430 animais que beneficiaram a 149 criadores, em Gaza foram atribuídos 10 animais a igual número de beneficiários, em Inhambane foram 152 cabeças a 88 criadores.
Enquanto isso, 85 criadores da província de Sofala beneficiaram de um total de 116 animais, em Manica 48 beneficiários receberam 57 cabeças, em Tete foram 68 cabeças para 49 favorecidos, na Zambézia 380 animais foram entregues a 53 beneficiários, em Nampula 74 criadores receberam 224 animais, já em Cabo Delgado 99 cabeças foram dadas a 8 beneficiários e Niassa um total de 271 animais chegaram a 57 beneficiários.
Do total de animais distribuídos (1.807 cabeças), 203 eram de gado leiteiro e foram contempladas as províncias de Sofala, Manica e Maputo. Ainda durante o período em alusão, foram, igualmente, disponibilizados para reprodução 1.030 caprinos a 300 beneficiários, nas províncias de Manica, Sofala, Tete e Nampula.
Segundo apuramos, as províncias que mais contribuirão para a redução da produção do leite fresco são as de Cabo Delgado, Zambézia, Sofala e Maputo, que reduziram as suas produções em mais de 20 por cento em relação ao ano de 2015. A redução deveu-se ao aumento do preço dos suplementos e à escassez de água e pastos devido a seca.
Licenças e Certificados Sanitários
A nossa Reportagem apurou que durante o ano passado foram analisados processos de pedidos diversos de importação, incluindo de medicamentos veterinários para o país e, para tal, foram verificados elementos ligados ao registo do produto no país de origem ou num dos países da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), a não proibição do produto a nível nacional e internacional e certificado de análise.
Neste ano, foram autorizadas e emitidas 12.520 licenças de importação e 906 certificados zoo sanitários internacionais, contra 5.326 licenças de importação e 785 certificados zoo sanitários internacionais do mesmo período do ano 2015, o que representa um crescimento de cerca de 135 por cento em licenças de importação e de pouco mais de 15 por cento em certificados zoo-sanitários internacionais.
Importa salientar que, o número das licenças emitidas neste ano aumentou porque as licenças de carnes frescas, leites, derivados e rações para animais a nível da SADC que eram emitidas pelas províncias de Maputo passaram a ser emitidas pela DNV.



